EM PROL DA FELICIDADE por Luísa Lobão Moniz

 

É do domínio colectivo das sociedades que homem e mulher têm diferentes papéis e funções nas comunidades.

Todas as culturas têm no seu imaginário o que pertence a cada um e a cada uma, apesar de terem definido esses papéis e funções de forma diferente.

Culturas há em que o papel da mulher é mais preponderante do que o do homem, e outras ainda, em que os papéis e funções são mais igualitários.

Então a mulher é para ser submissa, o homem é para ser o criador de regras, o que tem mais visibilidade política?

Como a História do quotidiano nos tem demonstrado a mudança de padrões de comportamento tem modificado as sociedades. O comportamento do homem e da mulher é influenciado pelas regras e valores colectivos e pela personalidade de cada um ou de cada uma.

 Em todas as épocas há pessoas de ambos os géneros que quebram as regras, são desclassificadas socialmente, mas mais tarde vêem a sua rebeldia tornada realidade.

A mulher, hoje em dia, vai ao café sozinha e pode fumar, sem que seja incomodada por ninguém, tornou-se natural e não criticável.

O homem pode entrar no café com o seu filho bebé, ao colo e com o saco dos biberons,  e das fraldas a tiracolo, que ninguém critica.

O reconhecimento dos diferentes comportamentos de género é indicativo que as funções sociais da mulher e do homem também podem ser mudadas.

O que torna uma sociedade mais livre, além da sua organização social – a democracia até se encontrar outra melhor – é a igualdade de papéis e funções, sem descurar as diferenças inerentes ao facto de se ser do sexo feminino ou do sexo masculino.

Não podemos ignorar as diferenças hormonais, as diferenças sexuais exteriores que tornam homem e mulher diferentes, e ainda bem.

 Os padrões de comportamentos têm que ser assumidos pela sociedade, nesta época em que vivemos, em todos os segundos há quem ponha em causa o papel dominador e violento do homem sobre a mulher.

A sociedade penaliza a mulher e desculpa o homem.

Se a mulher se enamora por outro homem é uma mulher que não respeita o” marido” nem os filhos, se o homem se enamora ou desfruta de prazer com outra mulher é um homem charmoso que não quer magoar “a esposa” e por isso tem sempre uma desculpa para a sua ausência.

Quando uma mulher é bonita e atraente, se tem sucesso é porque os atributos do corpo pesaram mais do que os profissionais. Se um homem bonito e sedutor tem sucesso é porque é bom profissional.

A violência do homem sobre a mulher não é alheia a estas disparidades entre géneros.

Violência não é só pancada, ameaça ou insulto, é também discriminação subtil, quantas vezes ridicularizada pelos que estão, aos poucos, aos poucochinhos, a perder algum poder.

Não nos enganemos, não é o que perde o poder que vai dar o primeiro passo para a igualdade, mas se não o fizer, quando acordar para a realidade vai-se sentir humilhado e não é isso a liberdade para a mudança de padrões de comportamento.

Sempre que um homem usa o seu poder contra uma mulher não está a contribuir para uma melhor sociedade, mas se o usa com uma mulher, aí sim, a sociedade deu um passo na humanidade em prol da felicidade.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

%d bloggers like this: