O Muro Estados Unidos–México: mostre-me um muro de cinquenta pés e eu mostrar-lhe-ei uma escada de cinquenta e um pés – 3. A vida de um dos lados do Muro: A vida difícil para muitos americanos – Porque é que a América tem 13 milhões de lares que não têm comida em quantidade suficiente para se alimentarem? Por Michael Snyder.

imagem série escada

 

Devemos aqui precisar que a ideia da globalização feliz não era, mal seria se assim fosse, partilhada por todos os lideres democráticos. Como exemplo, cito aqui o que nos escreveu Sandra Polaski, em 2009, quando era Subsecretária de Estado de Obama, uma das exceções que enquanto tal, confirma a regra:

Esperamos que sob a administração de Obama seremos capazes de orientar a política económica mundial em melhor direção, que tenha em conta as necessidades e os meios de subsistência dos milhares de milhões de pessoas que atualmente não beneficiam com a integração económica global.

Em cada dia, trabalho duramente com esse objetivo!”

Bem, destes milhares de milhões que não apanharam os barcos levantados pela maré da globalização feliz, alguns milhões estão do lado do México, a quem o Muro é imposto, outros milhões estão do lado dos Estados Unidos, entre os quais uma parte a desejar a construção do muro, e o Muro é expressão dramática deste mesmo fenómeno, o de muitos barcos que se afundaram enquanto outros subiram. “ (em “São os Russos os culpados pela eleição do monstro político Donald Trump? Comentários a propósito do texto Tijolos no Muro”, por Júlio M. Mota, publicado ontem)

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

3. A vida de um dos lados do Muro: A vida difícil para muitos americanos – Porque é que a América tem 13 milhões de lares que não têm comida em quantidade suficiente para se alimentarem?

Por Michael Snyder

Publicado por End Of The American Dream.com em 18 de novembro de 2018. Ver aqui

 

Já imaginou ter um dia em que os seus filhos estivessem a chorar por terem fome mas os seus armários estarem completamente vazios e a sua conta bancária estava a zero ?

Se nunca lhe aconteceu, deve considerar-se extremamente abençoado, porque é assim a vida real sentida por milhões e milhões de americanos em 2018.

Como se poderá ver abaixo, um terço de todos os americanos não pode sequer pagar “o básico” cada mês, e 13 milhões de famílias estão oficialmente consideradas “inseguras do ponto de vista alimentar”. Por outras palavras, estas famílias não têm o suficiente para comer. Muitos pais escolhem saltar uma refeição (ou mesmo duas) por dia para que os seus filhos possam ter o estômago cheio. Mas às vezes o dinheiro acaba totalmente e é aí que as coisas ficam realmente difíceis.

texto 3 a vida difícil para muitos americanos 1

Nos últimos anos, os ricos têm- se saído muito bem, e muitos deles têm muito pouca simpatia pelas lutas dos pobres.

Mas a fria e dura realidade da questão é que o fosso entre ricos e pobres é agora o maior desde 1920, e aproximadamente um terço de toda a nação não pode sequer pagar as suas despesas básicas ….

Considere as seguintes estatísticas.

O americano médio não consegue arranjar $500 para responder a uma emergência.

Sobre isto diz-nos a CBS News:

Cinquenta e sete por cento dos americanos não têm dinheiro suficiente para cobrir uma despesa inesperada de US$ 500, de acordo com um novo inquérito de Bankrate, que entrevistou 1.003 adultos no início deste mês. Embora isso possa parecer terrível, reflete uma ligeira melhoria em relação a 2016, quando 63% dos residentes dos EUA disseram que não seriam capazes de lidar com essa despesa. A melhora reflete a economia mais forte dos EUA, mas ainda está longe do ideal, disse Bankrate.com.

Os resultados obtidos lançaram uma outra luz sobre quantas famílias continuam a lutar com muita dificuldade para responder às necessidades básicas mais de sete anos após o fim oficial da recessão. Apesar do crescimento constante do emprego durante a administração Obama, os salários têm- se recuperado lentamente, com a família típica americana ainda a ganhar 2,4% abaixo do que trouxeram para casa em 1999, quando o rendimento atingiu o seu valor de pico. Ao mesmo tempo, os custos de bens essenciais como habitação e cuidados infantis subiram mais rapidamente do que a taxa de inflação, colocando pressão sobre os orçamentos familiares. Ver aqui

Um terço dos americanos não tem dinheiro suficiente para pagar a comida, abrigo e saúde.

Sobre isto diz-nos Market Watch

Mais de um terço das famílias americanas lutam contra dificuldades como a falta de alimentos, de acordo com um novo inquérito às famílias do Consumer Financial Protection Bureau.

Quase metade dos americanos tem dificuldades em pagar as suas contas, e mais de um terço já enfrentou dificuldades como ficar sem comida, não conseguir pagar um local para morar ou não ter dinheiro suficiente para pagar um tratamento médico.

Esses são alguns dos resultados sombrios da primeira pesquisa federal do Consumer Financial Protection Bureau sobre bem-estar financeiro, divulgada na terça-feira- 26 de setembro de 2017. Ver aqui

Os cuidados de saúde para uma família custam atualmente US$ 28 mil – cerca de metade do rendimento médio, que é de 60 mil dólares.

Sobre isto diz-nos The Fiscal Times:

O custo anual dos cuidados de saúde para uma família americana típica – dois pais e dois filhos cobertos por uma organização de cuidados de saúde é de US$ 28.166 este ano, de acordo com o Milliman Medical Index de 2018, divulgado na terça-feira.

Os custos de saúde têm aumentado anualmente desde que Milliman começou a rastreá-los em 2001, mas a taxa de aumento tem caído nos últimos anos. Mesmo assim, o aumento relativamente pequeno de 4,5 por cento em 2018 traduz-se num aumento de preços de mais de US$ 1.200 por ano.

“Por um lado, é animador ver a taxa de aumento dos custos de saúde a permanecer baixa”, disse Chris Girod, um dos autores do relatório. “Por outro lado, ainda estamos a falar de mais de US$ 28 mil dólares em custos totais de saúde para a típica família americana. Ver aqui

Estes números são muito decepcionantes, e você não os ouvirá muitas vezes repetidos pelos principais media.

Por um momento, eu gostaria que o leitor considerasse três perguntas….

-Já alguma vez evitou levar um familiar ao hospital porque tinha medo de como é que seria a conta?

-Já alguma vez desligou o seu telefone porque estava cansado de receber telefonemas a pedirem-lhe que pagasse as suas contas ?

-Já alguma vez ficou acordado à noite com uma sensação de ter um aperto de estômago porque não sabia como ia pagar as contas no final do mês?

Se assim for, você certamente tem muita companhia. A verdade é que a maioria das famílias americanas estão a lutar profundamente, e aquelas que estão “a portar-se bem” constituem apenas uma percentagem muito pequena da população total.

Não há muito tempo, a CNN traçou o perfil de um rapaz de dois anos chamado Ryder Pfaffly e do resto da sua família . Infelizmente, eles são um dos 13,1 milhões de agregados familiares na América que não têm comida suficiente para se alimentarem….

A família Ryder’s representa os 13,1 milhões de famílias americanas com crianças que muitas vezes ficam sem comida: “famílias com insegurança alimentar”.

“A comida é às vezes uma enorme dificuldade “, disse a mãe de Ryder, Kelly Ann Pfaffly, que também está a criar um menino recém-nascido.

Pfaffly, de 23 anos, e o seu marido de 24 anos, Justin, estão casados há cinco anos. Eles – juntamente com Ryder, a sua irmã de 7 anos e o seu irmão mais novo – vivem num pequeno quarto no hotel. “Já estamos em dificuldade desde há algum tempo”, disse ela. “Mas nós sempre encontramos uma ou outra maneira de nos sairmos da situação.” Ver aqui

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Claro que Ryder e a sua família estão longe de estar sozinhos. Nesse ponto, mais de metade de todas as famílias americanas com crianças recebem assistência do governo todos os meses. A classe média está em constante erosão, e as fileiras dos “trabalhadores pobres” tem estado a crescer rapidamente.

Muitos dos trabalhadores pobres são pais solteiros, e muitas vezes sofrem em silêncio porque não querem que as pessoas ao seu redor os desprezem. Aqui está um trecho da história comovente de uma mãe sozinha …

Eu olhei fixamente para os proprietários potenciais, tendo ao meu lado um miúdo de sete anos e um bebé ao meu colo sobre o quadril, pedindo para me candidatar a um apartamento de estúdio minúsculo que eu mal podia pagar. Falei com uma dúzia de secretárias em igrejas locais, perguntando-lhes se tinham fundos para me ajudar a pagar a guarda das crianças. Passei fome e passei cheques sem cobertura para pedir uma pizza para o jantar.

Debatendo-me em mil e uma dificuldades para cuidar sozinha da minha filha, precisava de assistência governamental para a qual tinha direito – algumas centenas de dólares por mês em vales-alimentação, almoços escolares gratuitos, vales-creche e cupões para leite e queijo – enquanto eu simultaneamente trabalhava como empregada doméstica, fazendo malabarismo com 10 clientes entre ir às aulas para pagar os meus estudos. Muito poucos dos meus amigos sabiam. Eles não sabiam o trabalho que eu tinha para conseguir esses recursos – horas ao telefone, ficar na fila, entregar grandes pacotes para provar as minhas necessidades. Ver aqui

Pode ser absolutamente esmagador trabalhar tão duramente quanto possível, dia após dia, e mesmo assim ainda não ser suficiente para o pão de cada dia.

Foi dito que o dinheiro não pode comprar a felicidade, e isso é verdade, mas pode certamente tornar as coisas mais fáceis.

De acordo com um inquérito Gallup muito surpreendente, aqueles que estão a viver em situação de pobreza são cerca de duas vezes mais propensos a debaterem-se com a depressão do que aqueles que não estão….

Os americanos em situação de pobreza são mais propensos do que aqueles que não a defrontarem-se com uma ampla gama de problemas de saúde crónicos, e a depressão afeta desproporcionalmente os mais pobres. Cerca de 31% dos americanos em situação de pobreza dizem ter sido diagnosticados com depressão em algum momento das suas vidas, em comparação com 15,8% dos que não estão em situação de pobreza. Os americanos empobrecidos também são mais propensos a sofrer de asma, diabetes, pressão alta e ataques cardíacos – que estão provavelmente relacionados com o maior nível de obesidade encontrado neste grupo – 31,8% vs. 26% para adultos que não estão em situação de pobreza.

Depois de digerir estes números, algumas das coisas que vimos acontecer politicamente neste país começam a ganhar sentido. Os americanos estão a procurar a esperança, e assim muitos deles continuam a ir e voltar de um partido ao outro, na esperança que um deles possa encontrar algumas soluções que comecem a melhorar as suas condições de vida.

Infelizmente, o nosso sistema não foi corrigido e vivemos num momento em que a economia está a começar a abrandar de novo. Durante a última recessão, milhares de empresas sucumbiram, milhões de pessoas perderam os seus empregos e uma multidão de americanos já não podiam pagar as suas hipotecas. O mesmo irá novamente acontecer e isso será muito doloroso para a nossa sociedade.

Uma tendência que vai continuar a aumentar é a de diferentes gerações a viverem todas juntas sob o mesmo teto. Embora a economia dos EUA se tenha supostamente “recuperado” após a última recessão, essa é uma tendência que tem estado a crescer constantemente…

Um estudo realizado em 2014 pelo Pew Research Center constatou que 52% dos residentes dos EUA na casa dos seus 60 anos – 17,4 milhões de habitantes – estão a apoiar financeiramente um pai ou um jovem adulto, contra 45% em 2005. Entre eles, cerca de 1,2 milhões apoiam tanto um pai quanto um jovem, mais do que o dobro do número da década anterior, de acordo com uma análise dos resultados de Pew Research e dos dados do censo.

A pressão vem de ambos os lados. Com o aumento da esperança de vida, o número de pessoas na casa dos 60 anos com pais vivos mais do que dobrou desde 1998, para cerca de 10 milhões, de acordo com uma análise do Urban Institute da Universidade de Michigan, e os cuidados de saúde na velhice são cada vez mais caros. Ao mesmo tempo, muitos dos babyboomers estão a ajudar os seus filhos a lidar com problemas de carreira ou de saúde, ou estão a partilhar o pesado fardo dos empréstimos estudantis.

Por fim, temos de fazer o que temos de fazer para sobreviver, mês após mês.

Houve um tempo em que a “prosperidade sem fim” dos Estados Unidos parecia que iria continuar indefinidamente, mas agora entrámos numa era diferente.

O ritmo a que as coisas estão a mudar é chocante para os peritos. Apenas alguns meses atrás, muitos dos especialistas ainda estavam a falar sobre como a economia dos EUA estava “em forte expansão”, mas desde então terá occ uma grande mudança ocorreu. A maioria das principais notícias nos media tem sido sobre as enormes quedas no mercado de ações que temos testemunhado, mas as coisas também não estão a ir bem para a economia real. As vendas de casas estão em queda, as vendas de automóveis estão caindo, o apocalipse do mercado retalhista está a aumentar, a classe média continua a diminuir e o otimismo económico está rapidamente a evaporar-se. Não vimos nada como isto desde 2008, e muitos acreditam que a recessão económica que está agora sobre nós será ainda pior do que a que vivemos há uma década atrás.”

As coisas vão ser difíceis durante os dias que aí vêm e todos nós vamos precisar de mais flexibilidade do que nunca.

 

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