UMA CARTA DO PORTO – CONTO – Por José Fernando Magalhães (451)

 

 

 

 

O MENINO E O PAPAGAIO

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COMO SE FORA UM CONTO

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Rodava sem parar fazendo desenhos lindos e estranhos, comandado pelas mãos pouco sábias do menino, e sentia-se feliz quando, olhando para baixo, lhe notava o sorriso no rosto concentrado, de vez em quando dava-lhe um safanão como que para lhe lembrar que era ele que mandava, mas a culpa não lhe pertencia e não era assim que ele queria, era do vento que por vezes soprava forte, e quando assim era, as mãos do menino sofriam com a sediela a apertá-las cada vez mais e o sorriso transformava-se num misto de perseverança e ainda de mais concentração até que amainado o vento o voo era simples e o sorriso voltava mostrando a felicidade que lhe enchia a alma, que era a primeira vez que comandava sozinho depois das lições domingueiras do pai, que orgulho ele iria ter quando lhe mostrasse como era capaz e que lindas figuras conseguia fazer, e o papagaio voador olhava-o e ajudava-o fazendo mais uma pirueta e pensando em como é bom conseguir fazer sorrir uma criança.

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OBS – este conto foi publicado, com desenhos de António Mendes, no meu livro “Como Se Fora Um Conto”, em Junho de 2017

 

 

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