Homenagem ao Carlos Tenreiro, uma série de textos sobre questões de macroeconomia e de alta finança – 17. A Senadora Elizabeth Warren Discute o Impacto Negativo do projeto de Lei de Desregulamentação Bancária sobre os Consumidores Americanos (segundo de 6 discursos no Senado dos EUA)

Carlos Tenreiro

Carlos Tenreiro, um estudante de excecional maturidade emocional, de rara cultura, de rara sensibilidade e de alta capacidade pedagógica para transmitir o que sabia e até muitas vezes a gerar nos estudantes uma apetência por aquilo que ele mesmo ainda não sabia, mas que faria parte da sua trajetória de conhecimentos a desenvolver.

 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

17. A Senadora Elizabeth Warren Discute o Impacto Negativo do projeto de Lei de Desregulamentação Bancária sobre os Consumidores Americanos (segundo de 6 discursos no Senado dos EUA)

Senadora Elizabeth Warren Elizabeth Warren

Segundo Discurso

A Senadora Warren descreve como o projeto de desregulamentação bancária comporta riscos para a economia

Washington, DC – Num discurso pronunciado no plenário do Senado, a senadora americana Elizabeth Warren (D-Mass.) continuou a falar contra o esforço do Senado para reverter as regras sobre os maiores bancos do país. Na sua intervenção a senadora Warren discutiu como, além de prejudicar os consumidores americanos, a legislação para desregulamentar esses bancos aumentará o risco de outro colapso económico.

O discurso é o segundo de três discursos que a senadora Warren vai entregar esta semana sobre o projeto de desregulamentação bancária.

O texto completo das suas observações, conforme preparado para entrega, está disponível abaixo

7 de março de 2018

Senhor Presidente: esta semana, quase dez anos depois de termos descoberto que os grandes bancos tinham levado a nossa economia a um grande colapso, Washington está prestes a retirar muitos desses gigantes bancos da sua lista de bancos a vigiar pelo governo com muita atenção.  Duvido que isso faça sentido para qualquer um dos milhões e milhões de americanos que experimentaram na própria pele os horrores económicos do colapso financeiro – mas faz todo o sentido em Washington, onde enxames de lobistas parecem ter o poder de apagar as memórias dos políticos.

O Senado está a debater um projeto de lei que reverteria regras desenhadas para proteger os consumidores e impedir outro colapso económico. Ontem, falei sobre a forma como este projeto de lei suprime muitas das proteções importantes para os consumidores das famílias americanas que compram casas. Além de pressionar os consumidores, este projeto também afrouxa a nossa supervisão sobre alguns dos mesmos gigantescos bancos que arruinaram a nossa economia.

Dez anos atrás, um conjunto de grandes bancos recebeu resgates do contribuinte, enquanto os consumidores americanos levaram um murro no estômago. A desculpa em Washington era de que esses bancos estavam tão interconectados uns com os outros e com a economia global que o fracasso de um poderia derrubar o resto do sistema também. Que pena, disseram eles, mas nós temos que os socorrer. As famílias individuais, no entanto, podiam ser esmagadas sob os seus pés. Estas famílias não eram suficientemente grandes para valer a pena salvá-las.

O Congresso aprovou o enorme pacote de resgate, mas para impedir que isso acontecesse novamente, o Congresso decidiu colocar um pequeno número de bancos americanos, os que controlavam mais de US $ 50 mil milhões em ativos – cerca de 40 dos maiores bancos do país, numa lista de bancos sob supervisão reforçada. Esses bancos estariam sob supervisão federal mais rígida e estariam sujeitos a algumas regras mais fortes para impedi-los de voltarem a deitar abaixo a economia. Um pequeno banco em Adams, Massachusetts, seria regulado de uma forma, e um banco gigante com balcões por todo o país e em todo o mundo receberia um olhar mais detalhado. Isso faz sentido.

Se este projeto for aprovado, Washington irá suprimir essas regras para 25 desses enormes bancos. Sob este projeto de lei, um banco que controla até um quarto de milhão de milhões de dólares em ativos e possui balcões em todo o país e em todo o mundo seguirá as mesmas regras e regulamentos que um minúsculo banco em Adams, Massachusetts.

Isso é ótimo se você é um banco de 250 mil milhões de dólares, mas não tanto para qualquer outra pessoa. Este projeto de lei não é sobre restrições em medidas e investimentos de ativos. Não se trata de índices de alavancagem apropriados e de operações na bolsa por conta própria. Trata-se é de proteger que famílias americanas trabalhadoras sejam esmagadas por outra crise financeira. Trata-se é de um Congresso que não está aqui para servir os interesses de bancos de 250 mil milhões de dólares. É sobre um Congresso que é suposto estar a trabalhar para o povo americano.

Logo após a crise financeira, antes de eu pensar em concorrer alguma vez ao Senado, o Congresso colocou-me no comando de um painel independente que deveria policiar o dinheiro do resgate. Realizámos audiências em todo o país para conversar com as pessoas que foram atingidas no estômago pela crise financeira.

Nunca esquecerei um testemunho que recebi na audiência em Las Vegas. O seu nome era o Sr. Estrada –  pai de duas meninas. Ele vestia um blusão por cima de um polo e usava um boné vermelho de baisebol da Marinha dos EUA. Ele e a esposa trabalhavam, e eles tinham forçado o seu orçamento para comprar uma casa que lhes permitisse levar as meninas para uma boa escola, do outro lado da rua.

Quando os pagamentos de suas hipotecas aumentaram, eles ficaram para trás. Ele tentou negociar com o banco e pensou que ele e o banco tinham alcançado um acordo. Então, adeus – a casa foi vendida em leilão. “Então, no final”, disse ele, os banqueiros “dizem-me que tenho 14 dias para tirar os meus filhos de casa”.

O Sr. Estrada explicou o que aconteceu em seguida: “a minha filha de seis anos voltou para casa outro dia com uma folha de papel cheia com os nomes de todos os amigos dela. E ela disse-me que essas eram as pessoas que iriam sentira sua falta. porque nós íamos ter que nos mudar e eu disse à minha filha: “Eu não me importo se eu tiver que morar numa carrinha. Ainda vais poder ir a esta escola”. Eu estou confiante em Deus que nós haveremos de voltar a esta casa novamente”.

Várias vezes o Sr. Estrada parou para se tentar controlar, e a sua dor e o desespero pareciam empurrar todo o ar para fora da sala.

Estou aqui hoje para perguntar – quem no Senado dos Estados Unidos vai lutar pelo Sr. Estrada? Quem vai lutar pelos milhões de outros americanos que pagaram o preço porque os grandes bancos apostaram com a economia e perderam?

Estou aqui para lutar por todos os que, em 2008, tiveram que dizer aos seus filhos para arrumarem os seus brinquedos porque tinham que se mudar.

Por cada americano que trabalhou a vida inteira, que fez tudo certo e poupou para a sua reforma, tão só para depois ver desfazerem-se em fumo todas as suas economias.

Por cada pequeno empresário que teve que fechar as suas portas depois de anos de longas horas a trabalhar, a suar e a ter esperança, e a ter que dizer aos seus funcionários para não voltarem no dia seguinte.

Por aqueles trabalhadores esforçados que perderam os seus empregos.

E por todos os americanos que continuaram a lutar durante a crise, não importando o quanto era difícil continuar a lutar pela vida, e quem, anos depois dos lucros empresariais terem recuperado os seus níveis anteriores  e dos bancos subirem novamente em Wall Street, finalmente conseguiram estabilizar a sua situação assim como as suas famílias .

É por tudo isso, é por todos eles que aqui estou em sua defesa.  E do outro lado? Um exército de lobistas do sistema financeiro que estão a defender os interesses de alguns dos maiores bancos do país.

Agora, não é isso o que eles dizem. Eles dirão que não estão a defender os grandes bancos. Não, os lobistas juram por tudo que estão a defender os pequenos bancos – bancos que não criam grandes riscos e que não provocaram a crise financeira. E estes lobistas irão inventar todo o tipo de falsos argumentos sobre os motivos que levam os bancos a defenderem com unhas e dentes as novas regras – não importando sequer que os bancos de todas as dimensões estejam a obter literalmente lucros recordes.

Poupem-me. Este projeto de lei trata da obtenção dos lucros e dos bónus dos executivos dos bancos que compõem os 0,5% dos bancos do país em dimensão económica. O topo do topo. Os nossos bancos comunitários locais não têm 250 mil milhões de dólares em ativos. Os nossos bancos comunitários locais não têm meios para adquirir os direitos de nomeação para um estádio de futebol ou de basebol. Este projeto é projetado para ajudar um punhado de bancos gigantes que juntos controlam mais dinheiro do que o PIB nominal de mais de 100 nações independentes no planeta Terra. Estes não são “os bancos pequenos” – e a ideia de que esses bancos ricos e poderosos precisam que o Congresso intervenha e os liberte do cumprimento de algumas regras de senso comum seria ridícula se não fosse simultaneamente tão perigosa.

Quão grandes e importantes são estes bancos para o sistema financeiro? Basta olhar para o que sucedeu em 2008. Durante a crise financeira, alguns dos mesmos bancos que beneficiam da desregulamentação deste projeto lei sugaram quase 50 mil milhões de dólares de resgates dos contribuintes. Isso é dinheiro dos contribuintes – dinheiro que poderia ter ido para a construção estradas e pontes, ou escolas, ou investigação médica – mas que, em vez disso, foram para ajudar estes grandes e falidos bancos.

E agora o Senado quer dar-lhes rédea solta, mais uma vez.

Não são apenas os resgates. Os bancos com menos de 250 mil milhões de dólares em ativos ajudaram a provocar a crise financeira em primeiro lugar. Lembram-se de Countrywide? No seu relatório anual de 2006, bem no centro do boom imobiliário, o Countrywide informou que tinha US $ 199 milhares de milhões em ativos, colocando-o bem no meio do grupo de bancos que este projeto lei irá tirar da lista dos bancos sujeitos a supervisão reforçada.

O Countrywide fez milhares de milhões de dólares enganando os consumidores. No seu auge, era o maior credor hipotecário do país. Também era especialista em empréstimos subprime, um especialista em enganar as pessoas com empréstimos complicados que eles não entendiam e que não poderiam pagar. O Countrywide estava obcecado em fazer tantos empréstimos quanto possível e em espremer a concorrência. Eles encheram-se de taxas e comissões, depois venderam esses empréstimos arriscados antes que eles explodissem. E Wall Street encheu-se desses empréstimos, empacotou-os e vendeu-os em toda a linha com a mesma rapidez que o Countrywide os conseguia vender.

Como é que isto pôde acontecer? Uma explicação é que os agentes de supervisão tinham sido condescendentes com o Countrywide. Na verdade, o Countrywide escolheu o seu próprio regulador – o Office of Thrift Supervision, que se encostou tão perto dos bancos que deveria estar a supervisionar que, após a crise financeira, o Congresso aboliu o regulador.

Por fim, o Bank of America comprou o banco a um preço de saldo e os acionistas perderam dinheiro com o negócio. Pobre Bank of America. Claro, isso não era nada – nada – comparado com o que as pessoas com contas de pensões de reforma perderam quando os seus investimentos se transformaram apenas em fumaça. Certamente isto não foi nada parecido com o que o sr. Estrada e as duas pequenas filhas sofreram porque bancos como o Countrywide sobrecarregaram as suas hipotecas com taxas escondidas ou fizeram explodiram os pagamentos na sua pequena família.

As fraudes sobre hipotecas praticadas por Countrywide foram uma das principais causas da crise financeira. E se o Countrywide ainda estivesse por perto hoje, essa lei tornaria mais fácil para eles escaparem ao escrutínio do governo. Isso é simplesmente irresponsável.

Sabemos que bancos desse tamanho podem ajudar a derrubar o sistema financeiro. Sabemos que bancos desse tamanho exigem milhares de milhões de resgates do contribuinte quando as coisas dão para o torto. Isso devia ser o fim da conversa. Mas se não for, considere isto – os bancos que estão a ser desregulamentados sob este projeto de lei não fizeram nada depois – nada – para ganharem a nossa confiança e deferência desde a crise financeira. Em vez disso, eles continuaram a infrigir a lei a torto e a direito.

Vejamos o SunTrust. O SunTrust tem US $ 208 mil milhões em ativos. Eles ficariam libertos de supervisão reforçada com este novo projeto de lei. Em 2014, o SunTrust concordou em pagar US $ 320 milhões para encerrar o processo quanto às alegações de que usurpava dinheiro de resgate que supostamente era para ajudar os proprietários de imóveis em dificuldades. O organismo responsável pela aplicação da legislação que conduziu a investigação disse que o banco literalmente aceitou os pedidos dos proprietários para modificar as suas hipotecas e engavetou-as, ignorou-as pura e simplesmente.  Havia tantas hipotecas a modificar que o chão da sala se deformou sob o peso dos documentos. Pense nisto: eles conseguiram quase US $ 5 mil milhões em dinheiro que lhes foi dado pelo contribuinte, prometeram ajudar os proprietários e, entretanto, enfiaram os formulários dos pedidos de empréstimo e de hipoteca numa pilha tão grande que o chão da sala cedeu. E agora, este Congresso está a querer oferecer-lhes ajuda para afrouxar a supervisão sobre este banco.

Ou o que acha do banco Santander? O Santander tem US $ 132 mil milhões em ativos. Eles poderiam ficar praticamente libertos de supervisão com este novo projeto de lei. Há menos de um ano atrás, o Santander foi apanhado em flagrante pelos Procuradores-Gerais de Massachusetts e Delaware por financiar empréstimos para automóveis em que sabiam que os seus clientes os não poderiam pagar usando a papelada que eles sabiam estar manipulada. Uma situação de fraude muito descarada. Agora, este Congresso está a oferecer ajuda para afrouxar a supervisão do Santander também.

Depois, há as instituições financeiras que foram apanhadas em flagrante discriminação com os seus clientes.

O Ally Financial tem US $ 164 mil milhões em ativos. Eles ficariam libertos com este projeto de lei.  Em 2013, o Ally Financial pagou US $ 98 milhões para encerrar o processo relativo as acusações de discriminação contra os mutuários minoritários na concessão de empréstimos para automóveis. A fraude era bem direta: cobrar aos afro-americanos e aos latinos mais do que às pessoas brancas. A escala era enorme – 235 mil tomadores não-brancos pagavam em média US $ 200 a US $ 300 a mais do que os tomadores brancos com perfis de crédito semelhantes. Agora este Congresso está se a oferecer para ajudar a afrouxar a supervisão sobre este banco também

Depois, há os bancos que enganaram os investidores.

O Barclays US tem US $ 175 mil milhões em ativos. Eles poderiam ser libertos na base deste novo projeto de lei.  Em 2015, o Barclays estava entre os poucos bancos que receberam multas recorde do Federal Reserve por manipular os mercados de câmbio. Os traders do Barclays conspiraram com traders de outros bancos para partilhar informações e para levar os mercados a seguirem em certas direções. Agora, este Congresso está a propor que se afouxe a supervisão sobre o Barclays.

No ano passado, o FED apanhou o BNP Paribas (“PAHREEBUH”) EUA no mesmo jogo. O BNP Paribas tem US $ 146 mil milhões em ativos. Eles poderiam ser aliviados por este projeto de lei. Agora, este Congresso está a propor que se afouxe a supervisão sobre o BNP.

E finalmente, existem bancos que foram apanhados a violarem as sanções.

O Bank of Tokyo Mitsubishi possui US $ 155 mil milhões em ativos. Eles poderiam ser ajudados por este projeto de lei. Em 2013, o Banco de Tóquio Mitsubishi acordou com o Departamento de Serviços Financeiros de Nova York pagar US $ 250 milhões, sob a acusação de que “limpou” dezenas de milhares de transações. Este Departamento estimou que o banco transferiu mais de US $ 100 milhões para países que estavam sob aplicação de sanções pelos EUA, incluindo o Irão, o Sudão e a Birmânia. O banco especificamente tentou escapar às sanções dizendo aos funcionários que deixassem as informações quanto ao destino fora das instruções do dinheiro destinado a esses países. Agora, este Congresso está a propor que se afouxe a supervisão sobre o Bank of Tokyo Mitsubishi.

E façamos agora uma pausa sobre este banco. Washington acha que este banco precisa de menos supervisão. Um ano depois de ser apanhado a canalizar dinheiro para regimes perigosos e depois a tentar trapacear ao invés de resolver o problema, um regulador bancário estatal colocou um monitor independente dentro do banco para ficar de olho neles. Agora, os republicanos e democratas decidiram que este é um banco em que podemos confiar.

Isto é de loucos. São bancos que os contribuintes resgataram há dez anos. Eles enganam os consumidores, enganam as comunidades, enganam os mercados e colocam em risco a nossa segurança nacional – e ainda assim, os republicanos e democratas unem-se para afrouxar a supervisão sobre estes bancos.

Então, o que é que tudo isto representa? De certeza, ninguém vai ouvir falar destes problemas pelos defensores deste projeto de lei, mas é a verdade – trata-se de deixar que esses bancos devorem os bancos mais pequenos, consolidem o setor bancário, que obtenham lucros bancários descomunais e aumentem os bónus dos executivos.

É claro que não se trata de aumentar os empréstimos. Estes bancos estão sentados em montanhas de dinheiro que poderiam emprestar a qualquer momento. Basta olhar para os seus lucros. O BB & T fez mais de US $ 2,25 mil milhões. SunTrust embolsou US $ 2,3 mil milhões. M & T registou US $ 1,3 mil milhões. Eu poderia continuar e continuar.

Na verdade, em vez de emprestar mais dinheiro, esses bancos têm estado a investir os seus enormes ganhos em recompras de ações. No mês passado, o M & T Bank anunciou que estava a gastar mais US $ 745 milhões na recompra de ações. Algumas semanas depois, o Fifth Third autorizou a recompra de US $ 3 mil milhões em ações. Cada um desses dólares poderia ter sido colocado em novos empréstimos para pequenas empresas ou hipotecas residenciais. Em vez disso, eles fazem subir o preço das ações dos bancos e aumentam ainda mais os bónus dos executivos. Haverá alguém que pense que se os bancos dispusessem ainda de mais dinheiro para queimar mudariam de trajetória e colocariam esse dinheiro em empréstimos na economia real? Ao perguntar estou já a responder.

E esses bancos não estão exatamente a agir como se estivessem a morrer de fome quando passam o cheque aos seus executivos. Em 2016, o chefe do Regions recebeu mais de US $ 14 milhões. O CEO da Huntington? Quase US $ 9 milhões, não incluindo quase outro quarto de milhão de dólares que a empresa gastou para cobrir o uso pessoal do avião particular deste Diretor executivo. O diretor executivo de Keycorp ganhou US $ 7,1 milhões. O CEO do CIT Group fez o mesmo, contra US $ 3,2 milhões no ano anterior.

Isso não é tudo. Os bons tempos estão a rolar nesses bancos. O Zions Bank realizou uma festa chique para lançar o Sundance Film Festival este ano com uma linda barra de chocolate quente. A American Express acaba de inaugurar um novo e brilhante edifício como sede regional, que custou US $ 200 milhões.

Se esta lei for aprovada, e se esses banqueiros, sentados em volta de uma mesa nova e brilhante nas suas novas sedes, decidirem apostar um pouco mais, como fizeram ao darem origem à crise financeira que rebentou em 2008, os reguladores podem nem sequer sabê-lo. Se estiverem recostados nos luxuosos assentos dos seus jatos pessoais, eles hão de inventar um qualquer tipo de investimento arriscado e complicado, que ninguém entende até que tudo corra mal, que os reguladores provavelmente não conseguirão evitá-lo a tempo. E se as suas apostas falharem, esses bancos mais perigosos são mais propensos a desencadearem uma situação de falência e muito possivelmente a arrastar o resto do sistema com eles.

Isto é uma loucura. É a ganância a correr à solta. Estas regras [as atuais] mantiveram-nos seguros por quase uma década – mesmo que esses mesmos bancos tenham mastigado todos os regulamentos e tentado contornar todas as regras. Agora, Washington está prestes a tornar mais fácil para os bancos correrem riscos, a tornar mais fácil colocar os nossos eleitores em risco, a tornar mais fácil colocar as famílias americanas em perigo, apenas para que os CEOs desses bancos possam obter um novo avião para a empresa e adicionar um outro andar à nova sede da empresa.

Apesar de tudo o que já fizeram para enganar os seus clientes e colocar em risco o sistema financeiro, esses grandes bancos sempre terão os seus defensores em Washington. Mas e quanto ao Sr. Estrada, e aos milhões de trabalhadores norte-americanos como ele que querem que Washington pense neles para variar? O Sr. Estrada não se pode dar ao luxo de contratar um lobista e não pode passar um cheque de campanha de mil dólares e nem pode receber um coletor de fundos numa churrascaria da capital. E o resultado, parece, é que todos os republicanos nesta Câmara – e demasiados democratas – vão-se juntar aos bancos e ignorarão o senhor Estrada e as suas duas filhas.

Deveríamos estar a trabalhar em defesa de pessoas como o Sr. Estrada, não dos grandes bancos. O Sr. Estrada merece-o – esses bancos não.

 

Texto original em https://www.warren.senate.gov/newsroom/press-releases/senator-warren-outlines-how-bank-deregulation-bill-poses-risk-to-economy

(continua)

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