ONTEM, 24 de NOVEMBRO de 2016, JOÃO MARTINS PEREIRA TERIA FEITO 84 ANOS – Leiam O “MEDO” RACIONAL DA MOEDA ÚNICA, um texto de 1996.

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(1932 – 2008)

João Martins Pereira, engenheiro industrial, economista, jornalista, ensaísta, foi secretário de estado da indústria do 4º governo provisório chefiado por Vasco Gonçalves entre Março e Agosto de 1975, sendo Ministro da Indústria e da Tecnologia João Cravinho. Ocupou-se especialmente das nacionalizações. Recebemos esta mensagem para a qual pedimos a vossa especial atenção:

No período em que foi secretário de Estado da Indústria e Tecnologia, JMP guardou em duas caixas de arquivo documentação variada relativa a esse período. Toda essa documentação foi digitalizada pelo CD25A, que está a disponibilizá-la. Um agradecimento especial a Natércia Coimbra que tem sido inexcedível na divulgação do espólio.

No dia dos anos do João, publicamos no site esses documentos (http://www.martinspereira.com/secretariaestadoit.html)

E não resistimos a disponibilizar pela sua actualidade um texto escrito em 1996, provavelmente para o colóquio “O que é a moeda única?”, organizado pelo jornal Combate nesse ano.

O “MEDO” RACIONAL DA MOEDA ÚNICA

Foi preciso que os franceses em Dezembro [1995] descessem à rua, para que entre nós se começassem a ouvir vozes “autorizadas” a questionar a marcha acelerada para a “moeda única”, de que este governo, como o anterior, faz ponto de honra em que Portugal esteja no “pelotão da frente” quando chegar a hora, se é que alguma vez vai haver tal pelotão e tal hora. Com os franceses na rua, voltou a hora, isso sim, de o habitual coro bem afinado de políticos e jornalistas usar de novo o estafado argumento da “falta de explicação”: todo esse burburinho social deve-se a que as vantagens do processo de “convergência” imposto pelos alemães em Maastricht nunca foram suficientemente explicadas aos cidadãos, que por isso se limitam a sentir-lhes os custos sem se aperceberem dos benefícios.

Uma simples frase chega para nos esclarecer. E essa escreveu-a a correspondente do Público em Paris, para quem as motivações do movimento de massas de Dezembro foram “o medo irracional do desemprego e de mais sacrifícios exigidos pela política de austeridade”. Por outras palavras, os desempregados, reais e potenciais, não compreendem as vantagens que esse desemprego representa para o seu país, para a “Europa”, em definitivo para eles-próprios! Não compreendem que a salvação de tudo e de todos está na “moeda única”, está em conseguir cumprir os “critérios de Maastricht”, está em “dar confiança aos mercados”.

Mas os governos foram eleitos, mal ou bem, para dar confiança aos mercados e a Bruxelas (leia-se: ao Banco Central alemão) ou para a dar aos seus eleitores-cidadãos? Ainda está para vir quem seja capaz de explicar como é que o simples passe de mágica da moeda única irá resolver todos os problemas, a começar pelo do desemprego. É bem mais fácil provar o contrário: basta ver a pressão alemã para que haja um compromisso de “eterna austeridade” pós-moeda única, se esta alguma vez vier a existir – coisa cada vez mais duvidosa.  Quanto a Portugal, aí não restam dúvidas: os “sacrifícios” que nos vão ser irracionalmente impostos (aguarde-se pelo pós-presidenciais) são simplesmente inúteis e injustificados. O “pelotão da frente” de Maastricht seria um cada vez mais garantido “pelotão de trás” em termos económicos e sociais. Talvez seja tempo de começarmos a perceber o que tudo isto quer dizer: os governos estão lá para se preocupar de facto com os negócios e com os mercados. São eles (negócios e mercados) que “comandam” as nossas vidas. Até um belo dia a Europa inteira estar na rua.

Prometemos também para breve a disponibilização do ebook em formato epub para telemóveis e tablets.

Um abraço

Marta e Manuela

 

Vejam mais em:

http://martinspereira.com/

https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Martins_Pereira

 

About joaompmachado

Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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