CARTA DE BRAGA – “Amen” por António Oliveira

Aqui há umas semanas e, no meu portátil, tive a inconsciência de clicar na imagem de uns sapatos, só por me terem parecido jeitosos para esta época!

Passados que foram dois dias, em qualquer site que frequente ou apenas abra, logo me aparecem mais anúncios de sapatos, para todas as épocas do ano e com os mais variados preços.

Sempre tive muitas dúvidas em fazer compras online por gostar de as ter na mão, de as ‘sentir’, qualquer que seja a interpretação que possam fazer desta palavra, mas a reacção à inconsciência do meu click, afastou para todo o sempre qualquer tentativa de algum dia o vir a fazer!

Aliás e nem de propósito, leio num jornal nacional (DN, 21.06), que a indústria dos anúncios respondidos está a processar, em tempo real e de forma ilegal, os dados pessoais dos utilizadores.

Acontece então que, quando se visita uma página web, várias empresas licitam entre si para mostrar os seus anúncios aos utilizadores, nos espaços reservados para publicidade.

Isso quer dizer que o meu pequeno e inconsciente click num anúncio de sapatos, originou que já os esteja a vomitar, por nem os conseguir banir do ecrã do portátil (felizmente, não uso mais nenhum!).

Mas fiquei com uma dúvida que, com toda a certeza, não me vai deixar dormir enquanto os ‘gajos’ não me tirarem os sapatos do ecrã – o que terá dado tanta importância ao click? o sapato, o ecrã, a ponta do meu dedo, a inconsciência, a ingenuidade (!?!), ou a hora matinal do clicar?

A ciência só conta o que se vê e o que se mede, mas não o faz do que se pode intuir, do que se pode efabular, do que se pode imaginar!

Nos tempos onde hoje vivemos, com as fábulas e a imaginação a obedecer a letras contadas (140!), aquela invasão diluviana de anúncios transformou-se num ingrediente crítico, irrevogável e censório, por nos deixar tão expostos como ficam as peças depois de penduradas num modesto açougue de feira.

Foram as consequências de um curto e desditoso mas pesadíssimo click, mas as que me levam a concordar totalmente com o analista político John Keane, ‘Permitir à Google e ao Facebook que se regulem a si mesmos, é o mesmo que deixar uma cabra a tomar conta do jardim!

Amen!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

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