A CRISE DA FINANÇA – O CASO ITALIANO – 11. . MPS, OS MISTÉRIOS DE DRAGHI, DA POLÍCIA FINANCEIRA E DA COMISSÃO DE JP MORGAN.

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Selecção e tradução de Júlio Marques Mota. Revisão de Francisco Tavares.

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Mps, os mistérios de Draghi, da Polícia Financeira e da Comissão de JP Morgan.

Franco Bechis, Mps, i misteri di Draghi e il giallo sulla commissione Jp Morgan

L’Imbecata di Franco Bechis, 15 Dezembro de 2016

Il Governatore della Banca d'Italia, Mario Draghi oggi, 21 marzo 2011, all'Universita' Cattolica a Milano. ANSA/DANIEL DAL ZENNARO
Il Governatore della Banca d’Italia, Mario Draghi oggi, 21 marzo 2011, all’Universita’ Cattolica a Milano. ANSA/DANIEL DAL ZENNARO

Os antecedentes

A carta tem a data de 17 de março de 2008 e tem a assinatura do então governador do banco da Itália, Mario Draghi. Assunto: “banca Monte dei Paschi di Siena-aquisição do controlo acionista na Banca Popolare Antoniana Veneta”. É esta a origem de todos os sarilhos do banco de Siena, que mais uma vez está dependurado de uma operação de resgate, e assim salvar também os milhares e milhares de depositantes e aforradores, a ser feita pelo novo governo liderado por Paolo Gentiloni que poderá ser determinada por um Decreto lei nos próximos dias.

monte-dei-paschi-viiA existência dessa carta era conhecida e a sua versão integral (3 páginas) foi colocada em dois processos envolvendo o banco de Siena, em Siena e em Roma, e em ambos os casos os promotores eliminaram qualquer responsabilidade penal do Banco Central italiano e do atual presidente do BCE, Mario Draghi. Um advogado que atua como um membro do banco MPS, Paolo Emilio Falaschi, contestou essa decisão e está ainda a tentar obter do tribunal uma ordem certificando a invalidade da autorização de Draghi e o consequente cancelamento da aquisição da Antonveneta que também está na origem das dificuldades com que atualmente se debate o banco MPS. Se se conseguisse esta ordem e o consequente cancelamento, e o Mps visse ser-lhe restituídos os 17 mil milhões que no seu conjunto custou aquela operação, certamente todos os problemas do banco seriam resolvidos como por magia e a intervenção estatal não seria pois necessária.

A estrada é definitivamente difícil, mas não assim tão extravagante, porque essa carta de Mario Draghi junta-se a um documento de supervisão do Banco Central, depois de uma inspeção a Antonveneta pouco antesmonte-dei-paschi-viii (no dia 9 de março de 2007), em que foram expressas dúvidas sobre a solidez financeira do banco que logo em seguida foi comprado pelo banco MPS e se assinalava entre os motivos dessas dúvidas um empréstimo de 7,9 mil milhões de euros com o holandês Abn Amro. É exatamente esta cifra que está na base da ação judicial intentada, porque seria isso que teria levado o custo total de aquisição de Antonveneta pelo Mps ao valor de 17 mil milhões de euros. Porém, o então governador do banco de Itália escreveu – embora conhecendo os 7,9 mil milhões em dívida para com o banco holandês – que “a aquisição do complexo empresarial referido como Antonveneta custará cerca de 9 mil milhões de euros, e o esforço efetivo será majorado pelo contravalor da venda do Interbanca, que aumentará a liquidez do Antonveneta de igual valor”.

monte-dei-paschi-ixMas a passagem seguinte do texto de Draghi desperta alguma surpresa em relação à tradicional prudência do Banco da Itália. Porque explica como o Mps poderia obter os 9 mil milhões necessários para a operação: ” “um aumento de capital de 6 mil milhões (dos quais 1 milhar de milhões com exclusão do direito de opção), a emissão de instrumentos híbridos e subordinados por um valor de 2 mil milhões e o recurso a um financiamento ponte global de 1,95 mil milhões ser reembolsado através da venda de ativos não estratégicos”. Não somente Draghi descreve qual a forma de obtenção dos fundos, como ainda apresenta a metodologia subjacente, subordinando expressamente a compra de Antonveneta “à prévia implementação de medidas previstas de reforço patrimonial, em particular no que se refere ao aumento de capital e à emissão de instrumentos híbridos e subordinados, em conformidade com as disposições regulamentares relativas ao capital regulatório”. Atenção, estamos em 2008. Estamos então no momento da explosão da crise financeira mundial, em todo o mundo ligada à emissão desses ” instrumentos híbridos e subordinados” que são recomendados precisamente por quem tinha institucionalmente a tutela da ” sã e prudente gestão ” dos bancos italianos.

E é precisamente essa passagem que dá origem a que Elio Lannutti, presidente de Adusbef se interrogue agora “Porque omonte-dei-paschi-x Banco da Itália e Draghi favoreceram esta arriscada operação, não obstante conhecerem pela inspeção efetuada, que MPS não tinha as contas em ordem após a compra da Banca 121 (antiga Banca del Salento) a um preço proibitivo, o escândalo de May Way e For You?” De acordo com Lannuti ” Draghi não era um desconhecedor: para além de governador do Banco da Itália, era presidente do Fórum de Estabilidade Financeira, uma organização internacional, nascida em 1999 por iniciativa dos Ministros das Finanças e dos governadores dos Bancos Centrais do G7, para promover a estabilidade financeira internacional e reduzir os riscos do sistema financeiro”. O número um de Adusbef levanta uma pergunta maliciosa_: ” Draghi terá ele autorizado a operação altamente arriscada com Antonveneta para não prejudicar o apoio político do partido Democrata e dos meios interessados de Força Itália (então no governo) todos relacionados com o Mps no emaranhado harmonioso do ‘sistema de Siena ‘, uma vez que estes poderiam opor-se às suas ambições para a Presidência do BCE?”

monte-dei-paschi-xiMalicia à parte, a Polícia Financeira estará esclarecida e toda a questão será discutida hoje num seminário sobre crédito promovido pelo grupo M5s na Câmara dos deputados. Aqui poderá haver alguém que tente uma reconstrução do acontecido mesmo com os mais recentes factos agora surgidos. A começar pelas negociações havidas nos últimos meses sobre o aumento de capital de MPS entre o então CEO Fabrizio Viola e o banco JP Morgan. Como Viola disse muito recentemente aos seus amigos, tudo começou quando o JP Morgan pediu uma comissão de 9 por cento, como conselheiro para a operação. Pagamento que teria que ser feito antecipadamente. O não de Viola foi, ainda que de pouco, precedente ao telefonema do Ministro da Economia, Pier Carlo Padoan, com o qual foi despedido, decerto não sem o conhecimento de Matteo Renzi. Esta história está ainda por escrever.

 

Mps, I Misteri Di Draghi E Il Giallo Sulla Commissione Jp Morgan

http://limbeccata.it/retroscena/mps-i-misteri-di-draghi-e-il-giallo-sulla-commissione-jp-morgan/

 

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