NÚMERO INDETERMINADO por Luísa Lobão Moniz

Professora agredida por uma mulher numa escola do Porto.

Onze mulheres mortas desde o dia 1 de Janeiro.

Número indeterminado de mulheres mal tratadas.

Número indeterminado de mulheres vítimas de violências várias, em casa, na rua, no trabalho.

Cento e vinte e seis homens detidos (?) por violência contra mulheres.

Vários homens agressores de mulheres em casa com proibição de se aproximarem das vítimas.

Outras tantas vítimas tiveram que sair de casa porque o agressor voltou para casa ficando a aguardar julgamento.

Juízes  dão o aval a juiz, que desculpabiliza agressor de mulher, para salvar a honra do homem.

Número indeterminado de crianças que são vítimas da violência vivida em casa.

Número indeterminado de crianças com problemas cognitivos e comportamentais por assistirem à violência de que as mães são vítimas.

Número indeterminado de mulheres que não fazem queixa na polícia por serem vítimas de agressões porque têm medo.

Número indeterminado de agentes policiais sem formação para lidar com casos de violência contra as mulheres.

Falta de segurança física para as mulheres que fazem queixa dos homens que lhes batem.

FALTA DE MOVIMENTOS CÍVICOS QUE SE ORGANIZEM CONTRA A VIOLÊNCIA SOBRE MULHERES E CRIANÇAS.

É PRECISO UMA COMUNIDADE INTEIRA PARA QUEBRAR ESTE CICLO DE SILÊNCIO E DE VIOLÊNCIA.

AFINAL O MOVIMENTO ME TOO FICOU-SE PELAS MULHERES RICAS E PODEROSAS!

Mas nem tudo é mau, há quatro anos atrás as mulheres que falaram sobre a violência de que foram vítimas não mostraram a cara, por medo. Hoje aparecem no programa “Prós e Contras”  e dão a cara.

O caminho percorrido tem visibilidade, mas há que dar força a esta luta contra a violência sobre as mulheres.

Ainda acredito que o número de mulheres mal tratadas possa diminuir bastante, ainda acredito que o número de agressores de mulheres seja uma excepção, que as crianças sejam educadas a respeitarem a igualdade entre todos os diferentes.

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