O Muro Estados Unidos–México: mostre-me um muro de cinquenta pés e eu mostrar-lhe-ei uma escada de cinquenta e um pés – 1. Tijolos no Muro (2/2), por Greg Grandin

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1. Tijolos no Muro (2/2)

Como se não deve construir um “Grande, Grande Muro”

A história da fortificação de fronteiras ao longo do tempo.

greg grandin Por Greg Grandin,

Publicado por tomdispatch_logo_v2 em 13 de janeiro de 2019

(continuação)

1973-1977: Os Estados Unidos tinham acabado de perder a guerra no Vietname, em grande parte porque se revelou impossível controlar uma fronteira que dividia as duas partes desse país. De facto, o secretário de Defesa Robert McNamara, desesperado para impedir que as forças norte vietnamitas se infiltrassem no Vietname do Sul, tinha gasto mais de US$ 500 milhões em 200 mil rolos de arame farpado e cerca de cinco milhões de postes, com a intenção de construir uma “barreira” – chamada de “Linha McNamara” – que ia do Mar da China do Sul ao Laos. Essa linha falhou redondamente. A primeira faixa de seis milhas escavada ficou rapidamente coberta de selva, enquanto as suas torres de madeira eram, segundo o New York Times, “prontamente queimadas”.

Em 7 de setembro de 1967, numa conferência de imprensa em Washington, DC, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert McNamara, anunciou planos para a construção de uma barreira anti-infiltração eletrónica abaixo da Zona Desmilitarizada (DMZ), a linha de demarcação entre o Norte e o Sul do Vietname. O principal objetivo desta “Linha McNamara” seria fazer soar o alarme quando o inimigo atravessasse a barreira. O poder de fogo aliado, sob a forma de ataques aéreos e de artilharia, seria então utilizado contra o Exército Popular do Vietname (PAVN, o Exército do Vietname do Norte) para conter a infiltração do Norte. A Linha McNamara representou uma tentativa dos militares dos EUA de juntar a tecnologia moderna com uma das mais antigas técnicas defensivas de guerra. Os EUA aprenderiam que mais do que tecnologia sofisticada era necessário fazer uma barreira eficaz”.

https://msuweb.montclair.edu/~furrg/pbmcnamara.html

Foi quando essa guerra terminou que, pela primeira vez, os ativistas de direita começaram a pedir a construção de um “muro” ao longo da fronteira EUA-México.

O biólogo Garrett Hardin, professor da Universidade da Califórnia, Santa Bárbara, era típico. Em “Population and Immigration: Compassion or Responsibility?“, um ensaio publicado no Ecologista, escreveu: “Podemos construir um muro, literalmente”. Hardin foi um dos primeiros expoentes do que hoje é chamado de “realismo racial”, a defender que, num mundo de recursos limitados e taxas de natalidade dos brancos em declínio, as fronteiras devem ser “endurecidas”.

Durante estes anos, os conflitos fronteiriços do Sul foram especialmente agudos na Califórnia, onde Ronald Reagan era então governador. À medida que a expansão de San Diego começou a pressionar e a levar à ocupação dos campos agrícolas onde os trabalhadores migrantes do México trabalhavam, os ataques racistas contra eles aumentaram. Vigilantes conduziam pelas estradas secundárias da área metropolitana de San Diego, disparando contra os mexicanos a partir das plataformas das suas camionetas. Dezenas de corpos foram encontrados em sepulturas rasas.

Essa violência anti-migrante foi alimentada, em parte, por veteranos do Vietname altamente descontentes, que começaram a praticar o que eles chamaram de “batidas sobre os campos de feijão” para destruir os campos de migrantes. Os atiradores furtivos também apontaram para os mexicanos que atravessavam a fronteira. Liderados pelo jovem David Duke, de 27 anos, o Ku Klux Klan montou uma “vigilância de fronteiras” em 1977 no ponto de entrada de San Ysidro e recebeu apoio significativo de agentes locais da Patrulha de Fronteiras. Outros grupos KKK, imediatamente a seguir, montaram patrulhas semelhantes no sul do Texas, colocando folhetos com desenhos de caveiras e ossos nas portas dos residentes latinos. Por volta dessa época, no pantanoso estuário de Tijuana, uma área que os vigilantes de fronteira começaram a chamar de “Little ‘Nam”, os agentes de fronteira dos EUA relataram ter encontrado armadilhas, armadilhas estas copiadas das armadilhas punji que os vietnamitas tinham montado contra os soldados americanos.

Segue-se texto publicado pela Golden Gate University School of Law

GGU Law Digital Commons- Junho de 1990

texto 1 3 golden date university

A violência contra os migrantes mexicanos levantou sérias preocupações no México. Mais de um quinto da força de trabalho do México está a trabalhar nos Estados Unidos. O Cônsul Geral do México vem monitorizando ativamente os episódios de violência e pediu publicamente à comunidade de San Diego para rejeitar as manifestações que ocorrem na fronteira dos EUA com o México, chamadas “ilumine-se a fronteira-light up the border”. Durante a última semana de maio, o governo mexicano, preocupado com os recentes tiroteios de cidadãos mexicanos e as crescentes tensões, enviou um painel de quatro membros a San Diego para analisar os acontecimentos.

O aumento das tensões está a ocorrer no contexto mais amplo das mudanças na demografia social regional e nas relações sociopolíticas entre os EUA e o México. Ambas as regiões de San Diego e Tijuana experimentaram considerável urbanização e crescimento nos últimos vinte anos, mas com enormes desequilíbrios económicos. O Terceiro Mundo encontra-se com o Primeiro Mundo à medida que os fluxos contínuos de trabalhadores migrantes são confrontados com a expansão dos subúrbios. As redes migratórias estabelecidas fornecem uma fonte barata de mão-de-obra para a agricultura, os serviços têm enfrentado cada vez mais o subemprego e a falta de habitações, numa altura em que 1,6 milhões de pessoas foram legalizadas pela Lei de Reforma e Controle da Imigração de 1986.

As soluções transfronteiriças regionais para os problemas são difíceis, complicadas no sentido micro por questões jurisdicionais e no sentido macro por questões de soberania nacional e por uma incapacidade histórica de compreender a região fronteiriça pelo seu conjunto único de dinâmicas socioeconómicas e espaciais.

https://digitalcommons.law.ggu.edu/cgi/viewcontent.cgi?referer=https://www.google.com/&httpsredir=1&article=1086&context=caldocs_joint_committees

1979: A administração do presidente Jimmy Carter apresentou um plano para construir uma vedação ao longo de zonas de fronteira onde o tráfico era intenso mas deixou cair a ideia com a aproximação da eleição presidencial de 1980.

1980-1984: “Ninguém constrói uma vedação de nove metros ao longo da fronteira entre duas nações amigas”, disse Ronald Reagan numa campanha presidencial no Texas em setembro de 1980. Ao dar uma estocada nos planos da administração Carter, Reagan estava a fazer uma jogada para captar o voto latino daquele estado, 87% dos quais tinham votado Carter quatro anos antes. “Documentem-se os trabalhadores indocumentados e deixem-nos entrar aqui com um visto”, disse Reagan, acrescentando que os deixassem ficar “pelo tempo que quiserem ficar”.

Depois, quatro anos mais tarde, o Presidente Reagan mudou de ideias. “As nossas fronteiras estão fora de controlo”, insistiu ele em outubro de 1984. Enquanto avançava para a sua reeleição, a sua Administração começou a defender a ideia de que a fronteira poderia realmente ser “selada” e que a implantação de equipamentos de “alta tecnologia” – lentes de infravermelhos, aviões de observação, óculos de visão noturna – poderia fornecer um tal controle eficaz. “Novo material”, afirmou um oficial da Patrulha de Fronteira, embora alguns dos sensores terrestres que estavam a ser instalados ao longo da fronteira fossem sobras do Vietname. No seu segundo mandato, Reagan conseguiu a aprovação de um projeto de reforma sobre a imigração que ajudou mais de dois milhões de residentes indocumentados a obter a cidadania. Mas a sua administração, procurando acalmar uma crescente pressão de militantes locais no Congresso do Partido Republicano, também lançou a Operação Empregos, enviando agentes federais para locais de trabalho para reunir e deportar trabalhadores indocumentados. Em 1984, a Patrulha de Fronteiras viu o seu maior aumento de pessoal nos seus 60 anos de existência.

1989: Em março de 1989, poucos meses antes da queda do Muro de Berlim, a nova administração do presidente George H. W. Bush propôs a construção de uma trincheira fronteiriça de 4 metros de largura e 1,5 metros de profundidade ao sul de San Diego. Alguns compararam-na a um “fosso”, uma vez que ela estaria cheia com o escoamento das águas pluviais. “A única coisa que eles não tentaram foi minar a área”, disse Robert Martinez, diretor do American Friends Service Committee. de San Diego. Os opositores chamaram-lhe “Muro de Berlim invertido”, enquanto a Casa Branca afirmava que a trincheira resolveria os problemas de drenagem e imigração. A ideia foi arquivada.

1992: Patrick Buchanan, antigo redator de discursos de Richard Nixon, apresentou inesperadamente um forte desafio a um presidente em exercício para a nomeação republicana, pedindo, entre outras coisas, um muro ou uma vala – uma “vala de Buchanan”, como ele disse – ao longo da fronteira EUA-México e que a Constituição fosse emendada de modo a que as crianças migrantes nascidas no país não pudessem reivindicar cidadania americana. Bush ganhou a nomeação, mas Buchanan conseguiu inserir uma promessa na plataforma republicana para construir uma “estrutura” na fronteira. Isso mostrou ser politicamente um embaraço, num altura em que os líderes republicanos e democratas estavam a chegar a um consenso pós Guerra Fria de que um acordo de livre comércio com o México deveria ser incentivado e a fronteira deixada aberta, pelo menos para empresas e capitais. A campanha de Bush tentou evadir a questão alegando que uma “estrutura” não significava necessariamente um muro, mas os apoiantes de Buchanan imediatamente ripostaram. “Eles não colocam faróis na fronteira”, disse Bay Buchanan, a sua irmã e porta-voz.

1993: Tendo aprovado o Acordo de Livre Comércio da América do Norte no Congresso, o Presidente Bill Clinton imediatamente começou a militarizar a fronteira, mais uma vez aumentando significativamente o orçamento e o pessoal da Patrulha de Fronteiras e fornecendo-lhe equipamentos cada vez mais avançados tecnologicamente: lentes de infravermelhos para utilização noturna, dispositivos de imagem térmica, detetores de movimento, sensores no solo e software que permitiu o scan biométrico de todos os migrantes apanhados. Acenderam-se luzes do estádio, que iluminavam até Tijuana. Centenas de quilómetros do que a Casa Branca de Clinton se recusou a chamar de “muro” também se fizeram nessa altura. “Nós chamamos a isso uma vedação”, disse um funcionário do governo. “O ‘Muro’ tem uma espécie de conotação negativa”.

O objetivo era fechar fronteiras urbanas relativamente seguras e forçar os migrantes a usar lugares mais traiçoeiros nas suas tentativas de chegar aos Estados Unidos, seja pelas planícies de creosote do sul do Texas ou pelas ravinas e planaltos do deserto do Arizona. As viagens que costumavam demorar dias levavam agora semanas em areias áridas e sob um sol escaldante. A comissária do Serviço de Imigração e Naturalização da Administração Clinton, Doris Meissner, considerou a “geografia” como “aliada” – o que significa que os tormentos no deserto fariam maravilhas como obstáculo à entrada de migrantes.

Segue-se texto de Debbie Nathan, intitulado Border Geography and Vigilantes, de Setembro de 2007

A fronteira ficou tão inflamada ultimamente que o calor está a ser sentido tanto em Washington como na Cidade do México. Uma provocação foi a atualização anual do número de mortes, quando o Serviço de Imigração e Naturalização dos EUA (INS) anunciou em setembro que pelo menos 340 pessoas tinham morrido por tentarem atravessar para o país desde outubro passado. Muitas das mortes são diretamente atribuíveis ao programa de “prevenção através da dissuasão” do INS. Iniciado em 1994, o programa colocou falanges sem precedentes de agentes da Patrulha de Fronteira e aparelhos de vigilância de alta tecnologia em pontos tradicionais de entrada ilegal, como o centro de El Paso e a área urbanizada perto de San Diego. Bloquear as cidades, foi o que INS pensou, e os migrantes teriam que evitar as únicas rotas restantes: Os desertos abrasadores do Arizona, os ranchos infernalmente quentes do sul do Texas e as montanhas traiçoeiras do condado rural de San Diego.

Nós acreditávamos que a geografia seria uma nossa aliada”, disse a chefe do INS, Doris Meissner, em tom de vergonha. Mas a geografia apenas criou um matadouro fronteiriço. Os cadáveres de migrantes estão muitas vezes tão mumificados – ou tão comidos por larvas – que devem ser enviados de volta para o sul em sacos de cadáveres militares. Durante todo o verão deste ano, grupos ativistas de direitos dos migrantes fizeram cerimónias fúnebres muito comoventes em memória dos mortos. A imprensa agarrou a notícia, e as pessoas nos Estados Unidos também se comoveram. “.

https://nacla.org/article/border-geography-and-vigilantes

A Casa Branca de Clinton estava tão ansiosa por erguer um conjunto de barreiras que mal prestava atenção aos limites reais da fronteira, e a tal ponto que, erroneamente, administrava uma parte da estrutura no México, provocando um protesto do governo daquele país.

texto 1 4 the end of the myth

Um outro ramo, estendendo-se por 15 milhas a partir do Oceano Pacífico, seria construído com a utilização de plataformas de aterragem dos helicópteros em aço, que vinham da época do Vietname. Os seus bordos eram de tal afiados que os migrantes que tentavam subir por cima delas muitas vezes cortavam os dedos. Como um observador testemunhou, o uso das plataformas levantou “a arrepiante possibilidade” de que os EUA poderiam ser capazes de “isolar o país” com restos de material de guerra.

Excerto do texto Human Rights Rights : US 20 Years of Immigrant Abuses

Under 1996 Laws, Arbitrary Detention, Fast-Track Deportation, Family Separation, de Abril de 2016:

(Washington, DC) – O Congresso dos Estados Unidos deve revogar as disposições de duas leis de imigração de 1996 que sujeitaram centenas de milhares de pessoas a detenções arbitrárias, deportações aceleradas e separação familiar, disse hoje a Human Rights Watch.

“Os EUA parecem estar a enfrentar os danos causados pelas suas leis criminosas da década de 90”, disse Alison Parker, co-diretora do programa dos EUA na Human Rights Watch. “Essas leis de imigração da década de 90 também merecem um sério escrutínio e reconsideração”, disse Alison Parker, co-diretora do programa dos EUA na Human Rights Watch.

O presidente Bill Clinton assinou Antiterrorism and Effective Death Penalty Act of 1996, conhecida como AEDPA, em 24 de abril de 1996. A legislação, aprovada após as bombas que rebentaram em Oklahoma City em 1995, expandiu muito as bases para a detenção e deportação de imigrantes, incluindo residentes legais de longa duração. Foi a primeira lei dos EUA a autorizar certos procedimentos de deportação acelerados, agora utilizados pelos Estados Unidos.”

https://www.hrw.org/news/2016/04/25/us-20-years-immigrant-abuses

2006: A lei Secure Fence Act, aprovada pelo governo do presidente George W. Bush com considerável apoio democrático, apropriou-se de milhares de milhões de dólares para pagar drones, um “muro virtual”, aeróstatos dirigíveis, radares, helicópteros, torres de vigia, balões de vigilância, redes de arame farpado, aterros para bloquear desfiladeiros, valas de fronteira, barreiras ajustáveis para compensar dunas móveis, e um laboratório (localizado no Texas A&M e a funcionar em parceria com a Boeing) para testar protótipos de vedações. O número de agentes de fronteira dobrou mais uma vez e o comprimento da vedação de fronteira quadruplicou. A Operação Streamline deteve, processou e julgou migrantes em massa e depois acelerou a sua deportação (utilizando principalmente uma lei de reforma imigratória que Clinton tinha assinado em 1996). Agentes da Immigration and Customs Enforcement (criada após o 11 de setembro) apreenderam crianças em autocarros escolares e rastrearam residentes indocumentados em estados liberais, inclusive nos exclusivos Hamptons, em Long Island, Nova York, e em New Bedford, Massachusetts. Ao todo, nos seus oito anos de mandato, Bush deportou dois milhões de pessoas, a um ritmo praticamente igual ao do seu sucessor, Barack Obama.

texto 1 5 obama deportations

2013: O Senado, controlado pelos democratas, aprovou um projeto de lei em junho de 2013 que – em troca da promessa de uma amnistia única e de uma possibilidade de cidadania para alguns dos milhões de residentes indocumentados no país – ofereceu mais milhares de milhões de dólares para policiamento, vedações e deportações. De acordo com o New York Times, com o fim das atividades no Iraque e no Afeganistão (por mais breve que tenha sido), os empresários da indústria da defesa como a Lockheed Martin estavam a apostar num “acumulação de tipo militar na zona de fronteira”, esperando fornecer ainda mais helicópteros, câmaras térmicas, detetores de radiação, vedações virtuais, torres de vigia, navios, drones Predator e radares de nível militar. O projeto de lei falhou na Câmara, morto pelos nativistas. Mas o Partido Democrata continuaria a financiar programas de segurança de fronteira “duros como o aço” (na expressão do senador democrata Charles Schumer) que equivaliam a anos de armamento da fronteira no que era então chamado “problema da fronteira “.

Ninguém realmente sabe quantas pessoas morreram ao tentarem entrar nos Estados Unidos desde que Washington começou a tornar a fronteira firme como um rochedo. A maioria morre de desidratação, hipertermia ou hipotermia. Outros morrem afogados no Rio Grande. Desde 1998, a Patrulha de Fronteira registou quase 7.000 mortes, com grupos como a Coalición de Derechos Humanos de Tucson a estimarem que os restos mortais de pelo menos 6.000 imigrantes foram recuperados. No entanto, esses números são, sem dúvida, apenas uma fração do número real de vítimas.

16 de Junho de 2015: Donald J. Trump desce uma escada rolante na Trump Tower ao som de “Rockin’ in the Free World” de Neil Young para anunciar a sua campanha presidencial e denunciar “os violadores mexicanos”.

Disse Donald Trump em 2015:

Quando é que vencemos o México na fronteira? Eles estão-se a rir de nós, da nossa estupidez. E agora eles estão a derrotar-nos economicamente. Eles não são nossos amigos, acreditem em mim. Mas estão a matar-se economicamente.

Os EUA tornaram-se uma lixeira para os problemas de todos os outros.

Obrigado. É verdade, e estes são os melhores e os melhores. Quando o México nos envia o seu povo, não está a enviar o melhor de si mesmo. Eles não estão a enviá-lo a si. Não, eles não o estão a enviar a si. Eles estão a enviar pessoas que têm muitos problemas, e estão a trazer esses problemas para nós. Eles estão a trazer drogas. Eles estão a trazer o crime. Eles são estupradores. E alguns, eu presumo, são boas pessoas.

Mas eu falo com os guardas de fronteira e eles dizem-nos o que estamos a receber. E isso só faz sentido. Só faz sentido comum. Eles não nos estão a mandar as pessoas certas.

Eu irei construir um grande muro, e ninguém constrói muros melhor do que eu, acreditem em mim, e vou construí-los muito barato, vou construir um grande, grande muro na nossa fronteira a Sul. E farei com que o México pague por esse muro.”

http://time.com/3923128/donald-trump-announcement-speech/

“Vou construir um grande, muito grande muro na nossa fronteira sul”, diz ele aos americanos. “E farei com que o México pague por esse muro.”

Mostre-me um muro de 50 pés…

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Há algo aqui, é que não gostamos de Muro”, escreveu uma vez o poeta Robert Frost

As fronteiras, já para não falar dos muros, representam dominação e exploração. Mas também simbolizam o absurdo dos líderes políticos que tomam o mundo tal como ele é e tentam fazer dele o que eles acham que este deveria ser. Por mais que as pessoas amaldiçoem as fortificações fronteiriças, elas também gostam de as subverter – mesmo que a subversão dure apenas um momento, como quando os cidadãos de Naco, Sonora e Naco, no Arizona, jogam um jogo anual de voleibol sobre a vedação fronteiriça;ou quando um artista decide pintar o “mural mais longo do mundo” na vedação fronteiriça;ou quando as famílias se reúnem para falarem de fofoquices, contar piadas, e passar tâmaras e doces pelas redes de arame entre os postos;ou quando os casais se casam pelos espaços que separam as placas em aço. Enquanto os Estados Unidos continuarem a inventar novas formas de fortalecer a fronteira, as pessoas continuarão a inventar novas formas de vencer a fronteira, incluindo túneis, rampas, catapultas e canhões caseiros (para lançar fardos de marijuana para o outro lado), e o GoFundMe fará campanhas para pagar as escadas.

Como Janet Napolitano, ex-governadora do Arizona e ex-diretora da Segurança Nacional, disse um dia: “Mostre-me um muro de cinquenta pés e eu mostrar-lhe-ei uma escada de cinquenta e um pés”.

Greg Grandin (1962-), colaborador habitual de TomDispatch, professor de História na New York University. O seu mais recente livro, The End of the Myth: From the Frontier to the Border Wall in the Mind of America (Metropolitan Books), será publicado em março. É autor de Fordlandia, selecionado para o prémio Pulitzer e o prémio National Book, de The Empire of Necessity, que obteve o prémio Bancroft de história americana, e de Kissinger’s Shadow.

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