A mitologia do «dia D» ou o que realmente aconteceu na Venezuela a 23 de Fevereiro. Por AbrilAbril.

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Seleção de Francisco Tavares

Obrigado a José Goulão e a AbrilAbril

 

A mitologia do «dia D» ou o que realmente aconteceu na Venezuela a 23 de Fevereiro

Publicado por AbrilAbril, em 25 de fevereiro de 2019

Quem queimou os camiões da «ajuda humanitária»? O que transportavam? Que papel teve a Guarda Nacional Bolivariana? Desvendamos os «falsos positivos» de um dia marcado por informação enganosa.

Venezuela 18 dia d 23F 1

 

Quem incendiou os camiões?

A Ponte Internacional Francisco de Paula Santander, na fronteira da Venezuela com a Colômbia, foi um dos cenários escolhidos pela extrema-direita venezuelana para o denominado «falso positivo». A estação de televisão TeleSur revelou que quatro camiões estavam estacionados em solo colombiano com a propalada «ajuda humanitária» da Agência Norte-Americana para o Desenvolvimento Internacional (USAID), com ligações à CIA.

Venezuela 18 dia d 23F 2 Rey Gómez @ReyGomezteleSUR

(+FOTOS) Para quien aún sostiene la (hipó)tesis de que la gandola con “ayuda humanitaria” en la frontera entre #Venezuela y #Colombia hoy fue quemada por “las lacrimógenas que lanzaron militares de @NicolasMaduro” (una #FakeNews más clara que el agua), aquí le dejo otras pruebas:

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18:40 – 23 de fev de 2019

 

Na tarde de sábado, segundo testemunhos divulgados pela estação venezuelana, grupos violentos da oposição incendiaram dois desses camiões com cocktails Molotov, tendo incriminado de seguida a Guarda Nacional Bolivariana e a Polícia Nacional Bolivariana.

 

Que tipo de «ajuda humanitária» transportavam? 

Um correspondente da TeleSur revelou que foram encontrados pregos, fios e apitos nos camiões queimados junto à fronteira, na localidade de Ureña. Materiais que seriam usados nas «guarimbas»: acções de violência caracterizadas pelo encerramento arbitrário de ruas, agressões com objetos contundentes, fios colocados à altura do pescoço e disparos. Este tipo de ofensiva contra o governo de Nicolás Maduro foi iniciado pela extrema-direita em fevereiro de 2014, data em que morreram 43 pessoas.

 

Que responsabilidade teve a Guarda Nacional Bolivariana nos incêndios?

As imagens mostram que os elementos da Guarda Nacional Bolivariana estavam em posição de defesa e resistência, em solo venezuelano, enquanto à sua frente deflagravam os incêndios.

Venezuela 18 dia d 23F 5 teleSUR TV‏Conta verificada @teleSURtv

#ENVIDEO | Así quedó grabado el origen del incendio de los dos camiones de la supuesta “ayuda humanitaria” en la frontera colombo-venezolana. Se desmonta otra operación de #BanderaFalsa contra Venezuela Vía @NoticiasUno

14:36 – 24 de fev de 2019

 

Onde estava a Cruz Vermelha?

Enquanto se queimavam camiões foi possível observar pessoas com coletes da Cruz Vermelha. Perante as imagens, o Comité Internacional da Cruz Vermelha viu-se na obrigação de desmentir a sua participação na operação de ingerência levada a cabo pelos EUA com a extrema-direita venezuelana, tendo criticado a utilização abusiva do seu nome na dita operação «humanitária».

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Os camiões chegaram a solo venezuelano?

Não. Tampouco ultrapassaram a fronteira com o Brasil, apesar de Juan Guaidó ter afirmado no Twitter que um primeiro carregamento tinha passado entre a cidade brasileira de Picaraima e Santa Elena de Uairén, na Venezuela. Os repórteres no local, designadamente um jornalista da CNN, testemunharam que nenhum camião passou para solo venezuelano.

O governo de Nicolás Maduro fechou as fronteiras terrestres com a Colômbia e o Brasil, e marítimas, com as ilhas holandesas de Aruba, Bonaire e Curaçao, para impedir que os carregamentos dos EUA entrassem na Venezuela.

A «ajuda humanitária», expressão que tem servido de pretexto para liquidar a soberania de vários países, foi denunciada por Caracas como uma tentativa de promover o caos, o fornecimento de armas aos grupos paramilitares e uma intervenção armada externa na Venezuela.

 

Houve deserção de militares bolivarianos?

Nas primeiras horas da manhã de sábado, três desertores da Guarda Nacional Bolivariana investiram com dois carros blindados roubados contra o cordão de segurança junto à Ponte Internacional Simón Bolívar, tendo ferido com gravidade várias pessoas, entre as quais uma agente venezuelana e uma fotógrafa chilena, e chegaram à Colômbia, onde foram recebidos por deputados da extrema-direita venezuelana, com a cumplicidade da polícia colombiana.

Venezuela 18 dia d 23F 7@RalitoDigital 👨🏻💻‏ @RalitoDigital

Venezuela 18 dia d 23F 8¡ALERTA! Lo que dijo, Nicole Kramm, periodista chilena que fue herida durante #FalsPositivo en la frontera: “Querían matar a la gente que estaba en la frontera. Me salvé por poco. No puedo creer que los presenten como héroes”. ¡VAMOS A HACERLO VIRAL!  Últimas Noticias

0:04  67,7 mil visualizações, 11:00 – 23 de fev de 2019

https://youtu.be/7lodtjSJdAo

 

«Não disparem, é um dos nossos», gritou um dos deputados da oposição, deixando perceber que se tratava de um acto planeado e não de uma «deserção massiva» nas fileiras militares bolivarianas.

 

Texto original em https://www.abrilabril.pt/internacional/mitologia-do-dia-d-ou-o-que-realmente-aconteceu-na-venezuela-23-de-fevereiro

 

 

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