Crises de civilização e de ensino, num mundo em profunda policrise —- Parte I – Texto 8. O Declínio do Inconformismo (2/2) .  Por Adam Mastroianni

Se no início não conseguir encontrar-me, não desanime

Se não me encontrar num lugar, procure noutro,

Eu pararei em algum lugar à sua espera

“Song of Myself” de Walt Whitman

Parte I – Morte da cultura e o regresso à barbárie e ao pensamento mágico

“Sem a palavra, sem a escrita dos livros, não há história, não há conceito de humanidade”

Herman Hesse

Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

10 min de leitura

 

Nota de editor

Devido à sua extensão publicamos este texto em duas partes, hoje a segunda.

 

Texto 8. O Declínio do Inconformismo (2/2)

Para onde é que foi parar a nossa capacidade de ser original

 Por Adam Mastroianni

Publicado por  Experimental History em 28 de outubro de 2025 (original aqui)

 

(conclusão)

 

8. A CIÊNCIA ESTÁ ATASCADA

A ciência exige, por definição, um pensamento desviante, inconformista. Por isso, não é de surpreender que ao observarmos um declínio no comportamento “desviante” em todos os outros lugares, também estejamos a ver um declínio na taxa de progresso científico. Novas ideias têm cada vez menos probabilidade de substituir as antigas; especialistas classificam as descobertas recentes como menos impressionantes do que as antigas; e estamos a produzir menos inovações importantes por pessoa do que há 50 anos.

O leitor consegue notar essa ‘insipidez’ científica imediatamente ao ler textos científicos mais antigos. Como aponta Roger Bacon (o mesmo analista que estudou as seitas religiosas), os artigos científicos costumavam ter estilo. Agora, todos soam iguais e são todos entediantes. Praticamente 100% dos artigos em periódicos médicos, por exemplo, agora usam o mesmo formato (introdução, métodos, resultados e discussão).

Isso não é apenas uma mudança estética. Padronizar a sua escrita também padroniza o seu pensamento — sei por experiência própria que é difícil dizer algo interessante num artigo científico.

Sempre que leio biografias de cientistas famosos, percebo que: a) todos eles eram figuras bem excêntricas e b) não conheço ninguém como eles hoje em dia, pelo menos não na academia. Já encontrei algumas pessoas peculiares em universidades, com certeza, mas a maioria acaba por sair — um fenómeno que a bióloga Ruxandra Teslo apelida de a fuga dos marrões esquisitos da academia‘. As pessoas que permanecem podem até ser superinteligentes, mas dificilmente são do tipo que  fazem balançar o barco‘ (que desafiam o status quo).

 

9. ESTAS QUEIXAS SÃO NOVAS

Sempre que o leitor notar alguma tendência na sociedade, especialmente uma tendência sombria, deve perguntar-se: “As gerações anteriores reclamavam exatamente as mesmas coisas?” Se a resposta for sim, o leitor pode ter descoberto um aspeto da psicologia humana, em vez de um aspeto da cultura humana.

Passei muito tempo a estudar as queixas das pessoas no passado e, embora tenha visto muitas queixas sobre como a cultura se tornou estúpida, não vi muitas pessoas a queixarem-se de que ela se tornou estagnada [9]. Na verdade, é possível encontrar muitas pessoas no passado preocupadas com o facto de haver demasiadas novidades. Como relata Derek Thompson, há cem anos atrás as pessoas tinham colapsos nervosos devido ao ritmo das mudanças tecnológicas. Elas faziam tumultos na estreia de A Sagração da Primavera, de Stravinsky, e condenavam as novas abordagens de artistas como Kandinsky e Picasso. Em 1965, Susan Sontag escreveu que as novas formas de arte “se sucedem tão rapidamente que parecem não dar ao público espaço para respirar e se preparar”. Existe alguém que se sinta dessa maneira atualmente?

Da mesma forma, as gerações anteriores ficavam muito perturbadas com todos os limites morais que as pessoas estavam a romper, isto é:

In olden days, a glimpse of stocking

Was looked on as something shocking

But now, God knows

Anything goes”

Cole Porter, 1934

Em tempo antigos, um vislumbre de uma meia era visto como algo chocante. Mas agora, sabe Deus, vale tudo — Cole Porter, 1934

 

Naquela época, pelo que me consta, ninguém incentivava os jovens americanos a andarem em festas. Agora, incentivam-nos. Portanto, até onde posso perceber, o “declínio da fuga ao normalizado” (ou declínio na quebra de padrões) não é apenas uma queixa eterna. Pessoas há a ficarem preocupadas com o facto da sua cultura estar a ser dominada por coisas velhas — isso é que é a novidade.

 

CONTRAPONTO: ESTOU EU ERRADO?

Estas são as evidências de um declínio na “desvio ao normalizado” (declínio do comportamento desviante relativamente ao comportamento padrão). Vamos ver agora as melhores evidências em contrário.

Enquanto reuni dados para este texto ao longo dos últimos 18 meses, aproximadamente, tentei neutralizar o meu enviesamento de confirmação ficando atento a tendências opostas. Não encontrei muitas — então talvez seja o meu enviesamento em ação — mas aqui estão elas.

Primeiro, diferentemente de outras formas de violência, os tiroteios em massa (mass shootings) tornaram-se mais comuns desde os anos 90 (embora, note o eixo Y, estamos a falar de um subconjunto extremamente pequeno de todos os crimes):

 

Os nomes dos bebés estão a tornar-se cada vez mais invulgares.

 

E quando o leitor observa as linhas do tempo da moda, certamente vê muito mais mudanças entre as décadas de 1960 e 2010 do que entre 1860 e 1910.

Fonte

 

Isso, pelo menos, sugere que o declínio relativamente ao normalizado não é uma tendência monótona de séculos. E, de facto, muitos dos dados que temos indicam que as coisas começaram a tornar-se mais homogéneas em algum momento entre os anos 1980 e 2000.

Há algumas pessoas que discordam, pelo menos em parte, da hipótese da estagnação cultural. Henry Oliver, autor de uma Substack sobre literatura, relata que “a literatura está em alta”, e Chris Dalla Riva, que escreve sobre música, demonstra ceticismo quanto à estagnação neste setor. A etnógrafa da internet Katherine Dee argumenta [10] que a arte mais interessante está a acontecer em domínios que ainda não consideramos ‘arte’, como personalidades das redes sociais, excertos de comédia no TikTok e painéis de inspiração (mood boards) no Pinterest. Tenho a certeza de que há algo de verdade em tudo isso, mas também estou convencido de que não é o suficiente para anular as tendências massivas que vemos em todos os outros lugares.

Talvez eu esteja a perder todas as novas e empolgantes novidades só por não estar suficientemente em linha, ao corrente da moda? Afinal, sou o primeiro a dizer que há muita coisa no Substack (e na blogosfera em geral) que é muito boa e autêntica — basta olhar para os vencedores dos meus concursos de blogs deste ano e do ano passado. Mas eu só sei dessas coisas porque leio toneladas de blogs. Se eu estivesse tão imerso no YouTube ou em podcasts, talvez visse a mesma coisa por lá e, quem sabe, mudasse de ideias.

De qualquer forma, sei que é fácil perceber uma tendência quando não existe nenhuma (veja: The Illusion of Moral Decline, You’re Probably Wrong About How Things Have Changed). Não há como fazer uma amostragem aleatória de toda a sociedade e medir objetivamente o seu desvio face ao que é tomado como padrão ao longo do tempo. Os dados que não temos podem contradizer os dados que temos. Mas teria que ser uma quantidade enorme de dados, e todos precisariam de apontar na direção oposta.

Realmente parece que estamos a viver um declínio do “comportamento desviante” (fora da norma), então o que está a impulsionar isso? Qualquer grande tendência social terá inúmeras causas, mas penso que uma em particular merece a maior parte do crédito e da culpa:

 

NÓS PREOCUPAMO-NOS MAIS EM ESTAR VIVOS.

A vida assume-se ter hoje mais valor que ontem. Não moralmente, mas literalmente. Este facto, por si só, pode — eu acho — explicar em grande parte porque cada vez se vêm menos as pessoas a sair dos padrões normais.

Quando as agências federais realizam análises de custo-benefício, elas precisam de calcular quanto vale uma vida humana. (Caso contrário, como saber se vale a pena construir, por exemplo, uma nova rodovia interestadual que ajudará milhões de pessoas a chegar ao trabalho na hora, mas que pode causar algumas mortes adicionais devido, por exemplo, à poluição do ar?) Eles fazem isso perguntando às pessoas quanto é que elas estariam dispostas a pagar para reduzirem o seu risco de morrer, o que utilizam então para calcular o “valor de uma vida estatística”. De acordo com uma análise do autor do Substack, Linch, essas vidas estatísticas tornaram-se muito mais valiosas ao longo do tempo:

 

Existem, suspeito eu, duas razões pelas quais nos apegamos mais à vida atualmente. Primeiro: estamos mais ricos. Gerações de desenvolvimento económico colocaram mais dinheiro no bolso das pessoas, e isso torna-as mais dispostas a pagar para reduzir os riscos das suas vidas — tanto porque podem pagar por isso, quanto porque a vida que estão a ter tende a ser mais cómoda. Mas, como aponta Linch, o valor de uma vida estatística aumentou mais rápido do que o PIB, portanto, essa não pode ser toda a história.

Segundo: a vida é muito menos perigosa do que costumava ser. Se o leitor corresse um risco considerável de morrer de poliomielite, varíola, picadas de cobra, água contaminada, ataques de bandidos saqueadores ou de literalmente escorregar numa casca de banana (além de um milhão de outras coisas), o leitor realmente dar-se-ia ao trabalho de usar o cinto de segurança? Uma vez que todos esses outros perigos desaparecem, no entanto, dirigir a 130 km/h no seu Kia Sorento pode, de repente, tornar-se a parte mais arriscada do seu dia — e o leitor pode acabar por decidir fixar o seu cinto de segurança.

Os nossos ambientes superseguros podem estar a mudar fundamentalmente a nossa psicologia. Quando o leitor nasce numa “terra de leite e mel”, faz sentido adotar o que os ecologistas chamam de estratégia de história de vida lenta” — em vez de dirigir bêbado e fazer sexo sem proteção, o leitor faz o Pilates e preocupa-se com a sua passagem à reforma. As pessoas que estão a jogar a vida no “modo lento” importam-se muito mais se as suas vidas vão acabar, e importam-se muito mais se as suas vidas se vão arruinar. Tudo deve durar: as suas articulações, a sua pele e, acima de tudo, a sua reputação. Isso torna muito menos atraente “viver uma vida de louco”, para não acabar por estragar o resto do seu tempo na Terra.

(“O que é que planeias fazer com a tua única vida selvagem e preciosa?” Assegurar que me levanto da minha cadeira a cada 20-30 minutos!)

Eu penso da seguinte forma quanto a isso: os meus dois avôs morreram aos 60 e poucos anos, o que estava basicamente dentro da expectativa de vida do ano em que nasceram. Tenho a certeza de que esperavam viver muito mais que isso, mas sabiam que poderiam nem chegar a receber o primeiro cheque da Segurança Social. Imagine o quão diferente o leitor viveria se achasse que fosse morrer aos 65, em vez de morrer aos 95. E aqueles 65 anos não foram fáceis, especialmente no começo: eles nasceram durante a Grande Depressão, e um deles cresceu sem eletricidade ou água canalizada em casa.

Além disso, os meus dois avôs foram convocados para lutar na Guerra da Coreia, o que não deve tê-los surpreendido muito — o mesmo tinha acontecido com a geração dos pais deles nos anos 40 e com a geração dos avós nos anos 10. Quando você pode esperar, razoavelmente, que o seu governo o envie para o outro lado do mundo para atirar em pessoas e ser alvejado de volta, você simplesmente não consegue ser tão precioso com a sua vida [11].

A minha vida não é nada como foi a deles. Ninguém nunca me pediu para disparar sobre ninguém. Eu tenho uma TV de ecrã grande. Consigo pedir sushi para me ser entregue em minha casa em 30 minutos. A Administração da Segurança Social acha que eu posso chegar aos 80 anos. Por que arriscaria eu tudo isso? As coisas que os meus avós faziam naturalmente — fumar, andar à boleia de carro ou numa carrinha de caixa aberta, adiar tratamentos médicos até serem absolutamente necessários — tudo isso parece impensável para mim agora [12]. Eu tenho um pequeno ataque cardíaco só de olhar para o tipo de parques infantis que eles tinham naquela época:

Um parque infantil em 1912fonte

 

Eu sei que a vida não parece particularmente fácil, segura ou confortável. Que dizer quanto às mudanças climáticas, guerra nuclear, autoritarismo, desigualdade de rendimento, etc.? Perigos e desvantagens ainda abundam, sem dúvida. Mas veja bem, há 100 anos, você poderia morrer por causa de uma farpa de madeira. Nós simplesmente já não vivemos nesse mundo, e uma parte de nós percebe isso e comporta-se de acordo com esta realidade.

Na verdade, adotar uma estratégia de “vida lenta” não precisa de ser um ato consciente — e provavelmente não é. Como a maioria das operações mentais, ela funciona melhor se o leitor não puder atrapalhá-la conscientemente. Ela opera em segundo plano, empurrando cada decisão em direção à opção mais segura. Essas escolhas acumulam-se com o tempo, restringindo a trajetória da sua vida como as tabelas de uma pista de bowling. Finalmente, esse ciclo torna-se autorreforçável, porque o pensamento divergente nasce de uma vida divergente, e vice-versa [13].

É assim, creio eu, que acabamos no nosso mundo extremamente “normal” (comum/padronizado). Começa-se por seguir as regras, depois nunca mais paramos, e então acabamos por esquecer que podemos mesmo infringi-las. A maior parte das entorses às regras é má, mas uma parte delas é necessária. Parece que perdemos ambos os tipos ao mesmo tempo [14].

 

A ESTÁTUA DAS LIMITAÇÕES

O escultor Arturo di Modica fugiu da sua casa na Sicília para estudar arte em Florença. Mais tarde emigrou para os EUA, trabalhando como mecânico e técnico hospitalar para se sustentar enquanto fazia a sua arte. Por fim, ele economizou o suficiente para comprar um prédio em ruínas na parte baixa de Manhattan, o qual ele demoliu e assim pôde construir ilegalmente o seu próprio estúdio — incluindo dois subsolos — com as próprias mãos, tornando-se um artista “underground” no sentido literal da palavra. Ele recusou-se a trabalhar com negociantes de arte até 2012, quando já estava na casa dos 70 anos. A sua obra mais famosa, a estátua do Charging Bull (Touro em Investida) que hoje reside em Wall Street, foi depositada lá sem permissão ou pagamento; originalmente, a peça foi apreendida antes que o clamor público fizesse a prefeitura colocá-la de volta. Di Modica não a planeou como uma referência do capitalismo — o mercado de ações tinha caído em 1987, e a sua intenção era que o touro simbolizasse resiliência e autossuficiência:

O meu objetivo era mostrar às pessoas que, se você quer fazer algo num momento em que as coisas estão muito más, você consegue fazê-lo. Você consegue fazê-lo por conta própria. A minha ideia era que você deve ser forte.

Enquanto isso, a ‘Fearless Girl’ (Menina Sem Medo) — a estátua de uma garota em pose desafiadora com as mãos nos quadris, instalada em frente ao touro em 2017 — foi encomendada por uma empresa de investimentos para promover um novo fundo de índice.

Quem levaria a vida de Di Modica atualmente? Cada passo seria considerado desaconselhável: não fuja de casa, não estude arte, definitivamente não estude escultura, não cave o seu próprio porão, não jogue a sua arte na rua! Mesmo que alguém fosse suficientemente louco para ‘dar uma de Di Modica’ hoje, quem o conseguiria fazer ? A escola de artes forçar-te-ia a voltar para a casa dos pais, o mercado imobiliário seria impagável e a prefeitura impedi-lo-ia.

O declínio do desvio face ao que é padrão é, em grande parte, algo positivo. As nossas vidas tornaram-se mais longas, seguras, saudáveis e ricas. No entanto, o surgimento da prosperidade em massa e o desaparecimento dos perigos cotidianos também fizeram com que riscos triviais parecessem aterrorizadores. Assim, à medida que domesticamos cada fronteira da vida humana, precisamos de encontrar uma maneira de manter vivos os “bons tipos” de desvio às normas padronizadas. Precisamos de novas instituições, novos redemoinhos, cantos e espaços escondidos onde coisas diferentes das normas possam surgir.

Tudo isso está ao nosso alcance, mas precisamos de decidir fazê-lo. Pela primeira vez na história, a diferença face à norma é uma escolha. E é uma escolha difícil, porque temos mais a perder do que nunca. Se queremos um futuro mais interessante, se queremos arte que nos emocione e ciência que nos ilumine, teremos que tolerar alguns “buracos ilegais” no porão — e alguém terá que ser suficientemente corajoso para descer até eles.

Arturo Di Modica no seu estúdio em 1982 (fonte)

 


NOTAS

[9] Veja-se, T.S. Eliot, 1949:

Podemos afirmar com alguma confiança que o nosso próprio período é um período de declínio; que os padrões culturais são mais baixos do que eram há cinquenta anos; e que as evidências desse declínio são visíveis em todos os domínios da atividade humana”.

[10] A versão original do artigo da Dee está agora com acesso pago, por isso estou a ligar para um resumo do argumento dela.

[11] Quase todos os dados que vos mostrei são dos Estados Unidos, mas estou curioso em saber o que é que está a acontecer noutras partes do mundo. A minha previsão é que o desenvolvimento, num primeiro momento, provoca um aumento na idiossincrasia à medida que as pessoas ganham mais formas de se expressar — por exemplo, todos os carros vão parecer iguais quando o único que as pessoas podem pagar é um Model T, e as coisas ficam mais interessantes quando mais concorrentes surgem. Mas à medida que os custos de ser diferente aumentam, eventualmente veremos um declínio no desvio. Essa é a minha teoria, pelo menos.

[12] Estratégias de vida acelerada ainda são possíveis hoje em dia, mas são cada vez mais raras. Certa vez, no ensino secundário, fui à casa de um amigo e a mãe dele acendeu um cigarro na sala. Devo ter parecido chocado, porque ela deu de ombros e disse-me: “Se os cigarros não me matarem, outra coisa vai fazê-lo”. Eu conseguia ao menos entender de onde ela vinha: o marido dela havia morrido num acidente de carro antes mesmo de completar 50 anos. Quando você sente que a sua hora pode chegar a qualquer momento, por que razão não aproveitar a vida?

[13] Talvez seja também por isso que nos tornamos tão preocupados com a segurança dos nossos filhos, quando as gerações anteriores eram muito mais permissivas. Este mapa traça como existem mudanças numa única família, mas o padrão parece ser amplamente verdadeiro:

[14] Há um paradoxo aqui: vidas mais seguras e prósperas não nos deveriam tornar mais corajosos? Como, será que não nos podemos dar ao luxo de assumirmos mais riscos quando se tem mais dinheiro no banco?

Sim, mas não se vai querer. Vi isso acontecer em tempo real quando era conselheiro de residência estudantil: obter um diploma de elite deveria ampliar as opções de um estudante, mas, ao invés disso, faz com que eles fiquem com muito medo de escolher tudo, exceto algumas dessas opções. Cinquenta por cento dos formandos de Harvard vão trabalhar em finanças, tecnologia e consultoria. A maioria deles escolhe essas carreiras não porque gosta muito de fazer apresentações em PowerPoint ou espremer mais três centavos de lucro de cada corrida do Uber, mas porque esses empregos são seguros, lucrativos e prestigiosos — trabalhar na McKinsey significa que você não vai precisar de se envergonhar quando voltar para a sua reunião de cinco anos. Todas essas crianças sonhavam com o que ganhariam ao entrar numa universidade da Ivy League [n.t. A Ivy League é um grupo de elite composto por oito universidades privadas no nordeste dos EUA, famosas pela excelência académica, antiguidade e elevado prestígio]; nenhuma delas percebeu que isso lhes daria algo a perder.

Na verdade, os estudantes mais ricos são os mais propensos a escolher as carreiras mais seguras.

Também vamos lá, este gráfico é literalmente feito por alguém chamado Kingdollar.

 


O autor: Adam Mastroianni [1991 -] é um psicólogo social estado-unidense, licenciado em Psicologia pela Universidade de Princeton e Doutorado pela Universidade de Harvard. Atualmente leciona Negociação em mestrados. Escreve o blog Experimental History. O seu estudo incide sobre como as pessoas percebem ou percebem mal os seus mundos sociais, desde a pessoa sentada do outro lado da mesa até todo o país que as rodeia. Um fluxo do meu trabalho centra.se nas perceções erróneas que surgem quando as pessoas falam cara a cara. Recentemente, tem-se interessado pelas teorias sobre as pessoas e na percepção errónea da mudança no mundo ao seu redor. As pessoas pensam que a moralidade diminuiu-poderiam estar certas e, se não, por que pensam isso? As pessoas pensam que são muito diferentes dos seus avós-atribuem essa diferença a serem diferentes idades ou membros de diferentes gerações? Quando as pessoas tomam partido a respeito de um assunto, elas importam-se não apenas com o que as outras pessoas pensam, mas como essas opiniões vão mudando – sabem então elas como as opiniões realmente mudaram?

 

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