DIA DOS NAMORADOS por Luísa Lobão Moniz

 

Hoje, dia em que escrevo este texto, 14 de Fevereiro, é o Dia dos Namorados.

Como surgiu este dia e para quê?

Não se sabe bem qual a sua origem, mas acredita-se que tenha sido inspirado numa festa pagã, pastoral, em Roma, Lupercalia. Não era uma celebração pacífica, pelo contrário, era violenta, ao contrário do Dia dos Namorados.

Era uma festa anual que se realizava entre 13 e 15 de Fevereiro.

Sacrificavam-se animais, os homens corriam, quase nus ou mesmo nus, com tiras feitas de pele das cabras sacrificadas, batiam nas mulheres que eram escolhidas aleatoriamente.

Acreditavam que assim afastavam os espíritos maus e que purificavam as terras promovendo a saúde e a fertilidade.

Com o passar do tempo, o festival tornou-se mais casto, mas ainda indigno para as mulheres. As mulheres continuavam a ser chicoteadas, nas mãos, por homens totalmente vestidos.

O Dia dos Namorados nem sempre foi feito de presentes que se associam ao amor.

A relação entre Lupercalia e o Dia dos Namorados permanece na dúvida, podendo não haver nenhuma relação.

Pensa-se que o nome teve origem em São Valentim que casava casais em segredo para poupar os maridos da guerra.

Mais tarde, São Valentim foi condenado à morte a 14 de Fevereiro por realizar milagres.

O Dia dos Namorados só passou a ser associado ao amor no final da  Idade Média.

O Papa Gelásio, no século V, proibiu as celebrações da Lupercalia.

Logo depois, a Igreja declarou o dia 14 de Fevereiro como dia de festa, para celebrar São Valentim.

Hoje, a cor dos símbolos do Dia dos Namorados é baseada na festa proibida Lupercalia : vermelho, do sangue dos animais sacrificados e branco do leite das cabras que lavavam os corpos ensanguentados.

O Dia dos Namorados deveria ser repensado devido ao crescente aumento da violência entre namorados. É preocupante em termos de identidade e da sociedade.

A violência espreita em todos os cantos da existência humana.

A violência é aprendida na sociedade, por isso há que capacitar o ser humano, desde a infância, de comportamentos que tornem a Humanidade menos violenta.

O Dia dos Namorados transformou-se num dia de consumo exagerado de chocolates, corações e flores sem sentido, se no dia seguinte a violência entre namorados continua quase impunemente.

I.
Com a doçura do novo tempo,
o bosque se cobre de folhas, e os pássaros
cantam, cada um em seu latim,
conforme o verso do novo canto,
quando está bem que cada um se torne
aquilo que mais deseja.1

II.
Do lugar que me parece bom e belo,
não vejo chegar nem carta, nem mensageiro.
Por isso, meu coração não dorme, nem ri,
nem me atrevo a seguir adiante
até que esteja certo do fim,
se ele será assim como eu desejo.

III.
Com nosso amor ocorre o mesmo
que o galho branco do espinheiro
que está queimando sobre a árvore
de noite, com a chuva congelada,
até que, no dia seguinte, o Sol se ponha
pelas folhas verdes e a relva.

IV.
Ainda me lembro de uma manhã
em que nós pusemos fim à nossa guerra.
Ela me deu um dom tão grande
que se deu a mim como amante, e também seu anel.
Que Deus me deixe viver ainda,
para que eu ponha minhas mãos sob seu mantel! 2

V.
Que eu não me preocupe com estranhos latidos
que me separem de meu Bom Vizinho.
Pois sei como as palavras vem e vão,
e, como diz um breve sermão,
“Que outros se gabem de seus amores,
que nós temos o pão e a faca.”3

  •  notas: Ricardo Costa
  • (in https://www.ricardocosta.com/traducoes/textos/poema-x#footnote1_y29qxh8)
  • Tradução feita a partir da edição Guillermo IX. Duque de Aquitania y Jaufré Rudel. Canciones completas(edicion bilingue preparada por Luis Alberto de Cuenca y Miguel Angel Elvira). Madrid: Editora Nacional, 1978, p. 70-73. O poema inicia com o clássico tema do locus amoenus, lugar comum na poesia medieval.
  • Nesse momento – em que termina a guerra entre os amantes – o poema distende sua tensão e revela a satisfação do poeta, por ganhá-la como amante e também a seu anel, passagem que pode ser entendida tanto literalmente quanto metaforicamente (isto é, que os amantes chegaram às vias de fato, já que, a seguir, o poeta faz uma referência aos comentários maldosos dos invejosos).
  • “Que nós temos o pão e a faca”, isto é, temos tudo o que é necessário para gozar.

 

 

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