Vou, nesta Carta, transcrever dois pequenos apontamentos tirados de órgãos de comunicação com públicos e ambições distintos, mas que se completam bem, só para propor um exercício!
O primeiro apontamento foi tirado de um artigo ‘Opiniões de um robot‘ da autoria do ex-embaixador espanhol no Reino Unido, Carles Casajuana, publicado no jornal “La Vanguardia” em 2 de Setembro último.
«Philip K. Dick, o clássico da ficção científica, imaginou um dia em que um ser humano dispararia um tiro a um ordenador e ficaria surpreendido por o ver chorar e sangrar e, o ordenador moribundo sacaria uma pistola e dispararia também, surpreendendo-se por ver sair de um aparelho eléctrico alojado no coração do humano, uma coluna de fumo cinzento. “Seria o grande momento da verdade para os dois”, escreveu.
Vendo o que os ordenadores são capazes de fazer e o número de pessoas que em lugar do cérebro têm um telemóvel e, em vez do coração uma bateria recarregável, talvez não estejamos tão longe desse dia como pensamos».
O segundo apontamento foi tirado da entrevista ao neurocientista português António Damásio, publicada no número de Setembro do “Philosphie Magazine”, com o título ‘Sans emotions, vous prenez toujours les mauvaises decisions‘.
«As emoções são construídas com a ajuda do cérebro humano no corpo, o seu substrato específico. E por isso, devemos equipar os sistemas de IA com um substrato, uma espécie de interioridade que se possa mudar a si mesma ou modificada por um programa. Também tem a ver com aquilo a que, na nossa cultura, chamamos ‘coração’.
É necessário um ordenador que tenha coração, e penso que não estamos longe de poder reconciliar a oposição entre os defensores das ciências cognitivas e os psicólogos das emoções, que marcou os anos 80 do século XX.
-É ficção científica! Quando é que uma máquina dessas poderia ser construída?
-Mais cedo do que possa pensar. Acredite que é possível construir tais programas!»
O exercício que proponho, é fazer uma ligação entre os dois apontamentos, mas tentando sublimar o dramatismo do primeiro, mesmo com os telemóveis, a que se podem juntar todas as tecnologias com que nos vão ‘actualizando‘.
É o futuro! Só sabemos que a normalização já impera!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor