As sílabas marginais/FRÁGIL/Nelson Ferraz

 

 

FRÁGIL

 

o lugar onde as plantas amamentam

a madrugada

o lugar onde um archote lê a planície

a sair do sono.

 

o princípio da luz respira por cima

dos girassóis

e o tempo senta-se no chão.

 

sigo a raiz de todas as pedras

que suportam o peso das manhãs

e suponho-me um simples ramo

capaz de acenar ao vento.

 

o amor gatinha na cabeça

o amor frágil belo e profundo

como o cheiro das árvores.

 

escuto um coro de búzios

que repete a melodia das nascentes.

amanhece

e sou.

 

 

 

 

 

 

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