
A SITUAÇÃO ATUAL DA MULHER EM PORTUGAL: alguns dados para reflexão
Comemora-se no próximo dia 8 de Março o Dia Internacional da Mulher. É o momento adequado, pelo menos este, para refletir sobre o que a Mulher já conseguiu, e o longo caminho que há ainda a percorrer para que possa existir uma sociedade onde homens e mulheres sejam verdadeiros iguais em direitos e deveres, e onde a desigualdade baseada no género seja eliminada nas práticas económicas e sociais. Neste estudo, como o espaço é limitado, a análise limitar-se-á a alguns aspetos da situação da mulher no mundo do trabalho, para tornar visíveis as desigualdades que ainda existem e que urge combater.
A IMPORTÂNCIA DA MULHER NA SOCIEDADE E NO PAÍS
Mas antes vamos começar por apresentar um conjunto de dados (de 2016), divulgados pelo INE, que servem para dar um quadro de referência e contextualizar a análise:

Os dados do INE mostram que as mulheres representam mais de 52% da população total do país, que mesmo em relação à parcela da população que se poderá considerar produtiva ou potencialmente produtiva as mulheres continuam a ser maioritárias, ou seja, dos 15-64 anos segundo o INE, elas representam 52%, sendo claramente maioritária na população com 65 e mais anos (representam mais de 58%). E se a análise for feita por níveis de escolaridade, a conclusão que se tira é que quanto maior é o nível de escolaridade maior o predomínio das mulheres. Assim, em relação à população com 15 e mais anos, as mulheres representam já mais de 60% daqueles que têm o ensino superior. Portanto, ignorar esta realidade, e as potencialidades que dela resultam para o desenvolvimento do país e para a promoção de uma sociedade de igualdade é estar contra o progresso e o bem-estar de todos.
A IMPORTÂNCIA DAS MULHERES PARA A ECONOMIA E DESENVOLVIMENTO DO PAÍS
Os dados do INE constantes do quadro seguinte mostram, com clareza, a importância da atividade da mulher para a economia e para o desenvolvimento do país. O desenvolvimento atual depende muito da inovação e da capacidade de a utilizar, e essa capacidade está associada a elevados níveis de escolaridade. E as mulheres são já claramente maioritárias no emprego com o ensino superior.

No período 2007/2016, o saldo de postos de trabalho destruídos atingiu 565.000 postos, sendo 429.000 (75,6%) durante o governo de Passos Coelho/Portas e da “troika”. No entanto, daquele saldo de destruição efetiva de 565.000 apenas 24,2% eram ocupados por mulheres. Por outro lado, a análise do emprego em Portugal por níveis de escolaridade e por género, com base nos dados divulgados pelo INE permite concluir que quanto mais elevada é a escolaridade maior é o peso de mulher- Até ao ensino “Básico” pouco mais de 42% são mulheres; quando se passa para o ensino secundário as mulheres já representam mais de 48% do emprego, e no emprego com o ensino superior mais de 60%. Ignorar a contribuição fundamental da mulher, e não valorizar devidamente a sua participação na economia e na sociedade é não reconhecer o seu papel fundamental na vida do país.
A MARGINALIZAÇÃO DAS MULHERES A NÍVEL DOS CARGOS DE DIREÇÃO
Apesar disso, as mulheres continuam a ser “empurradas” para as profissões menos qualificadas.

Os dados do INE revelam que as mulheres apesar de serem claramente maioritárias no grupo de escolaridade superior elas, por um lado, continuam a ser marginalizadas nos cargos de direção (apenas 36,8% em 2016 dos quadros superiores da Administração Pública, dirigentes e quadros superiores de empresas eram mulheres) e, por outro lado, são “empurradas” para profissões que exigem menores qualificações e, consequentemente, de salários mais baixos (pessoal administrativo e similares, pessoal de serviços e vendedores, trabalhadores não qualificados). Excetua-se o grupo “Especialistas das profissões intelectuais e cientificas” onde são maioritárias.
QUANTO MAIS ELEVADO É O NÍVEL DE ESCOLARIDADE DA MULHER MAIOR É A DIFERENÇA DE REMUNERAÇÃO ENTRE HOMENS E MULHERES EM PORTUGAL
A escolaridade em Portugal no lugar de ser uma fonte de igualdade continua a ser uma fonte de desigualdade remuneratória em Portugal entre Homens e mulheres como revela o gráfico:
Percentagem que o ganho médio e a remuneração base média da mulher representa em relação à do homem segundo o nível de escolaridade em Portugal – 2014





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