Que fazer: escolher Macron, escolher Martine Le Pen ou escolher não escolher? Texto 3 – A mudança é agora? – por Jean-Luc Gréau

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

Texto 3. A mudança é agora?

Por Jean-Luc Gréau[1]

Em matéria económica, Mélenchon, Hamon e Fillon propõem, cada um à sua maneira, reeditar o que até agora falhou muitíssimo bem. Só Macron e Le Pen inovam. Um, Macron, santifica a Europa sob a supervisão alemã, enquanto o outro, inversamente, toma a Nação como feitiche, Marine Le Pen.

Há duas maneiras legítimas para tratar os programas dos candidatos presidenciais que poderiam passar à segunda volta – Fillon, Macron, Le Pen e Mélenchon, ou até mesmo Hamon se as sondagens estivessem profundamente enganadas. A primeira maneira seria avaliar a consistência das propostas face a um mundo transformado pela crise dos EUA, pela crise do euro e da Europa, pelo risco terrorista, pela onda migratória e as votações americanas e inglesas de 2016: os candidatos terão eles integrado no seu software programático todas as mudanças que não foram incluídas na agenda da globalização feliz? Isto seria colocar os programas no banco de ensaio da realidade internacional. A segunda maneira propõe-se confrontar as propostas essenciais relativamente à situação de uma França enfraquecida e desarmada pelos erros que marcaram as fases do “suicídio francês.” Isto seria colocar os programas no banco de ensaio da realidade nacional.

É esta segunda maneira de analisar a situação que constitui a opção aqui escolhida. Afinal, trata-se dos franceses e da França, é ainda a nossa história, a que nós conhecemos menos mal. Mas isto implica que sejam primeiramente tratadas as duas imposturas que têm dominado a história recente: a impostura de Mitterrand assim como a impostura de Chirac, tão bem analisadas por Eric Zemmour.

As duas imposturas

Eric Zemmour não faz outra coisa no seu livro sobre “o suicídio francês” senão tratar detalhadamente das imposturas de François Mitterrand e de Jacques Chirac. Deceções que têm ambas sido bem entendidas antes mesmo de se articularem uma com a outra.

A impostura Mitterrand, é o socialismo à francesa, essa mistura de marxismo e de redistribuição social inscrita nas 110 proposições de 1981, elas mesmas inspiradas pelo programa comunista: nacionalização das maiores empresas industriais, a nacionalização integral dos bancos, aumento massivo de benefícios sociais e do salário mínimo. No entanto, não é este o fracasso do programa, fracasso reconhecido de modo definitivo em 1983, que revela uma mistificação, mas sim o facto de que este marcou uma enorme bifurcação para a liberalização dos mercados financeiros, para a implementação do mercado único e depois para o lançamento da moeda única, todas estas operações orquestradas a partir de Bruxelas pelo mau génio da experiência, Jacques Delors, com a bênção de François Mitterrand. Poderíamos falar de traição.

Isto seria faltar ao essencial: o socialismo francês foi uma farsa cujo fracasso foi programado. Um jogo que constitui uma verdadeira escroqueria: os eleitores simplórios a quem saiu a carta “socialismo francês” foram presenteados com o mapa “Europa neoliberal” pelos dois golpistas, Mitterrand e Delors. E esta Europa continuou a sua corrida, impondo sempre novas restrições, aos Estados em nome dos saldos contabilísticos do orçamento e ao mundo do trabalho em nome da defesa da livre-troca e sem limitações até à data, como se demonstra pela recente votação de CETA, Tratado de livre comércio com o Canada[2].

A impostura Chirac. Quando Jacques Chirac rompeu com Giscard em 1976, era em nome de um gaullismo traído por Giscard. O seu novo partido conjugava o regresso aos valores do gaullismo e um “trabalhismo” à francesa – na época, aliás, em que os trabalhistas ingleses conheciam a situação de falência que haveria de levar à chegada ao poder de Margaret Thatcher. Será necessário enumerar os ziguezagues de Jacques Chirac, convertido ao thatcherismo em 1980, depois à social-democracia novamente em 1995, antes de se envolver num manto de impotência confessa durante o seu último mandato presidencial? Também aqui falta-nos ainda o essencial que é perceber porque é que Chirac foi o coveiro do gaullismo, com a cumplicidade ativa de Balladur e Juppé: quando Chirac organizou a coabitação (1986), a primeira grande brecha na constituição de 1958, quando aprovou a moeda única (1992), quando subscreveu os sucessivos alargamentos da Europa, quando ele aceitou o regresso da França ao seio da NATO Chirac, não deixou de continuar a enterrar a herança gaullista com a cumplicidade de Balladur e de Juppé.

Mas falemos sobretudo da sua conversão à Europa burocrática em pleno crescimento desde 1984, data de instalação de Jacques Delors à frente da Comissão. É então que este ligou a sua própria impostura à de Miterrand. As duas imposturas passaram então a ser uma só, a partir de 1995, coincidindo com a morte daquele que foi alcunhado de Deus, data em que se realiza a fusão das duas imposturas. Nem Jospin, Royal e Hollande, à esquerda, nem Juppé e Sarkozy, à direita, tentaram livrar-se desse pesado legado para reconstruir uma legitimidade pessoal. Não procuremos outros lugares, outras causas para a desorientação de muitos franceses que se aprontam para irem votar. Privados de referências essenciais eles procuram ainda o homem providencial que vai socorrê-los, como se se tratasse apenas duma questão individual.

Do que nós precisamos é de um diagnóstico rigoroso e sem fraquezas sobre o estado da França num mundo em grande parte hostil, e precisamos igualmente de novas ideias. Ora, uma análise sucinta dos programas demonstra, em vez disso, a tentação de voltar ao passado: de regressarmos à planificação com Mélenchon, de regressarmos ao tempo de trabalho partilhado em Hamon, de retorno ao thatcherismo com Fillon. No outro extremo do espectro ideológico e político, Macron e Le Pen incorporam os dois projetos mais antinómicos e mais ideológicos, uma França do terceiro mundo dependente da Alemanha, por um lado, o de Macron, uma França nacionalista, que escaparia ao jugo da Alemanha, por outro lado, por Marine Le Pen.

Jean-Luc Mélenchon : o regresso da planificação

A originalidade do programa de Jean-Luc Mélenchon reside na sua reabilitação verbal da planificação. Porque não, uma vez que se trata de um filósofo conhecedor de “O Capital” e de um político que continua a nutrir uma certa admiração pela experiência cubana?

Atenção, trata-se de um planeamento ambiental. Jean-Luc Mélenchon pretende salvar o planeta ameaçado pelo homem. E é assim que o planeamento está na ordem do dia. A preocupação ecológica, em seguida, tem prioridade sobre as preocupações de ordem económica o que nos reenvia a um mundo já passado. Devemos então considerar que o nosso trotskista se converteu à ecologia?

Nada. Nós dizemos nada. Planeamento ambiental é pura conversa fiada. Alain Lipietz, membro do Parlamento Europeu, ambientalista, respondeu à conversa fiada de Mélenchon recordando que o planeamento exigiria uma organização dedicada, objetivos e meios. Significa sobretudo meios, meios acima de tudo. A sua realização exige uma ação de conjunto sob a autoridade do primeiro-ministro, apoiado em células competentes de todos os ministérios abrangidos, Agricultura, Habitação, Equipamentos, Indústria e Transportes – ao mesmo tempo que incluiria as autoridades territoriais na sua malha. Mélenchon fala do assunto para evocar uma ação ecológica que que emanaria do terreno para dar origem ao aparecimento a projetos liderados por indivíduos ou grupos. O inverso de um verdadeiro planeamento real, que seria indicativo ou prescritivo ou ambas as coisas! Esqueçamos a conversa fiada de Mélenchon. Os seus colegas da esquerda é o que nos dizem. Mélenchon anseia por ganhar os estrados de onde fala e não em ganhar o poder.

Benoît Hamon: o retorno da divisão do trabalho

Os media de esquerda que defendem Macron, dão a entender estarem a levar a sério o candidato da “rutura” na pessoa de Benoît Hamon. Eles dão grande importância ao seu projeto de rendimento básico universal e à sua vontade de uma outra Europa.

Não insistiremos sobre estes dois engodos. O rendimento básico universal representa um custo de 400 mil milhões de euros, o que faria saltar o défice público anual de 3 para 23% do PIB e também iria fazer explodir o nosso défice comercial: a primeira emissão do Tesouro Público depois da sua introdução não encontraria ninguém que quisesse comprar os títulos! A outra Europa invocada por Hammon consistiria em organizar a subvenção do Sul da Europa a ser feita pelo Norte, com o candidato do Partido Socialista sugerindo implicitamente que a França seria o beneficiário da generosidade do norte da Europa: nós estaríamos então em posição de mendigo da Alemanha. Benoît Hamon engana-se de público auditor. Deveria estar do outro lado do Reno, deveria aí estar a fazer campanha para convencer os trabalhadores e os aforradores alemães já escaldados pelos sacrifícios até agora consentidos para salvar os necessitados da zona euro.

Terceira proposta, a de reduzir, de novo, as horas de trabalho deve ser considerada como representativa, independentemente da sua falta de realismo. É imensamente popular entre os funcionários e as pessoas do espetáculo fiéis aos partidos de esquerda. Esta representa, na verdade, o Novo Contrato Social [3], [4] que ainda mobiliza as esperanças. Será um puro acaso que Lionel Jospin, que privatizou e conduziu muitas reformas neoliberais com DSK, tenha ido até ao fim na medida das 35 horas, depois de muita hesitação? Ele respondia assim ao mais forte desejo do seu eleitorado. Benoît Hamon mantém-se pois fiel a uma grande especificidade da esquerda francesa que a distingue de todas as outras esquerdas na Europa e no mundo. O aparente realismo da divisão do trabalho é ainda âncora do discurso do candidato socialista no imaginário do seu eleitorado de referência. A questão é essencial para um candidato que procura vir a herdar a rua de Solferino[5]. Mas não há então outras emergências para a França que não seja a de querer garantir um sucessor para o lugar de Cambadélis [primeiro secretário do PS]? Esqueçamos Benoït Hamon, candidato ao secretariado do Partido Socialista.

François Fillon : o regresso do « thatcherismo 

Não se negará a François Fillon que ele representa a burguesia endinheirada que forma a base dos eleitores “republicanos”. Dirigentes empresariais, executivos, profissionais liberais e acima de tudo os proprietários de riqueza afetados pelo imposto sobre as fortunas, o ISF. Fillon representa o seu eleitorado até à caricatura e com o risco de sugerir que ele tem, tal como Giscard, um problema de comunicação com as pessoas.

O seu programa não é nada mais, nada menos do que um programa “Thatcher” em espírito, se não mesmo na letra: eliminação das 35 horas, aumento da idade de passagem à reforma e redução de 500 000 funcionários públicos. O seu eleitorado reconheceu a sua boa vontade ao votar esmagadoramente a seu favor nas eleições primárias.

Está por saber se as reformas “corajosas”[6]  a que ele dava prioridade são coerentes entre si e adequadas ao momento histórico que atravessamos. A eliminação das 35 horas seja, mas sem contrapartida para as pessoas ao trabalho que vão aumentar o seu esforço? Não teria sido mais correto e mais justo consentir uma consolidação do contrato de trabalho de duração indeterminada, não obstante as exigências de um patronato que quer a manteiga e o dinheiro da manteiga? Adiar a idade da passagem à reforma corre o risco de aumentar o número de desempregados e de ficar a perder sobre os subsídios de desemprego que aumentariam, ou seja, corre-se o risco de se perderem por esta via os ganhos havidos com o prolongamento da idade de passagem à reforma [7]? Suprimir 500 000 funcionários mas onde sapristi, sabendo que a massa dos funcionários supranumerários se situa nas coletividades territoriais e que o Estado central já sofreu cortes claros no exército, na polícia, na diplomacia?

Proposta agravante, Fillon, admite confiar aos seguros a cobertura das despesas de saúde. A proposta não se aguenta de pé. Não se pode reclamar aos smicards ou meio smicards [SMIC, salário mínimo] que estes se assegurem por sua própria conta. Portanto, ou seria necessário aumentar as remunerações para ajudar as cotizações individuais ou então pedir às classes médias que paguem, para além do seu próprio seguro de saúde, o imposto que permitirá cobrir os seguros dos pobres[8]. François Filllon, que se rendeu aos cantos das sirenes dos seguros, põe em perigo, por um projeto de reforma imprudente, o seu próprio eleitorado. De momento, este só vê fogo.

Emmanuel Macron : a colaboração rehabilitada

A revista Causeur apresentou Macron como o homem que deve permitir prolongar a experiência de François Hollande cinco anos mais. O que confirma a enorme pressão dos media a seu favor que apoiaram o presidente normal até à sua renúncia. É desesperante.

Que o acusem sobretudo do seu enfeudamento à finança. François Bayrou, hoje apoiante de Macron, disse-o: “Emmanuel Macron é o candidato das forças do dinheiro”. Os seus primeiros apoios são os bancos ingleses e americanos instalados na City. Macron não se esconde disso, não se dará ao ridículo de dizer “a finança, é o meu inimigo”. Mas não corre o risco, aqui também, de deixar escapar o essencial? Porque Hamon e Fillon protegem-se de atirar lanças contra os bancos. Hamon subscreveu a reforma bancária inspirada por estes mesmos bancos e Fillon assinou um programa de reformas que poderia ter sido redigido pela Associação francesa dos bancos.

Emmanuel Macron é o candidato de Berlim. Que pena que os eleitores não leiam o Financial Times, Wall Street Journal ou The Economist que fazem constantemente o seu elogio. Não somente devido ao seu neoliberalismo sempre reafirmado. Mas também porque é pró Europa e pró Alemanha. A sua eleição seria um alívio para Angela Merkel e o Bündesrepublik, depois do Brexit, da eleição de Trump, do aparecimento dos movimentos populistas um pouco por toda a parte na Europa. Os líderes de Berlim que tomaram o poder a favor da crise do euro compreenderam que a Europa está ameaçada de rutura. Não querem reencontrar-se no meio das ruínas do sistema. Macron, providência dos meios de comunicação social de esquerda, dos meios de comunicação social neoliberais, é também a sua providência.

É outro Emmanuel, Emmanuel Todd, que nos deu o pano de fundo desta situação quando rebatizou François Hollande de Vice-Chanceler da Alemanha, encarregado duma das suas províncias, a França. Não há nenhuma necessidade que o nosso território seja ocupado pelo exército alemão para que os nossos dirigentes políticos e os nossos meios de comunicação social se ponham ao serviço da potência alemã[9]. A traição dos intelectuais está de regresso, bem ajudada pela política xenófila da chanceler. Angela Merkel encarna os valores de abertura do sistema neoliberal. Neste novo contexto, a colaboração antes tão mal vista é agora reabilitada à meia voz.

Este é o ponto-chave para entender o que pode separar em segundo plano um Fillon de um Macron. Fillon não dá as mesmas garantias de subordinação à Alemanha. O seu projeto para levantar as sanções económicas contra a Rússia incomodou toda a gente ao revelar que ele não estaria necessariamente às ordens da Chancelaria em Berlim.

Marine Le Pen: a nação como fetiche

Os meios de comunicação social acabaram por substituir os vocábulos políticos ou ideológicos por vocábulos geográficos. Fillon é o candidato do centro direita, Macron o candidato do centro esquerda. E Marine Le Pen a candidata da extrema-direita – far right em inglês. Seria mais esclarecedor dizer que é a candidata nacionalista. Mas seria então colocada na esfera sulfurosa do fascismo mais ou menos confesso como o dos dirigentes da China, comunistas nacionalistas, do Primeiro Ministro indiano que governa à cabeça do Partido nacionalista, do presidente russo, do novo presidente americano e, com um pouco de audácia, da chanceler de Berlim que defende com unhas e dentes os interesses da Alemanha em todas as circunstâncias. A sua incriminação tornar-se-ia problemática.

Quanto ao seu programa, dever-se-ia ficar satisfeito por esta ter identificado na fraude social e nos desperdícios da má gestão territorial as principais fontes de despesas parasíticas[10], de ter encarado o abandono das 35 horas através da negociação, e acima de tudo, por ela ter compreendido os problemas da saída do euro. Primeiro desafio: o restabelecimento da competitividade no que diz respeito à Alemanha que, se assim não for feito, exigiria reduções massivas das elevadas cargas salariais que existem apenas no imaginário patronal. Segundo desafio: a capacidade de criar da moeda para financiar os investimentos prioritários de natureza económica, militar ou ecológica de forte retorno sobre a despesa (no limite de 20 mil milhões de euros). E se tivéssemos de criticar a sua apresentação, seria para dizer que Marine Le Pen não tem nenhuma possibilidade de obter um desmantelamento concertado da prisão monetária, como ela na verdade pretende: o carrasco alemão não lhe dará o cupão de saída. Necessitará, se for sincera, de dar um grande passo em frente e enfrentar o sistema.

Continua a haver um ponto crucial do projeto que agride a inteligência. Ela quer introduzir uma prioridade de preferência dos nacionais para o emprego, o que é simultaneamente arbitrário e absurdo. Sobre isto, não são apenas os empregadores franceses que usam e abusam da utilização de migrantes sem documentos que são também, e sobretudo, aqueles que não têm profissão. O Estado oferece um prémio para o emprego de pessoas não qualificadas pela redução dos encargos sobre os baixos salários que custa mais de 20 mil milhões de euros por ano. Mas não está claro como dificultar a contratação de pessoal qualificado e talentoso em diferentes sectores. O grande vendedor de Airbus é americano, Airbus Helicopters, e emprega engenheiros de quarenta e sete nacionalidades, Linda Jackson, dirigente de Citroen é inglesa. E os nossos patrões na restauração italianos empregam tantos compatriotas transalpinos. Como é que se pode entender uma tal asneira?

Marine Le Pen tem como fétiche a nação. Segue assim um processo intelectual simétrico e oposto ao de todos aqueles que tomam a Europa e a mundialização como fetiche. Mas assumir o contrapé da propaganda enganosa do sistema não dá necessariamente as chaves do futuro. Sem estar a falar da acusação de xenofobia que vai reflorescer nos meios de comunicação social e nos propósitos dos seus adversários políticos. Há tantas outras formas convincentes de encarnar a mudança. Esperemos que esta venha pois a retratar-se quanto a esta questão e a consagrar os seus esforços para explicar o imperativo categórico da saída do euro e as medidas de acompanhamento da saída.

A França em contra-corrente?

Não nos peçam um prognóstico para a votação. Mas uma coisa é certa: estamos muito atormentados por uma hipótese. Em 1981, a França tinha escolhido um programa meio marxista temporariamente encarnado por Mitterrand, contra a Inglaterra e os Estados Unidos onde tinham chegado ao poder Margaret Thatcher e Ronald Reagan, respetivamente. Podemos temer que a França se disponha a socorrer o neoliberalismo, tão abalado que ele está com a chegada ao poder de Theresa May e de Donald Trump. Vemo-nos depois do oráculo de 7 de Maio.

[1] Agradecemos ao autor a disponibilização do presente texto que foi publicado em versão ligeiramente diferente na revista Causeur.

[2] A votação recente de CETA, tratado de livre-troca com o Canadá, é sobre esta matéria a última manifestação.

[3] Nota do Tradutor. Novo Contrato Social é nossa tradução para Nouvelle Donne.

[4]  Nouvelle Donne é o nome do grupúsculo político presidido por Larrouturou.

[5] Nota de Tradutor. É a rua onde fica a sede do PS.

[6] Na literatura neoliberal, as reformas são corajosas pois se assim não forem não são então reformas.

[7] Com exceção de Xavier Bertrand, todos os aumentos da duração de carreira contributiva foram propostos por funcionários: Simone Veil, François Fillon, Marisol Touraine.

[8] E como se fará para controlar as tarifas médicas e farmacêuticas no novo regime?

[9] A ouvir ou ler alguns destes media ser-se-á levado a dizer :  « Radio Paris mente, Radio Paris é alemã ».

[10] Generalização da carta Vitale biométrica, supressão de Ajuda Médica do Estado e supressão das regiões reconhecidas como inúteis.

 

2 comments

  1. Danielle Dinis Foucaut

    Pois, acham (Jean-Luc Gréau e Júlio Marques Mota também pelos vistos) que os Franceses são uns patetas. Eu vou votar no domingo em Lisboa, e vou votar Macron sabendo que é o candidato da Alemanha do Schauble que eu detesto profundamente, não tenho ilusões sobre os seus intuitos, sei que vai pregar ele também a austeridade e fazer pagar as favas do ultra liberalismo aos sempre “vencidos da vida”. Mas não posso deixar passar Marine Lepen como se ela fosse qualquer política com ideias novas, e cheia de amor pelo povo como tenta nos fazer acreditar….sei de onde vem e qual é o seu fundo de comercio.
    Em 1933, Hitler chegou ao poder por eleições livres porque os comunistas da altura não quiseram se juntar aos sociais-democratas da altura… balance : mais de 10 milhões de mortes no fim de 1945 e uma Europa devastada, campos de extermínio de gentes “não conformes” ao padrão. O refrão actual desta canção ainda dá ares deste género :” la France aux Français ” . Então não tenho alternative, tenho de votar por este boneco do capitalismo alemão (sempre esta nação!) Macron. Com a morte na alma , porque a minha primeira escolha não era essa, eu votei Mélenchon que quer planificar sim, mas para pôr o social e a protecção da natureza tão urgente no topo das suas preocupações, e planos de trabalho. Falhou por pouco. Restam as legislativas para travar a luta no parlamento. Vive l’Europe !

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