Escreveu um dia, o filósofo e professor Parra Montero, ‘Acostumámo-nos a conhecer os nossos políticos pelo que falam, pelo que dizem, mas a maioria deles não sabemos o que fazem, até ficarmos com a sensação de que são um grupo ocioso e conflituoso’, se calhar a prever os números que enxameiam, por cá, todos os campos da actividade humana, neste princípio de ano lectivo e legislativo –nos domínios da saúde, da educação, da assistência social, como no andamento do comércio e da indústria, da invasão das cidades por um turismo de malas com rodas, do desaparecimento das populações das casas e ruas que habitavam há anos, dos alojamentos ditos turísticos, da gentrificação e do que podia e devia ser a emigração– isto só para apontar os factos mais à vista de toda a gente.
Não sei nem me preocupa se estas palavras poderão ser incómodas para alguém, mas para Platão ‘O verdadeiro político não ama o comando e o poder, mas usa o comando e o poder como um serviço, para realizar o bem… Em louvor da verdadeira filosofia depende de obter uma visão perfeita e total do que é justo, tanto no campo político e no privado’, para terminar estas palavras defendendo que só os que fossem justa e verdadeiramente filósofos, poderiam ocupar cargos públicos.
Anselmo Borges, padre e professor de Filosofia, que também ensinou Literatura, escreveu há dias no DN, referindo a Filosofia, ‘Ajuda-nos a dizer a nossa presença no mundo, a “digeri-la” e a assimilá-la, captando o que vai para além da superfície da experiência; serve, portanto, para interpretar a vida, discernindo os seus significados e tensões fundamentais’.
Além disso e, pegando noutras palavras de outro professor, poeta e crítico literário, Carlos Cortez, numa das suas crónicas habituais ainda no DN, ‘A aprendizagem do bem-falar (oratória) e do bem-argumentar e do bem-escrever (retórica), devia ser o imo educativo. Mas o que se fez? Retiraram-se horas lectivas a disciplinas como História ou Filosofia. Transformou-se o Português na mais desinteressante e árida e das disciplinas “a gramática da TLEBS, o pacóvio cientifismo”’.
E Carlos Cortez vais mais longe, ‘Por que razão, depois de 12 anos de escola, os nossos alunos não gostam de Português? Não sabem como escrever sobre um poema de Eugénio de Andrade ou de Sophia, hesitam e tropeçam na leitura em voz alta dum poema de Ruy Belo, e não entendem o alcance crítico dum conto de Manuel da Fonseca, nem o problema da identidade num conto de Maria Judite de Carvalho’.
O professor de História Paulo Guinote, também no DN, parece ter resposta para estas questões, ‘A Educação é uma escola para a Liberdade que só funciona se, antes de “pensamento crítico”, se tiverem as ferramentas e conhecimentos indispensáveis para o exercer. Não é livre quem escolhe o que lhe parece mais “interessante” ou “divertido”. Porque não é livre, quem não sabe distinguir o verdadeiro do falso’.
A não ser assim, ainda nos pode aparecer um “maduro” qualquer a anunciar o Natal para o primeiro dia de um qualquer mês, por querer, como o presidente da Venezuela, ‘Ter umas festas felizes, brilhantes, cheias de luzes e cor’.
Mas tudo é possível neste país, escreve no ‘La Vanguardia’, o professor português Gabriel Magalhães, ‘Portugal é um país milagroso, e não sou eu que o diz, mas ensaístas lusos como Agostinho da Silva ou Eduardo Lourenço. Historicamente assinámos pelo menos dois prodígios: a construção de um império à escala global, quando só contávamos com um milhão de habitantes, e a capacidade de manter a independência frente a um vizinho mais poderoso que nós. Eduardo Lourenço afirmou uma vez, que somos peritos em milagres’.
Mas é Setembro, já não há mais férias, o Eucaliptal do petróleo verde arde afanosamente, mas agora é preciso ‘dar à manivela’, nem que seja só por Olivença!
António M. Oliveira
Não respeito as normas que o Acordo Ortográfico me quer impor