Tempos de pandemia, de disfuncionamento da justiça, de disfuncionamento dos mercados, de apostas selvagens em Wall Street – 3. ARCHEGOS E AS APOSTAS SELVAGENS DE WALL STREET – 3B. A HISTÓRIA DA ARCHEGOS: 4. SEC abre inquérito sobre o caos de Archegos, Deutsche Bank confirma “Venda Rápida” para evitar todas as perdas. Por Tyler Durden 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

 

3B. A história da Archegos – 4. SEC abre inquérito sobre o caos de Archegos, Deutsche Bank confirma “Venda Rápida” para evitar todas as perdas 

 

Por TYLER DURDEN

Publicado por em 31 de Março de 2021 (ver aqui)

 

 

À medida que se vão conhecendo mais detalhes do infame descalabro em torno da Archegos, fundo filho do fundo Tiger, cujas enormes exposições baseadas em derivados se espalharam para o mercado global e se transformaram na maior e mais dolorosa chamada de margem a atingir Wall Street desde o caso do Lehman, sabemos agora que pelo menos seis corretores principais se esforçaram para desfazer o que é a maior explosão de fundos de cobertura desde LTCM [N.T. Long-Term Capital Management, fundo que colapsou em 1998] sem percutir sobre o mercado global.

Para “ganhar a vida neste negócio… sê o primeiro, sê o mais esperto, ou faz batota…”.

 

Notámos anteriormente que Morgan Stanley e Goldman Sachs foram os “primeiros” a quebrar fileiras e a rejeitar os esforços dos emissários do Credit Suisse que tentaram criar um consenso para desenvencilhar as posições sem desencadear o pânico.

Como agora também sabemos, Nomura e Credit Suisse que hesitaram e não sabiam o que fazer, viram as suas ações serem esmagadas e os seus prémios de cobertura de risco de contraparte a explodirem cada vez mais alto.

 

E hoje recebemos a confirmação de que o Deutsche Bank estava entre os primeiros desertores teóricos do jogo, pois a Bloomberg relata que o grande banco alemão vendeu cerca de 4 mil milhões de dólares de participações apanhadas na implosão da Archegos Capital Management numa grande transação privada na sexta-feira.

Não está claro se a venda do Deutsche Bank foi a uma empresa ou a um consórcio. Se fosse um único comprador, seria a maior transação conhecida a emergir do desenrolar confuso da enorme carteira de Hwang.

Também se eleva a quase 30 mil milhões de dólares o valor conhecido dos investimentos da Archegos que foram liquidados até à data.

O Deutsche Bank junta-se à Wells Fargo no grupo dos principais corretores que – alegadamente emergem incólumes desta derrocada.

 

E agora, como é habitual após uma grande explosão do mercado, a Securities and Exchange Commission (SEC) iniciou uma investigação preliminar sobre Bill Hwang, sobre os seus negócios alavancados que agitaram Wall Street.

A Bloomberg informa que, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto, que pediu para não ser nomeada porque o inquérito não é público, o exame está na sua fase inicial e está a ser conduzido pelo grupo de gestão de ativos da divisão de execução da SEC.

Como lembrete, não é a primeira vez que Hwang está na mira da SEC.

Em 2012, o seu antigo fundo de cobertura, Tiger Asia Management, confessou-se culpado e pagou mais de 60 milhões de dólares em sanções, depois de a SEC e os procuradores dos EUA o terem acusado de negociar com base em informações ilegais sobre bancos chineses. Hwang abriu a Archegos, uma empresa familiar de gestão de património, após as sanções, uma vez que a SEC o expulsou da indústria dos fundos de cobertura, proibindo-o de gerir dinheiro em nome dos clientes.

Estamos ansiosos por ver o que vão fazer desta vez? E talvez mais notavelmente, terá isto um impacto sistémico em todo o mercado de swaps de retorno total/Contratos-Por-Diferença em ações dos EUA que passam fora do alcance do radar regulamentar (e como acabamos de testemunhar no caso Hwang, pode levar a enormes riscos desconhecidos para o sistema financeiro).

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O autor: Tyler Durden é um pseudónimo sob o qual escrevem os analistas da ZeroHedge. O fundador e editor principal de ZeroHedge foi identificado como sendo Daniel Ivandjiiski [1978-], búlgaro de nascimento, licenciado pelo American College de Sófia. Entretanto mudou-se para os Estados Unidos onde estudou biologia molecular na Universidade da Pensilvânia. Em Julho de 2001, juntou-se ao New York Investment Bank, Jefferies & Co. Passou nos seus exames de -valores Mobiliários em Novembro de 2001 (Série 7 e Série 63). Em Outubro de 2004, juntou-se ao banco de investimento Imperial Capital LLC, sediado em Los Angeles, antes de voltar a Nova Iorque em Maio de 2005 para se juntar ao banco de investimento Miller Buckfire LLC. Enquanto esteve na Miller Buckfire, Ivandjiiski foi acusado pela FINRA de ganhar US$780 de uma operação com informação privilegiada a 14-15 de Março de 2006, e por decisão da FINRA em 2008 veio a ser impedido de actuar como corretor ou de se associar de outra forma a uma firma de corretagem, e de ser membro da FINRA. Em Setembro de 2007, antes da decisão da FINRA, Ivandjiiski mudou-se para o fundo de cobertura Wexford Capital LLC, sedeado em Connecticut, dirigido por antigos operadores da Goldman Sachs. Após a decisão da FINRA, Ivandjiiski deixou Wexford Capital, e dentro de poucas semanas publicou o seu primeiro blogue no site Zero Hedge em 9 de Janeiro de 2009. (consultado em Wikipedia, aqui).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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