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Introdução
Faro, em 03/08/2022
Para quem foi professor toda uma vida, o tempo é marcado pelo incío e fim dos anos letivos. E para mim continua a ser assim.
O ano “de trabalho” acabou hoje, espera-nos um próximo, que não creio, apesar de muita fé nisso, que seja melhor do que o que acaba hoje, antes pelo contrário. E disso tenho muita pena.
Como diz o poeta Adão Cruz no seu poema O deserto:
“O deserto tem de ter uma porta
uma saída
um caminho que não encontro.
Sei que sou buraco de mim mesmo
mas não é por aí que eu quero sair.
Meu sonho foi ser um pássaro
voar na proporção do amor
sem medo nas asas…
Meu pesadelo é ser um homem sem vento
arrastando a vida.
Sou apenas caminho andado
sou fim de tempo
resto de palavras e gestos perdidos
na eternidade de um dilema.
Já não giram os olhos mortos
nem os lábios descarnados suspiram.
Já o coração não treme
e a alma desliza pela areia infinda.
Tudo é longe e sem destino
foi-se embora o cheiro a alfazema…
mas no silêncio do deserto
há-de haver um verso para acabar o poema.”
Na base desta tristeza sem fim, está o olhar para o nosso mundo de hoje, para aquele que queremos deixar aos nossos filhos e netos, e que vergonha, Deus meu!
A crise agora global continua, e é em muitos sentidos que aqui utilizo este termo, e a distância para o abismo civilizacional parece-me ser cada vez mais curta, por incompetência e cegueira dos nossos altos dirigentes políticos. Em vez de paz procuram afanosamente mais guerras.
Desta realidade aqui vos deixo sete imagens:
- Sobre o Reino (des) Unido – A Concatenação de Diversas Crises – assinada por um analista dos mercados financeiros, um retinto Tory, Victor Hill;
- Outra que nos fala de uma espécie de caça às bruxas nos Estados Unidos a propósito do aborto, publicada pelo jornal The Republic – Após a revogação da Roe, a empresa distribuidora de medicamentos, a CVS, disse aos Farmacêuticos para reterem certas receitas;
- Sobre os meandros da União Europeia – Como é que o combate à inflação poderia pôr em perigo a zona do euro –, publicada por The Economist;
- Uma imagem publicada por Alan Beattie – O mundo não está preparado para uma onda de incumprimentos da dívida soberana -, do Financial Times;
- Sobre o problema da fragmentação financeira da zona euro com que se debate o BCE, um texto com a assinatura de Jean-Claude Werrebrouck-texto destinado sobretudo a pessoas com alguma formação em questões da arquitetura europeia, mas lê-se bem – O grande mistério do “Instrumento de Proteção das Transmissões” (IPT) da zona euro;
- Um texto terrível sobre as nuvens negras que pairam nos céus da Europa – A Zona Euro, Sob pressão (de novo) – tem a assinatura de Victor Hill, um analista dos mercados financeiros e um Tory profundo;
- Um texto sobre a cegueira advinda da diabolização de décadas e orquestrada esta pelos Estados Unidos – Pantofobia americana -, um trabalho de William Astore, uma alta patente militar dos USA na reforma.
E em forma de sugestão, compare-se o que se passa em termos de disfuncionamento no Reino Unido com o que se passa em Portugal e a pergunta que imediatamente emerge é: sendo governos tão distintos porque é que há tanta semelhança e em tanto disfuncionamento?
Apesar disto, estamos todos apostados em mais canhões e em menos manteiga, na miragem do que o investimento em armas mortíferas e de alta precisão nos gere um rendimento três vezes superior ao investimento feito. Um argumento socialista, é o que nos dizem!
Pela parte que me toca irei preocupar-me em perceber como é que se vê a esquerda em tudo isto, um tema que em Portugal não vejo discutido: Será porque há medo de o colocar sobre a mesa? Sinceramente, não sei.


