SINAIS DE FOGO – MISTER TRUMP CONVIDE O SR. AVELINO – por Soares Novais

Senhor Trump, venho aqui dizer-lhe uma coisa: a cena onde aparece a derrubar um homem cujo rosto foi substituído pelo logotipo da CNN não é original. Explico: há mais de 30 anos, um outro artista entrou num campo de futebol e pontapeou tudo o que era placa publicitária. Foi aqui, em Portugal, país da Ibéria europeia do qual, apesar da sua reconhecida ignorância, já deve ter ouvido falar. O artista que protagonizou a cena foi o sr. Avelino e se me permite dou-lhe um conselho: convide-o para uma almoçarada na Casa Branca, pois ele, o sr. Avelino, é o homem certo para o ensinar a lidar com jornalistas, juízes e opositores.

Creio, sinceramente, que o mister só ficará a ganhar com a almoçarada/conversa com o sr. Avelino. Tanto quanto sei, o sr. Avelino não é homem muito ligado às tecnologias de ponta, desconheço, mesmo, se tem ou não conta no twitter, mas que é craque a lidar com quem lhe faz frente disso não há dúvidas. Não sou eu que o digo, são as cenas que protagonizou ao longo de vários anos que o confirmam.

Como presumo que o mister só convida para a Casa Branca quem conhece, minimamente, passo a fazer-lhe um retrato à “la minuta” do sr. Avelino. O sr. Avelino nasceu pobre mas fez-se à vida e acabou por ser presidente de uma câmara durante vários anos. Não a da sua terra natal, cargo para o qual anunciou candidatura há alguns meses, mas do município vizinho de Marco de Canaveses – aquele onde nasceu a grande Carmem Miranda, que se tornou conhecida, na sua querida América, como “The Brazilian Bombshell”.

Confuso, mister Trump? Calma que eu esclareço-o: a Carmem Miranda nasceu numa família pobre, tal como o sr. Avelino, e emigrou para o Brasil onde se tornou a “baiana” mais famosa de sempre. Depois partiu à conquista da Broadway, de Hollywood e do cinema americano.  Tanto que o presidente Franklin Roosevelt convidou-a para se apresentar com o seu “Bando da Lua” na Casa Branca.

Carmem, que morreu em Beverly Hills, a 5 de Agosto de 1955, com apenas 46 anos, não mais voltou ao seu Marco natal. E isso diferencia-a do sr. Avelino que adoptou o Marco como “seu”, ali dedicou-se a negócios de várias matrizes  e dele foi presidente durante anos a fio. Isto é, o sr. Avelino é como o mister Trump: ignorante, avesso a juizes e a jornalistas, impiedoso com quem não lhe dá o “amém” e exímio a fintar as leis. É certo que o sr. Avelino nunca teve um programa de televisão como o mister Trump, mas esteve na “Quinta das Celebridades” – um dos lixos televisivos cá da terrinha. Ambos são homens do espectáculo, pois.

Ou seja: o mister Trump e o sr. Avelino possuem o mesmo ADN, de resto o mesmo ADN dos “macrons” internacionais e dos “coelhos” nacionais. Por isso, estou plenamente convencido que o mister Trump só tem a ganhar em convidar o sr. Avelino para uma almoçarada na Casa Branca. Eu sei que ele, o sr. Avelino, não é  a “The Brazilian Bombshell”, mas tem um longo e experiente cadastro que bem lhe pode ser útil.

Além do mais, o mister Trump, apesar de ser nova-iorquino, também é um saloio com o sr. Avelino. E tão mau quanto ele. Tanto que ao pé de si o Ronald Reagan é uma estrela de Hollywood e da cena política…

 

A tempo: Alegrem-se, amigos leitores. Até ao dia 30 de Julho estes “sinais” vão dar lugar à releitura dos “Sinais de Fogo” de Jorge de Sena, escritor e português de lei, que foi honrado combatente pela Liberdade e mestre respeitado nos Estados Unidos.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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