ANA DE CASTRO OSÓRIO, ALLE DONNE PORTOGHESI / ÀS MULHERES PORTUGUESAS, TRADUÇÃO E APRESENTAÇÃO CRÍTICA DE VANESSA RIBEIRO CASTAGNA – POR MANUEL SIMÕES

(1872 – 1935)

 

 

Ana de Castro Osório (1872 – 1935) pertenceu ao grupo de mulheres escritoras que, entre os dois séculos, animaram a problemática posição da mulher portuguesa no contexto social, com o enorme mérito de inserir no debate público a questão feminista através de associações que, por sua vez, promoveram uma actividade decisiva para a transformação, não de todo efectuada, das mentalidades e do tecido social no país. Entre outras obras de maior impacto, figura a publicação, em 1905, do volume de textos com o título Às Mulheres Portuguesas, agora traduzido para italiano, e que a tradutora considera justamente como «o primeiro manifesto feminista português».

Folheando a “cronologia” da actividade de Ana de Castro Osório, damo-nos conta da extrema importância que tiveram os seus escritos, desde Para as Crianças (1897), primeiro fascículo duma colecção para a infância, interesse nunca abandonado pela escritora se considerarmos A Festa da Árvore (1909), Teatro Infantil (1913) ou ainda Árvores e Animais, de 1931, por exemplo. A par disso, sobressaem os escritos de formação da mentalidade “feminina”, desde muito cedo objectivo da autora de  Às Mulheres Portuguesas, e que encontra na República de 1910 – ela que foi por várias vezes eleita presidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas – o espaço de afirmação dum movimento que influiu decisivamente  na tentativa de alterar uma cultura onde predominava a decisão masculina. A este propósito, basta citar A Mulher no Casamento e no Divórcio (1911); a direcção da revista A Semeadora, órgão da Associação de Propaganda Feminista (1915); A Acção da Mulher na Guerra Actual (1915), estudo ampliado depois no seu trabalho Em Tempo de Guerra: aos Soldados e às Mulheres do Meu País, de 1918.

A tradução, como se disse,  de Vanessa Ribeiro Castagna, evidencia um gigantesco e paciente trabalho de transposição linguística, com a curiosidade de a edição ser bilingue («testo portoghese a fronte»), uma tradição italiana para os textos de poesia, e que aqui representa também uma homenagem à língua portuguesa, a testemunhar o trabalho qualitativo da tradutora como uma lusitanista de excelência.

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