Alexandra Kollontai ( 1873-1952)
A ideologia do proletariado não pode
admitir a submissão de um ao outro,
a desigualdade, nem mesmo
nas relações amorosas.
Primeira mulher comissária do povo no Soviete de Petrogrado, primeira mulher embaixadora de seu país, dirigente mulher da Oposição Operária ao governo bolchevique, a oradora, jornalista e escritora russa Alexandra Kollontai é mais lembrada como a exaltada feminista que discutia com Lenine de igual para igual. Marxista convicta, acreditou que a Revolução desencadearia também a revolução sexual, a queda do patriarcado e a vitória sobre a “dupla moral” burguesa.
Kollontai combatia o casamento monogâmico, não o amor duradouro, pregava o amor-livre, não a permissividade. Percebeu muito cedo que a independência econômica não seria suficiente para libertar as mulheres da opressão doméstica e da repressão sexual.
Avançada demais para sua época, mal interpretada e combatida, com a chegada de Stálin ao poder, Kollontai já então embaixadora na Noruega, teve seu exílio honroso prolongado ora numa ora noutra das chancelarias da Escandinávia até o fim do período stalinista.
Sua morte, ocorrida um ano antes da de Stálin, não mereceu comentários da imprensa em seu país.
Em um livro de 1918 – A Nova Moral e a Classe Operária – Alexandra Kollontai escreveu:
Tal é a nova mulher. A disciplina ao invés da afetividade exagerada;a valorização da liberdade e da independência ao invés da submissão e da impersonalidade; a afirmação de sua individualidade ao invés de esforços ingênuos para se deixar moldar pelo bem amado e refleti-lo; a afirmação de seus direitos aos prazeres “terrenos” ao invés da máscara hipócrita da “pureza”; enfim, a capacidade de relegar os episódios amorosos para um plano secundário na vida. Temos diante de nós não a fêmea e a sombra do homem, mas a nova mulher, ela mesma uma individualidade.


