CARTA DE BRAGA – “de corvos e de Narciso” por António Oliveira

 

Vejam se ainda há corvos na Torre de Londres!

Antigamente, dizia-se que havia corvos naquela torre, para proporcionar uma experiência mais ‘gótica’ aos turistas que a visitavam. Na realidade até foram usados, não oficialmente, na Segunda Guerra Mundial, para avisar da chegada dos bombardeiros alemães.

Esta útil e bem necessária ‘profissão’ também deu origem à lenda ‘A Inglaterra cairá quando os corvos abandonarem a Torre de Londres’.

Não sei se o boris gosta de corvos ou se os corvos gostam do boris e, confesso, que esses gostos não me preocupam grandemente mas, o rapaz boris já assinou a saída oficial de parte da Grã Bretanha da Europa. Há partes que ainda estão por definir, a ver pelas notícias que vão circulando pela maioria dos órgãos de informação.

A Europa poderá ultrapassar a saída daquela parte, mas a UE é só um espaço com um modelo democrático e aberto, algo solidário e humanista, mas mais ao alcance das manobras do patético loiro americano e do inescrutável patrão russo, com os chineses à espreita para ver com quem poderão vir a fazer muitos negócios, bons e baratos.

O que me parece, não sendo eu um especialista neste imbróglios, é que estamos todos à espera de ver quais as atitudes, mais ou menos estapafúrdias e incríveis, que o boris e o amigo americano de loiro tingido, poderão tomar, talvez assumir, nos próximos tempos, para tentar alguma atitude, mas sabendo já haver muitos amigos dos dois cá no espaço.

Só que nem sempre (quase nunca) se podem prever os caminhos em que aquelas ‘cabeças’ poderão tentar atinar (tenho dificuldade em arranjar outro termo!).

Aliás, Zygmunt Bauman citando o poeta Paul Valéry, no prólogo de ‘A modernidade líquida’, salienta mesmo ‘Interrupção, incoerência, surpresa são as condições comuns da nossa vida. Tornaram-se mesmo necessidades reais para muitas pessoas, cujas mentes deixaram de ser alimentadas por outra coisa que não mudanças repentinas e estímulos constantemente renovados’.

E referindo que já nem se pode saber o que fazer para que o tédio dê frutos, acaba por perguntar ‘pode a mente humana dominar o que a mente humana criou?

Confesso, humildemente também que, ao olhar para aqueles dois, não sou capaz de dar uma qualquer resposta, mas vejo que o verdadeiro símbolo destes tempos é Narciso (não sei de algum futeboleiro com este nome), individualista, cliente permanente de um qualquer ecrã, onde se pode ‘ver’ pela quantidade de ‘amigos’ que colecciona, mas esquecendo o valor da palavra por não ser capaz de ultrapassar a dimensão ridícula do tweet!

Tenho algumas dúvidas sobre a maneira de terminar esta Carta, mas agora como noutras ocasiões semelhantes, lembro-me de Orson Welles ‘Se queres um final feliz, só dependes de onde queres parar a história’.

Mas avisem-me se desaparecerem os corvos da Torre de Londres!

António M. Oliveira

Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor

 

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