De uma crise a outra, dos anos de Mitterrand aos anos de Hollande, da tragédia de outrora à farsa de agora: Uma outra série de textos. 3ª Parte: Os tempos da ascensão de Hollande, tempos do desprezo. Texto 3.1 – Porque é que o Partido Socialista já não fala às classes populares? Por Rémi Lefebvre e Frédéric Sawicki (1ª Parte)

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

3ª Parte: Os tempos da ascensão de Hollande, tempos do desprezo

3.1. Porque é que o Partido Socialista já não fala às classes populares?

Por Rémi Lefebvre e Frédéric Sawicki [*]

Publicado por CAIRN.INFO, em 2007/02

Síntese do artigo

Sabe-se, e de uma forma clara, desde 2002, que os partidos de esquerda já não têm o monopólio do voto operário. Depois da extrema-direita, a direita reivindica também agora o referente e uma parte do voto operário. Esta “captura” importante e durante muito tempo considerada improvável reflete a diluição das referências ideológica e sociológica da direita, mas sobretudo reflete a perda dos laços que uniam a esquerda às classes trabalhadoras. Rémi Lefebvre e Frédéric Sawicki analisam aqui os fatores estruturais do divórcio entre o Partido Socialista e as classes populares. Isto tem a ver com o discurso socialista que negligencia a figura do operário e que entende estar perante uma sociedade composta não por classes mas uma agregação de indivíduos sem consciência coletiva. Este discurso está também ligado à composição social elitista da “sociedade dos socialistas” e ao seu funcionamento “auto-centrado”, que deslegitimou as práticas ativistas tradicionais e populares portadoras de uma dimensão coletiva e identitária fundamental.

Negligenciados ao ponto de se considerar que se “tornaram invisíveis” em 2002, as categorias populares constituíram um desafio político, programático e eleitoral em 2007. Elas “são faladas” e invocadas na ausência de serem realmente entendidas exceto, pontualmente, nos “painéis representativos” de emissões emitidas por televisão ou, mais marginalmente ainda, nos debates participativos [1]. É necessário recordá-lo, estas categorias representam mais da metade do corpo eleitoral e, ainda que sendo menos mobilizadas que as categorias médias e superiores da população, nenhum candidato pode pretender ser eleito sem obter, nem que seja uma parte apenas, o seu apoio. O discurso de Nicolas Sarkozy assumiu assim algumas tónicas destas classes de uma forma cada vez mais descomplexada. O candidato de UMP pontua cada um das suas saídas de campo com visitas a fábricas (Saint-Quentin, Creusot…); afirma “gostar dos trabalhadores” e de querer reabilitar o seu estatuto. Nos seus discursos distingue bem o trabalhador que “se levanta de manhã cedo ” do assistido e tenta convencer os trabalhadores que a diminuição das cargas para a Segurança Social resultará num aumento dos mais baixos salários. Esta estratégia é corroborada pelas sondagens que objetivam a procura de “segurança” e de “ordem” por parte dos trabalhadores [2] e mostram uma penetração da direita no eleitorado operário. Enquanto que Ségolène Royal recolhia, de acordo com BVA, 62% dos sufrágios operários na segunda volta em dezembro de 2006, ela limita-se a estar, um mês mais tarde, mais ou menos a par com Nicolas Sarkozy que capta 51% das suas intenções de voto. Os eleitores populares eram sensíveis “à energia”, “ao voluntarismo” e ao discurso de restauração moral do candidato de UMP. Não podemos, por isso, deixar de nos interrogarmos sobre o que tornou possível esta improvável captação pela direita (e não somente pela extrema-direita) do referente e talvez do voto operários: um caldo ao nível das referências ideológicas, a erosão das referências sociológicas e a “proletarização da direita” [3] e do seu eleitorado.

Mas esta penetração da direita conduz-nos também às transformações da esquerda e do PS em especial. Se a esquerda deixou de ter o monopólio “do coração” operário, se deixou disponível o terreno das fábricas, é porque perdeu progressivamente muitas das relações que a unia às categorias sociais que é suposta representar. É pois, na verdade, a deserção da esquerda que torna possível a ofensiva da direita em terreno operário. O divórcio entre o PS e as categorias populares foi construído, sabemo-lo, como um dos ensinamentos mais evidentes da derrota de Lionel Jospin em 2002. Esta questão foi objeto de debates incessantes e de grandes controvérsias no PS desde 2002, nomeadamente após a vitória do NÃO no referendo sobre o tratado europeu. A reconquista das categorias populares impôs-se como um dos eixos centrais da campanha de Ségolène Royal que Libération qualifica em dezembro de 2006 de “a pequena mãe do povo”. O seu estilo simples e didático, o seu vocabulário acessível (falar de “vida cara” mais do que falar de “poder de compra”), o seu discurso centrado na experiência diária e a restauração de valores tradicionais (a família, a ordem, seja ela “justa”, a autoridade, o trabalho…), a crítica das 35 horas… procede da vontade de reatar com grupos de que o PS perdeu a confiança. Mas não é seguro que o eleitorado popular se tenha tornado com isso o coração do discurso da candidata socialista, como o testemunham as hesitações sobre o programa em matéria fiscal que o discurso de Villepinte não dissipou. A equação eleitoral do PS complexificou-se: não consegue representar as novas classes populares, mas também não está mais ligado às classes médias assalariadas, onde os seus apoios mais fiéis estão a diminuir (os professores, por exemplo); recebe em contrapartida o apoio eleitoral crescente dos quadros e dos membros das profissões intelectuais superiores. O divórcio entre o PS e as categorias populares reenvia-nos pois a lógicas estruturais. É nestas lógicas próprias do funcionamento “da sociedade” que constituem o quadro de referência dos socialistas, que é sem dúvida necessário encontrar os fundamentos deste afastamento duradouro e profundo [4]. O partido socialista não representa as categorias mais populares de acordo com os três sentidos do termo: ele já não dá mais forma a este grupo, já não é mais a sua imagem, da mesma maneira que já não é mais o portador e o defensor dos seus interesses.

A sociedade segundo os socialistas

O discurso político concorre, todos o sabemos, em dar forma e lisibilidade ao social. Este discurso cria identificações e representações sociais. Através dos seus discursos, mas também das suas práticas e do pessoal que as promove, os partidos políticos contribuem para dar consistência às identidades sociais e para valorizar os indivíduos suscetíveis de a estas se ligarem. A oferta identitária que propõe o discurso socialista aparece hoje em dia particularmente difusa. A leitura socialista da sociedade foi durante muito tempo “classista” e marcada pela figura operária. Ela aparece hoje muito mais incerta, privada de linhas de força. Ela também já não atribui mais a nenhum grupo social o estatuto de sujeito histórico.

Os socialistas têm dificuldade em falar do mundo social. Lamentam as desigualdades sem verdadeiramente identificarem precisamente os que sofrem (a não ser quando se referem à categoria genérica “dos excluídos”) e denunciam os privilégios sem designarem quem é que usufrui deles, como o mostraram as reações hostis de Ségolène Royal e do seu pessoal de campanha eleitoral, na sequência da tomada de posição de François Hollande em prol de um aumento dos impostos para os assalariados que ganham mais de 4.000 euros líquidos por mês. Na sua maneira de pensar a sociedade, os socialistas dão à figura do indivíduo um papel cada vez mais central. De um certo ponto de vista, o indivíduo substituiu-se ao trabalhador como motor da história no discurso socialista. Os socialistas tendem a pensar cada vez menos a ordem social como um todo e cada vez mais a sociedade como uma agregação de indivíduos.

A declaração de princípios de 1990 define o PS nos seguintes termos: “Partido de união de vontades, põe o reformismo ao serviço das esperanças revolucionárias. Inscreve-se assim na abordagem histórica do socialismo democrático”. Certamente, o Partido socialista entende continuar a ser “um partido ancorado no mundo do trabalho”. A conflitualidade social não desapareceu, mas toma contornos cada vez mais indefinidos: “As mutações incessantes e profundas das sociedades contemporâneas não eliminaram as oposições das classes e dos grupos sociais. É por isso que os socialistas participam ao combate pelo progresso de toda a sociedade e estão particularmente atentos aos interesses dos assalariados e ao desenvolvimento de todas as suas capacidades de ação”. Mas o termo “operário” desaparece. “Particularmente atento aos interesses dos assalariados”, o partido entende sobretudo servir o conjunto da sociedade francesa na sua “diversidade”. Pensar a diversidade da sociedade, fundamentalmente heterogénea e pensar dentro desta a coordenação e a agregação dos interesses das diferentes categorias de trabalhadores, tal é o principal tropismo sociológico do PS dos anos 1990.

O apaziguamento do discurso socialista é assumido nos anos 1990. A referência ao mundo operário desaparece gradualmente do discurso e da oferta política dos socialistas. Aquando da Universidade de verão de La Rochelle em setembro de 1999, Lionel Jospin propõe, é certo, “uma nova aliança” entre os excluídos, as classes populares e as classes médias, o que não deixa de fazer recordar a figura da Frente de classes dos anos 1970, mas este discurso foi chama que já se apagou. Os textos do PS produzidos para enfrentar os desafios eleitorais até 2002, descrevem um mundo pacífico e virtual “povoado de não-assalariados e de certos assalariados médios e superiores” onde os operários desapareceram [5]. O discurso socialista já não oferece mais uma base de politização das identidades e das experiências sociais das categorias mais modestas. Este discurso falha em administrar um sentido político que se articule sobre a vivência social. Revela a obsolescência do referente operário ao mesmo tempo que o consagra. Este coloca de lado uma boa parte da sociedade francesa e contribui para tornar invisíveis as categorias populares. O termo de trabalhador desaparece quase do discurso socialista. Uma análise lexicográfica das cinco moções apresentadas aos militantes aquando do congresso de Dijon de 2003 mostra que o vocábulo operário é utilizado apenas 15 vezes sobre um total de 102.797 palavras. A palavra “trabalhadores” é utilizada 30 vezes nas moções. Em contrapartida, o termo “assalariados” é utilizado 143 vezes [6].

Se negligenciarmos a figura operária, o discurso socialista não aparece com isso isento de referentes sociológicos. Apoia-se com efeito sobre a visão de uma sociedade de indivíduos que aspiram à autonomia pessoal e atribui uma grande importância às temáticas ditas “pós materialistas” na continuidade das medidas tomadas por Lionel Jospin como o PACS ou como a paridade. As sociologias do individualismo encontram no PS um eco evidente, ainda que sejam objeto de usos frequentemente esquemáticos e empobrecidos.

As sociologias do individualismo encontram no PS um eco evidente, mesmo se elas fazem disso elas fazem uma utilização esquemática e muito empobrecida. A Revista socialista abre as suas colunas a François de Singly que propõe aos socialistas “uma teoria política do individualismo” fundada sobre os seus trabalhos sobre a família [7]. Em outubro de 2004, aquando do colóquio organizado pelo PS sobre o futuro da França e para contribuir para a preparação do seu projeto 2007-2012, realizou-se uma mesa redonda que reuniu Nathalie Heinich, Marcel Gauchet e outra vez François de Singly, para debaterem “o individualismo contemporâneo” [8]. A utilização que os socialistas fazem destas referências e análises conduziu-os a terem uma visão fatalista quanto à inapetência dos indivíduos e mais particularmente das categorias dominadas para a consciência e a ação coletivas. Tudo se passa como se “o individualismo”, frequentemente pouco definido [9], constituísse um horizonte inultrapassável e um fator exógeno sobre o qual os socialistas já não teriam controlo. Os socialistas já não devem “temer a individualização da sociedade”, coloca em título L’Hebdo des socialistes porque “os Franceses nunca foram tão livres nas suas escolhas [10]”. “Cada categoria e, no limite, cada indivíduo, tem doravante os seus problemas, as suas expectativas, as suas reivindicações singulares e específicas” sublinha um responsável. “Cada um sente-se diferente, singular, potencialmente portador de uma identidade múltipla e complexa [11]”. Os indivíduos seriam “os empresários da sua própria vida”: esta expressão de Alain Ehrenberg é recorrente em numerosos escritos socialistas. Estas orientações e a cegueira sociológica que elas revelam ignoram as desigualdades sociais face ao processo de individualização e a aspiração de numerosas categorias populares por mais proteção, enquanto que a estabilidade dos estatutos profissionais e as estruturas de enquadramento tradicionais se enfraquecem cada vez mais. É difícil não fazer a ligação entre esta perceção individualista da sociedade e o individualismo levado ao limite que caracteriza os grupos sociais dos quais são maioritariamente procedentes as elites e os militantes socialistas.

Este caminho para a não visibilidade das categorias populares não nos leva somente ao discurso do PS mas, e sobretudo, à perda de poder mobilizador da identidade operária e ao abandono das categorias populares e nomeadamente das categorias operárias na sociedade francesa. Todavia, o discurso socialista contribui, ao seu nível, para o processo de desobjectivação do grupo operário e não é apoiado por nenhuma tentativa de unificação das categorias populares e de dar sentido às suas experiências sociais. Os socialistas não produzem um discurso que dê sentido ao agravamento das desigualdades que, paradoxalmente, são acompanhadas de um enfraquecimento do sentimento de pertença a uma classe social. A questão da oferta de identidades sociais e coletivas, de que o discurso socialista poderia ser o suporte, não é verdadeiramente pensada. Existem certamente aspirações ao reconhecimento individual mas também das expressões coletivas, das pertenças sociais que o discurso socialista tende a eliminar. Assim é, pois, ocultado aquilo que gera a clivagem na sociedade e, por conseguinte, como é que se constituem os grupos e as classes. Os socialistas contribuem para o declínio da própria ideia de sociedade que se tende a impor em sociologia. A sociedade é vista pelos socialistas como sendo um conjunto bastante cobarde de indivíduos entregues a si-mesmos e que não têm ao seu alcance senão a pesada carga da sua liberdade [12].

A derrota de 2002 abriu uma sequência de reflexão e repôs em questão e em debate os referentes sociológicos do PS. É assim que se pode ler na revista Socialista de setembro de 2002, intitulada sobriamente “Compreender”, uma série de contribuições que traçam um balanço muito crítico das medidas emblemáticas da legislatura, na primeira linha das quais estão as 35 horas e o prémio para o emprego, [ou seja um crédito de imposto para os salários mais baixos]. A partir do prefácio, François Hollande diz-nos: “A relação com as “classes trabalhadoras” é uma questão essencial para a esquerda. Ora durante a precedente legislatura, regulámos melhor a questão do emprego que a do trabalho. […] Não soubemos calcular a medida da degradação das condições de trabalho de numerosos assalariados. A individualização das profissões, a flexibilidade e a intensificação do trabalho, a precariedade dos contratos, a moderação salarial fragilizaram uma parte da população ativa. Não tomámos devidamente em conta a reivindicação da recompensa, do esforço e da exigência de uma verdadeira promoção social”. A questão das categorias populares é, assim, reinscrita na agenda socialista. O “povo”, que é um dos objetos das lutas simbólicas que se cristalizam após a derrota, reaparece então no discurso. Estes debates [13] mostram até que ponto os grupos populares permanecem um desafio importante no PS e constituem “objetos” de posicionamento, em especial, na oposição. Demonstram também que os grupos populares se tornaram grupos “objetos” de que se fala (no PS ou noutros lugares) mas que “falam” cada vez menos. Estes grupos são suscetíveis de todas as utilizações, nomeadamente, das mais instrumentais, [14] tanto mais quanto é negada a este grupo qualquer forma de competência. O “povo” ou “as categorias dominadas” tendem a não ser apreendidas pelos líderes socialistas senão sob o registo da sua incompetência e da sua imaturidade ou mesmo da sua alienação. As elites socialistas partilham assim representações das categorias populares relativamente homogéneas: o povo é julgado “rebelde” face às mudanças, à “modernização”, à adaptação à mundialização, inapto à compreensão da “complexidade” do mundo. Convém, por conseguinte, adotar “uma pedagogia” da reforma orientada para estes grupos …

Porque a sua socialização política apresenta numerosas semelhanças, estas elites partilham um mesmo racionalismo político que convém interrogar, tanto quanto ele dá corpo às suas estratégias, às suas categorias de perceção do jogo político e da imagem que eles fazem dos eleitores. Este racionalismo leva, por exemplo, a pensar que os eleitores votam necessariamente com base num balanço, “com conhecimento de causa” ou que não podem senão punir a desonestidade dos candidatos que solicitam o seu voto. “Para a esquerda governamental, diz-nos Annie Collovald, tal como para os seus adversários, as eleições contam-se entre os principais desafios políticos e as principais sanções do trabalho político realizado, mas ela concebe-as como um concurso escolar onde só os considerados mais dotados e de mais mérito é suposto ganharem [15].

As interpretações produzidas pela maior parte dos líderes socialistas após a vitória do NÂO aquando do referendo sobre o TCE são edificantes deste ponto de vista. Os defensores do SIM viram nisso sobretudo o resultado, junto das categorias populares, da agregação de medos (“medo do futuro, medo do outro, medo do mundo”). O voto no NÃO identificar-se-ia sobretudo com o desconhecimento, a ignorância e visões fantasmagóricas, com o povo a reagir mais em relação ao contexto (a rejeição da política de direita) do que em relação ao texto que estava a ser referendado. No fundo, é o povo que seria necessário mudar e não o discurso que este último rejeita. Para retomar os termos de Annie Collovald, o povo é doravante menos para o PS “uma causa a defender” e mais um “problema a resolver” [16] .

(continua)

Notas

[*] Professores de Ciência Política, CERAPS, Lille 2.

[1] A observação dos debates participativos no departamento do Norte ajudou a mostrar a baixa participação dos cidadãos de origem popular (tanto em termos de presença como de tomada de palavra), mesmo se a lógica do testemunho tenha sido privilegiada.

[2]. Libération pôs em prática para a eleição presidencial um “barómetro popular”. Por sua parte o CEVIPOF com o apoio do Ministério do Interior verifica desde a primavera de 2006, a evolução das atitudes políticas dos franceses. Estes inquéritos indicam uma adesão dos operários e empregados a algumas ideias liberais. Assim, 61% dos trabalhadores e 68% dos empregados estão completamente de acordo ou quase com a ideia de que “devemos dar mais liberdade às empresas”; 64% dos primeiros e 66% destes últimos também sugeriram que “os desempregados poderiam encontrar trabalho se o quisessem”. Ver Bruno Cautrès, «Les couches populaires et l’élection présidentielle», Baromètre politique des Français, 3e vague, hiver 2006/2007 — http://www.cevipof.msh-paris.fr

[3] Veja-se a análise recente e relevante de Eric Dupin, À droite toute, Paris, Fayard, 2007. A conquista das categorias populares e das classes médias tornou-se imperiosa, enquanto que os eleitores tradicionais da direita (agricultores, comerciantes e artesãos, pequenos patrões) estão em declínio demográfico. Nicolas Sarkozy apoia-se, de acordo com o autor, sobre o aumento do individualismo no seio das camadas populares. A sua valorização do mérito individual, se oculta as desigualdades, parece encontrar um eco à medida das suas angústias de desclassificação social.

[4] Retomam-se assim certas das conclusões da nossa recente obra La société des socialistes publicada em 2006 nas éditions du Croquant.

[5] P. Bacot, «L’atelier de Jospin avait-il oublié les ateliers?», Le Monde, 14/05/02.

[6] Estudo realizado pelo clube socialista En Temps réel, março 2003.

[7] La Revue socialiste, 11-12, 2003.

[8] No seu relatório introdutório a esta mesa-redonda, Laurent Baumel, responsável nacional do PS encarregado dos estudos, cita numa nota sobre o individualismo La culture des individus de Bernard Lahire (La découverte, 2005) para apoiar a proposta segundo a qual “cada um tem doravante, na nossa sociedade, uma latitude incontestável para manifestar a singularidade das suas escolhas”. No mesmo texto, o responsável socialista faz um uso pelo menos eclético dos trabalhos sociológicos citando, paredes meias, para além dos convidados Gilles Lipovetsky, Jean-Claude Kaufmann, Olivier Schwartz, Luc Boltanski, Alain Ehrenberg… L. Baumel, « Individu et société », Actes du colloque sur « L’avenir de la France », La Revue socialiste, 18, 2004, p. 140.

[9] A sua fortuna social como categoria do pensamento, no PS como alhures, tem a ver, obviamente, com a sua indeterminação e com a plasticidade do seu conteúdo.

[10] Outubro 2004.

[11] L. Baumel, « À la recherche du peuple perdu », La Revue socialiste, 11-12, 2003, p. 109.

[12] Não estamos longe da sociedade líquida descrita por Zygmunt Bauman em La vie liquide, Rodez, Éditions du Rouergue, 2006.

[13] Veja-se o nosso livro para mais detalhes.

[14] O termo “popular” tornou-se um recurso de oposição ao PS. Basta invocá-lo para se parecer contestatário. O Nouveau Parti Socialiste invoca muito as categorias populares, mas não as procura promover nas suas fileiras que delas têm muito pouco. Observa-se o mesmo fenómeno com Jean-Marie Le Pen: basta que o líder da FN fale em “classe trabalhadora” para que lhe seja atribuída uma sensibilidade social.

[15] A. Collovald, « Le fabuleux destin de Jacques Chirac ou les mésaventures de la démagogie politique », Mouvements, n° 23, 2002, p. 128.

[16] A. Collovald, « Le national-populisme ou le fascisme disparu», in M. Dobry (dir.), Le mythe de l’allergie française au fascisme, Paris, Albin Michel, 2003.

Rémi Lefebvre, Frédéric Sawicki, Pourquoi le PS ne parle-t-il plus aux catégories populaires ? Revue Mouvements 2007/2 (n° 50). Texto disponivel em :

http://www.cairn.info/revue-mouvements-2007-2-page-24.htm

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