CARTA DE VENEZA – NOVAS PERSPETIVAS PARA O CINEMA – por Vanessa Castagna

 

Nesta altura do ano é difícil não interessar-se pelo Festival Internacional de Arte Cinematográfica  de Veneza, a decorrer entre 30 de agosto e 9 de setembro. Vários elementos que caracterizam esta 74ª edição parecem confirmar uma abertura de horizontes e visão de futuro por parte do atual diretor, Alberto Barbera. Nenhum filme português foi selecionado para nenhuma das secções desta edição do Festival, sendo que a língua portuguesa só estará representada pela curta-metragem brasileira Meninas Formicida de João Paulo Miranda Maria.

O Festival não pretende esquecer o passado do cinema, tanto que, pelo contrário, a pré-abertura, na noite de dia 29, prevê a projeção da versão restaurada da obra-prima do cinema mudo Rosita, de Ernst Lubitsch, que data de 1923. Não faltam estrelas e grandes nomes do cinema contemporâneo, como George Clooney, Matt Damon, Julianne Moore, Sienna Miller, Ethan Hawke e Alec Baldwin. Artistas consagrados como Jane Fonda e Robert Redford receberão o Leão de Ouro pela sua carreira.

No entanto, o que mais se destaca na programação deste Festival são as novidades, nomeadamente a secção dedicada aos filmes em 3D graças à secção Venice Virtual Reality que decorrerá no Lazzaretto Vecchio. E, mesmo fora dessa secção, um dos eventos especiais será a projeção 3D em ante-estreia da versão restaurada do célebre videoclipe Thriller de Michael Jackson, realizado em 1983 por John Landis e considerado por muitos o protótipo dos videoclipes modernos, em que a simples sucessão de imagens é substituída por uma breve narrativa fílmica.

A capacidade de captar a evolução da sétima arte revela-se, ainda, na importância atribuída nos últimas edições do evento ao género do documentário, o que se confirma e reforça este ano, graças à criação de uma secção própria dedicada ao género (Non Fiction) na seleção fora de concurso. Há também documentários que entram de direito na seleção dos filmes a concurso, destacando-se em particular a participação de Friedrick Wiseman, com Ex Libris – New York Public Library, e do chinês Ai Wesei, com Human Flow, que documenta uma viagem de dois anos, partindo da ilha de Lesbos, para encontrar e compreender as condições de vida dos prófugos do mundo inteiro (cerca de 65 milhões de desalojados nos dias de hoje).

À margem, menciona-se ainda outra novidade, certamente criticada por uma parte dos cinéfilos, ou seja a presença de produtos cinematográficos realizados com grandes meios mas sem se destinarem às salas de cinema, como é o caso dos da conhecida Netflix, que muito tem investido em produções originais de qualidade. Em suma, o cinema, em vários sentidos, já está a sair da tela.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

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