Da histeria na diabolização à necessidade em silenciar as vozes discordantes – Reflexões sobre a atual cacofonia em torno da guerra na Ucrânia — Texto 5. Mais uma guerra entre demasiadas no Planeta Terra.  Por Rajan Menon

Nota de editor

Este quinto texto tem a característica de não se colocar perante as realidades expostas nos textos anteriores e, assim, coloca-se no mesmo plano que aqueles que me criticam: há um país invasor e um país invadido. Tem os clichés habituais da narrativa dominante do chamado Ocidente. Diz R. Menon que decidiu agora “olhar para além do momento e tentar imaginar como este inferno poderia de facto acabar. E curiosamente, fá-lo num momento em que “as coisas começaram a mudar. Os russos já estavam então concentrados em tomar a região de Donbas. E pouco a pouco, as vantagens da Rússia (…) começaram a dar os seus frutos“.

Vale a pena lê-lo e apesar disso chega-se à mesma conclusão de que temos defendido: é necessário negociar a paz e urgentemente. Como conclui o autor “Isto precisa de acabar: O sofrimento e a destruição na Ucrânia e a agitação económica que a guerra produziu no Ocidente deveriam ser razões suficientemente convincentes para pôr fim a esta situação“.


 

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

15 m de leitura

Texto 5. Mais uma guerra entre demasiadas no Planeta Terra

 

 Por Rajan Menon

Publicado por  em 26 de Junho de 2022 (original aqui)

 

Considere duas realidades estranhas da guerra da Ucrânia neste país. A primeira é que um Congresso aparentemente incapaz de concordar em gastar dinheiro em questões que seriam verdadeiramente importantes para tantos americanos – como a luta contra a pobreza infantil – tem-se mostrado extraordinariamente ansioso por desembolsar repetidamente somas impressionantes em ajuda militar e humanitária aos ucranianos em guerra. Em meados de Maio, essa ajuda tinha atingido 54 mil milhões de dólares e outros mil milhões em breve estarão a sair. Sim, de facto, os ucranianos merecem apoio contra a brutal invasão russa, mas por isso, pensar-se-ia, que se deveria fazer o mesmo para com as crianças americanas em situação de dificuldade, de pobreza.

A segunda é que a guerra que ocupou os noticiários abafando tudo o resto quando a invasão de Vladimir Putin começou em Fevereiro – que parecia inevitável se ligasse a sua televisão ou simplesmente abrisse o seu computador – a guerra que todos os noticiários queriam cobrir durante a noite com os seus jornalistas de topo ou mesmo os seus apresentadores mais importantes, é agora mais feroz e devastadora. No entanto, na maioria das noites, é pouco mais do que uma nota de rodapé nas notícias. Ainda assim, quer seja grande título ou nota de rodapé, continua a ser muito forte, demasiado perto do coração da Europa e – desde a contínua utilização excessiva de combustíveis fósseis num planeta aquecido até à possibilidade de fome generalizada em partes significativas do nosso mundo graças à falta de cereais ucranianos e russos – tudo é demasiado perigoso para o resto de nós.

Neste ponto da nossa história, uma tal guerra é uma espécie de loucura, mesmo que essa loucura se tenha tornado em grande parte uma nota de rodapé nas nossas vidas. Tendo isso em mente, o colaborador regular de TomDispatch Rajan Menon (que foi, creio eu, a primeira pessoa a revelar como a invasão russa poderia induzir a situações de fome generalizada em regiões significativas do planeta) considera um assunto que deveria ser importante para todos nós: Como é que poderá  a guerra da Ucrânia acabar realmente um dia, pois deve acabar, não deve? Neste momento, neste planeta, não pode acontecer suficientemente depressa, embora a administração Biden pareça não ter pressa em começar a trabalhar diplomaticamente para tentar apressar o seu fim.

Tom


Acabar com a guerra na Ucrânia

Três cenários possíveis

Por Rajan Menon

 

Quando a Rússia invadiu a Ucrânia a 24 de Fevereiro, eu estava a incorporar-me num novo posto de trabalho e em pleno trabalho letivo. Mas essa guerra rapidamente sequestrou a minha vida. Passei a maior parte do meu dia a ler vários jornais, revistas, blogs, e o Twitter de várias fontes militares, alguns dos quais foram catapultados pela guerra desde a obscuridade para um mínimo de glória. Depois há todos esses sites para verificar, os seus mapas codificados por cores e os seus resumos diários que apanham as rápidas voltas e reviravoltas desse conflito.

No entanto, não pense que estou a escrever isto como um lamento. Tenho sorte. Tenho uma vida boa e segura e sigo os acontecimentos aqui desde o conforto do meu apartamento em Nova Iorque. Para os ucranianos, a guerra é tudo menos um tema de estudo. É uma presença diária e mortífera. As vidas de milhões de pessoas que vivem ou fugiram da zona de guerra foram estilhaçadas. Como todos nós sabemos demasiado bem, muitas das cidades daquele país foram muito danificadas ou encontram-se em ruínas, incluindo as casas e edifícios de apartamentos das pessoas, os hospitais de que outrora dependiam quando estavam doentes, as escolas para onde enviavam os seus filhos, e as lojas onde compravam alimentos e outros bens de primeira necessidade.  Até as igrejas foram atingidas. Além disso, quase 13 milhões de ucranianos (incluindo quase dois terços de todas as suas crianças) estão deslocados no seu próprio país ou refugiados em várias partes da Europa, principalmente na Polónia. Milhões de vidas, por outras palavras, foram viradas do avesso, enquanto um regresso a algo que se assemelha à normalidade parece agora fora de alcance.

Ninguém sabe quantos civis (não combatentes) foram abatidos por balas, bombas, mísseis ou artilharia. E tudo isto foi tornado muito pior devido aos crimes de guerra que os russos cometeram. Como é que uma sociedade traumatizada como a Ucrânia se volta a tornar inteira?  E, numa situação tão desastrosa, o que poderá o futuro reservar?  Quem sabe?

Para quebrar a minha rotina diária de seguir de tão longe esse pesadelo contínuo, decidi olhar para além do momento e tentar imaginar como este inferno poderia de facto acabar.

 

Linhas de batalha atuais

É fácil esquecer quão ousada (ou precipitada) foi a decisão do Presidente russo Vladimir Putin de invadir a Ucrânia. Afinal, à parte a Rússia, a Ucrânia é o maior país da Europa em área terrestre e o seu sexto maior em população. É verdade que Putin tinha agido agressivamente antes, mas numa escala muito mais modesta e cuidadosa, anexando a Crimeia e promovendo a ascensão de dois enclaves separatistas em partes de Donbas, as províncias ucranianas orientais de Lugansk e Donetsk, que são áreas industriais e ricas em recursos adjacentes à Rússia. Nem a sua intervenção de 2015 na Síria para salvar o governo de Bashar al-Assad foi uma aposta de louco. Não enviou para lá tropas terrestres, contando apenas com ataques aéreos e ataques de mísseis para evitar um atoleiro ao estilo do Afeganistão.

A Ucrânia, no entanto, foi um ato genuinamente precipitado. A Rússia começou a guerra com o que parecia ser uma enorme vantagem por qualquer medida imaginável – desde o produto interno bruto (PIB) ao número de aviões de guerra, tanques, artilharia, navios de guerra, e mísseis. Não é de admirar, talvez, que Putin tenha assumido que as suas tropas tomariam a capital ucraniana, Kiev, no prazo máximo de semanas. E ele não estava sozinho. Os peritos militares ocidentais estavam convencidos de que o seu exército faria um trabalho rápido com o seu homólogo ucraniano, mesmo que os militares deste último tivessem, desde 2015, sido treinados e armados pelos Estados Unidos, Grã-Bretanha, e Canadá.

No entanto, a campanha para conquistar as principais cidades – Kiev, Chernihiv, Sumy, e Kharkiv – falhou desastrosamente. O moral dos ucranianos permaneceu elevado e as suas táticas militares eram habilidosas. No final de Março, a Rússia tinha perdido tanques e aviões no valor estimado de 5 mil milhões de dólares, para não falar de até um quarto das tropas que tinha enviado para a batalha. O seu sistema de abastecimento militar revelou-se chocantemente inepto, quer para a reparação de equipamento quer para a entrega de alimentos, água e material médico à frente.

Subsequentemente, no entanto, as forças russas fizeram ganhos significativos no sul e sudeste, ocupando parte da costa do Mar Negro, província de Kherson (que fica a norte da Crimeia), a maior parte de Donbas no leste, e a província de Zaporozhizhia no sudeste. Também criaram um corredor terrestre irregular que liga a Crimeia à Rússia pela primeira vez desde que essa área foi tomada em 2014.

Ainda assim, a campanha do norte e as falhas em série de um exército que tinha sido injetado com vastas somas de dinheiro e supostamente sujeito a uma modernização e reforma generalizadas foi espantosa. Nos Estados Unidos, a intrépida resistência ucraniana e os seus sucessos no campo de batalha depressa produziram uma narrativa distintamente otimista daquele país como o justo David defendendo as regras e normas da ordem internacional contra o Golias russo de Putin.

Em Maio, no entanto, as coisas começaram a mudar. Os russos já estavam então concentrados em tomar a região de Donbas. E pouco a pouco, as vantagens da Rússia – linhas de abastecimento mais curtas, terreno mais adequado para a guerra blindada, e uma vantagem esmagadora em armamento, especialmente artilharia – começaram a dar os seus frutos. Mais ameaçadoramente, as suas tropas começaram a cercar uma grande parte das forças de combate testadas e melhor treinadas da Ucrânia em Donbas, onde cidades como Sievierodonetsk, Lysychansk, Lyman, e Popasna foram subitamente notícia de primeira página.

Agora, à beira de… bem, quem sabe o quê, eis três cenários possíveis para o fim desta guerra cada vez mais devastadora.

 

1. Partição De Facto

Se – e, claro, tenho de sublinhar aqui o condicional, dada a evolução repetidamente imprevista desta guerra – o exército de Putin tomar toda a região de Donbas mais toda a costa do Mar Negro, tornando a Ucrânia mais pequena e sem litoral, ele poderá declarar a sua “operação militar especial” um sucesso, proclamar um cessar-fogo, ordenar aos seus comandantes que fortifiquem e defendam as novas áreas que ocupam, e de colocar aos ucranianos o desafio de expulsar as tropas russas ou de se contentarem com uma divisão de facto do país.

Putin poderia responder a quaisquer esforços ucranianos para recuperar terras perdidas com ataques aéreos e de mísseis. Estes só exacerbariam o colossal golpe económico que a Ucrânia já sofreu, incluindo não só infra-estruturas e indústrias danificadas ou destruídas, um défice orçamental mensal de 5 mil milhões de dólares, e um declínio previsto de 45% do PIB este ano, mas milhares de milhões de dólares em receitas perdidas porque não consegue expedir as suas principais exportações através do Mar Negro, dominado pela Rússia. Uma estimativa do custo da reconstrução da Ucrânia em Abril variava entre 500 mil milhões de dólares e 1 milhão de milhões de dólares, muito além dos meios de Kiev.

Assumindo, por outro lado, que a Ucrânia aceitasse uma divisão, perderia um território substancial e o Presidente Volodymyr Zelensky poderia enfrentar um espantoso contratempo em casa. Ainda assim, ele pode ter pouca escolha, uma vez que o seu país poderia achar insuportável a tensão económica e militar de lutas intermináveis.

Os apoiantes ocidentais da Ucrânia também podem ficar cansados da guerra. Começaram agora a sentir o golpe económico da guerra e das sanções impostas à Rússia, dor que só vai aumentar. Embora essas sanções tenham de facto prejudicado a Rússia, também contribuíram para o aumento dos preços da energia e dos alimentos no Ocidente (mesmo com Putin a lucrar ao vender o seu petróleo, gás e carvão a preços mais elevados). A taxa de inflação americana, de 8,6% no mês passado, é a mais alta dos últimos 40 anos, enquanto que o Gabinete do Orçamento do Congresso reviu à baixa as estimativas de crescimento económico – 3,1% este ano – para 2,2% para 2023 e 1,5% para 2024. Tudo isto à medida que as eleições intercalares se aproximam e a taxa de aprovação de a Biden, agora com apenas 39,7%, continua a afundar-se.

A Europa também se encontra em dificuldades económicas. A inflação na Zona Euro foi de 8,1% em Maio, a mais alta desde 1997, e os preços da energia explodiram. Poucos dias após a invasão russa, os preços europeus do gás natural tinham saltado quase 70%, enquanto o petróleo atingiu 105 dólares por barril, uma alta de oito anos. E a crise continua. A inflação na Grã-Bretanha, a 8,2%, é a pior desde 1982. A 8 de Junho, os preços da gasolina atingiram uma alta de 17 anos. A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Económico prevê que as economias francesa, alemã e italiana (as três maiores da Europa) irão contrair-se para o resto deste ano, com apenas a França a registar um crescimento anémico de 0,2% no quarto trimestre. Ninguém pode saber ao certo se a Europa e os EUA estão a caminho de uma recessão, mas muitos economistas e líderes empresariais consideram-na provável.

Tais ventos adversos económicos, juntamente com a diminuição da euforia inicial criada pelos impressionantes sucessos no campo de batalha da Ucrânia, poderiam produzir “cansaço da Ucrânia” no Ocidente. A guerra já perdeu proeminência nos grandes títulos dos noticiários. Entretanto, os maiores apoiantes da Ucrânia, incluindo a administração Biden, poderão em breve ver-se preocupados com os desafios económicos e políticos em casa e cada vez menos ansiosos por manter milhares de milhões de dólares em ajuda económica e armamento a fluir.

A combinação do cansaço da Ucrânia e dos sucessos militares russos, por muito dolorosa e brutalmente ganhos que tenham sido, pode ser precisamente aquilo em que Vladimir Putin está a apostar. A coligação ocidental de mais de três dúzias de Estados é certamente formidável, mas ele é suficientemente sábio para saber que as vantagens da Rússia no campo de batalha poderiam tornar cada vez mais difícil para os EUA e os seus aliados manter a sua unidade. A possibilidade de negociações com Putin foi levantada em França, Itália, e Alemanha. A Ucrânia não será cortada económica ou militarmente pelo Ocidente, mas poderá ser cada vez mais difícil encontrar um apoio ocidental à medida que o tempo passa, apesar das garantias verbais de solidariedade.

Tudo isto poderia, por sua vez, preparar o cenário para um cenário de partição de facto.

 

2. Neutralidade com adoçantes

Antes da guerra, Putin pressionou para uma Ucrânia neutra que renunciasse a todas as alianças militares. Não, disseram tanto a Ucrânia como a NATO. A decisão dessa aliança, na sua cimeira de Bucareste de 2008, de abrir a porta àquele país (e à Geórgia) foi irrevogável. Um mês após o início da invasão russa, Zelensky colocou a neutralidade sobre a mesa, mas era demasiado tarde. Putin já tinha optado por alcançar os seus objetivos no campo de batalha e estava confiante de que conseguiria.

Ainda assim, a Rússia e a Ucrânia já lutam há mais de três meses. Ambos sofreram pesadas perdas e cada um sabe que a guerra pode arrastar-se durante anos a um custo espantoso sem que nenhum dos dois tenha alcançado os seus objetivos. O presidente russo controla mais pedaços de território ucraniano, mas pode esperar encontrar alguma forma de aliviar as sanções ocidentais e também evitar ser totalmente dependente da China.

Estas circunstâncias podem reavivar a opção da neutralidade. A Rússia manteria o seu corredor terrestre para a Crimeia, mesmo que com algumas concessões à Ucrânia. Receberia uma garantia de que os canais de água que fluem para sul para aquela península a partir da cidade de Kherson, que voltariam ao controlo ucraniano, nunca mais seriam bloqueados. A Rússia não anexaria as “repúblicas” que criou nas Donbas em 2014 e retirar-se-ia de algumas das terras adicionais que aí confiscou. A Ucrânia seria livre de receber armas e treino militar de qualquer país, mas as tropas e bases estrangeiras seriam banidas do seu território.

Tal acordo exigiria sacrifícios significativos por parte da Ucrânia, razão pela qual a candidatura da Ucrânia à União Europeia (UE) e, mais importante ainda, uma via rápida para a plena adesão – uma das principais aspirações desse país – bem como uma ajuda ocidental substancial a longo prazo para a reconstrução económica seriam uma parte necessária de qualquer acordo. Acelerar a sua adesão seria uma tarefa pesada para a UE e um tal pacote de ajuda seria dispendioso para os europeus e americanos, pelo que teriam de decidir quanto estavam dispostos a oferecer para pôr fim ao maior conflito da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.

 

3. Uma Nova Rússia

Desde o início da guerra, comentadores e líderes ocidentais, incluindo o Presidente Biden, têm insinuado que ela deveria produzir, se não “mudança de regime” na Rússia, então a partida de Putin. E não faltaram previsões de que a invasão irá de facto provar ser a sentença de morte de Putin. Não há, contudo, provas de que a guerra tenha virado contra ele a elite política e militar do seu país ou qualquer sinal de desafeição em massa que possa ameaçar o Estado.

Ainda assim, presuma-se por um momento que Putin parte, voluntariamente ou não. Uma possibilidade é que ele seria substituído por alguém do seu círculo interior que depois faria grandes concessões para acabar com a guerra, talvez até um regresso ao status quo pré-invasão com algumas modificações. Mas porque o faria ele (e será certamente um homem) se a Rússia controla grandes extensões de terras ucranianas? Um novo líder russo poderia eventualmente fazer um acordo, desde que as sanções fossem levantadas, mas assumir que a saída de Putin seria uma bala mágica é irrealista.

Outra possibilidade: A Rússia torna-se inesperadamente uma democracia na sequência de manifestações públicas prolongadas. É de esperar que isso aconteça sem tumultos e derramamento de sangue, pois tem quase 6.000 ogivas nucleares, partilha fronteiras terrestres com 14 Estados, e fronteiras marítimas com mais três. É também o maior país do mundo, com mais de 17 milhões de quilómetros quadrados (44% maior do que o segundo classificado Canadá).

Portanto, se estiver a apostar numa Rússia democrática em breve, é melhor esperar que a transformação aconteça de forma pacífica. A convulsão num vasto país com armas nucleares seria um desastre. Mesmo que a passagem para a democracia não seja caótica e violenta, a primeira ordem de trabalhos de um tal governo não seria evacuar todos os territórios ocupados. No entanto, seria muito mais suscetível do que o atual em renunciar aos seus ganhos territoriais pós-invasão, embora talvez não a Crimeia de maioria russa, que, na era da União Soviética, fazia parte da república russa até que, em 1954, foi transferida para a república ucraniana por decreto.

 

Isto precisa de acabar

O sofrimento e a destruição na Ucrânia e a agitação económica que a guerra produziu no Ocidente deveriam ser razões suficientemente convincentes para pôr fim a esta situação. Tal como a devastação que continua a criar em alguns dos países mais pobres do mundo como o Quénia, a Etiópia, a Somália e o Iémen. Juntamente com secas devastadoras e conflitos locais, levou a aumentos espantosos no preço dos alimentos básicos (com grãos tanto ucranianos como russos, por uma razão ou outra, bloqueados do acesso ao mercado). Mais de 27 milhões de pessoas já enfrentam uma escassez aguda de alimentos ou uma verdadeira fome só nessas quatro nações, graças, pelo menos em parte, ao conflito na Ucrânia.

Sim, essa guerra é a maior da Europa numa geração, mas não é só da Europa. O sofrimento que está a produzir estende-se a pessoas em terras longínquas que já mal sobrevivem e sem forma de acabar com ela. E, infelizmente, ninguém que tenha poder de decisão parece estar em pensar nelas. O simples facto é que, em 2022, com tanta coisa a ir na direção errada, uma grande guerra é a última coisa que este planeta precisa.

Imagens em destaque: IMG_0993 por UNDP Ukraine licenciada sob CC BY-ND 2.0/ Flickr

 


O autor: Rajan Menon, colaborador regular de TomDispatch, é catedrático emérito de Relações Internacionais Anne e Bernard Spitzer na Powell School, City College de New York, diretor do Programa de Grande Estratégia de Prioridades de Defesa, e investigador senior do Saltzman Institute of War and Peace da Universidade de Columbia. Ele é autor recentemente de The Conceit of Humanitarian Intervention.

1 Comment

  1. O autor parte de um conjunto de pressupostos falsos, claramente apreendidos nos mainstream media, para desenvolver o seu arrazoado de replicação da “Voz do Dono”..

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