A NOSSA PENÍNSULA – 9 – Galiza e Portugal, a mesma Nação? – por Carlos Loures

 

Face ao Estado vizinho, a diplomacia portuguesa tem demonstrado ao longo dos três últimos séculos uma cobardia notável – e todos – monárquicos, republicanos, maçons, democratas, fascistas… todas as tendências do leque político comungam nesse aspecto – não levantar ondas perante um Estado económica, política e militarmente mais forte. O pormenor de termos razões para invocarmos a nossa razão, não parece ser suficiente para que defendamos os nossos interesses. A ocupação ilegal de   Olivença era motivo para nunca deixarmos de estragar conversas com os nossos vizinhos. Diga-se que Salazar perdeu uma oportunidade única de recuperar o território quando as hordas franquistas invadiram a Península – ocupar militarmente Olivença para «proteger os oliventinos dos horrores da guerra civil», teria sido um pretexto que até na opinião pública internacional cairia bem. Mas não, o homem de Santa Comba, cedeu a rede radiofónica do RCP a troco de nada. Os emissores da Parede, mais potentes do que os da Rádio Sevilha, ampliavam os «discursos» de Queipo de Llano, se discursos se pode chamar ao vómito que derramava nas suas charlas.

O Estado espanhol, em contrapartida, perante uma Grã-Bretanha mais poderosa em todos os aspectos, até por ser fiel embaixadora na Europa dos Estados Unidos que desde meados do século XX representam o papel de Deus neste planeta, diante da Grã-Bretanha dizia, não se cala reivindicando a posse de Gibraltar que os «bifes» lhe sonegaram. Bem sei que não passam disso, do trinta e um de boca – melhor do que nada.

Mas reivindicar a união de Portugal e Galiza num só Estado não seria uma atitude anexionista – não pretenderíamos absorver a Galiza, nem ser absorvidos pela nação galega – apenas proporcionar a união de dois irmãos que os caprichos da evolução histórica tem mantido separados – os portugueses do Norte e os galegos do Sul, com um idioma comum de uma magnitude que não pode deixar de ser levada em linha de conta, estariam finalmente unidos numa República democrática. A nossa Península ficaria culturalmente enriquecida com o reforço da vertente galego-portuguesa do seu xadrez histórico. Tal como vai acontecer com o advento do catalanismo, orgulhoso, rico. Triunfante.

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Nome completo: João Manuel Pacheco Machado

One comment

  1. Carlos A.P,M.Leça da Veiga

    E, sobretudo, a fachada atlântica, um baluarte estratégico com importância extrema tinha , apenas, como seu proprietário uma Nação marítima.CLV

    Gostar

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