Se no início não conseguir encontrar-me, não desanime
Se não me encontrar num lugar, procure noutro,
Eu pararei em algum lugar à sua espera
“Song of Myself” de Walt Whitman
Parte II – A escrita manual e o desenvolvimento intelectual. Escrever é pensar, e pensar é o caminho para agir.
Escrever e ler são recíprocos. Ambos são necessários para que as crianças se tornem leitores e escritores fluentes
Autora anónima do sítio Learning for Life da plataforma Medium
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Nota de editor:
A ordem que se segue nesta Parte II respeita a progressão de dificuldade estabelecida pelo autor da série — N1, N2, N3 — com uma sequência interna a cada grupo pensada para maximizar a coerência de leitura: dos conceitos mais gerais para os mais específicos dentro de cada nível. O presente texto enquadra-se no Nível 1.
FT
Seleção e tradução de Júlio Marques Mota
4 min de leitura
Texto 3A – Como o nosso cérebro aprende a ler: Professor Stanislaus Dehaene
Publicado por
em 8 de Março de 2016 (original aqui)
Sabia que aprender a ler é uma das coisas mais complexas que pedimos ao nosso cérebro para fazer?
O que acontece no nosso cérebro que torna possível traduzirmos aqueles pequenos rabiscos — as letras numa página — em significado?
Um dos maiores especialistas do mundo em leitura, o Professor Stanislas Dehaene, neurocientista francês e autor do livro “Reading in the Brain”, tem algumas respostas. Ele responde a estas perguntas neste vídeo:
Acesso a este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=25GI3-kiLdo
Aqui estão alguns dos pontos principais que ele apresenta no vídeo:
Do ponto de vista do cérebro, aprender a ler consiste em:
- Primeiro, reconhecer as letras e como elas se combinam para formar palavras escritas.
- Segundo, ligá-las aos sistemas cerebrais responsáveis pela codificação dos sons da fala e pelo seu significado.
A leitura começa no cérebro como qualquer outra estimulação visual, nas áreas visuais gerais do polo occipital, mas depois desloca‑se muito rapidamente para uma área relacionada com o reconhecimento da palavra escrita.
O Professor Dehaene chama essa área de “caixa das letras” do cérebro, porque é onde armazenamos o nosso conhecimento das letras.
A partir daí, há uma explosão de atividade em pelo menos duas redes cerebrais: uma relacionada com o significado das palavras e outra relacionada com a pronúncia e com a articulação das palavras.
Quando você foi para a escola aprender a ler, o seu cérebro já tinha um sistema de linguagem falada muito sofisticado. Também tinha um sistema visual muito sofisticado, mas precisava criar uma interface com a área de forma visual das palavras — a caixa de letras do cérebro.
Ler consiste essencialmente em criar uma interface entre o sistema de visão e o sistema de linguagem, o sistema da linguagem falada.
O nosso cérebro tem áreas que são partilhadas entre a linguagem falada e a linguagem escrita. E essas áreas já estão presentes antes de aprendermos a ler. Já existiam quando se era uma criança muito pequena.
O cérebro é transformado pela leitura
A anatomia do cérebro de todas as pessoas é modificada quando aprendem a ler, e o Professor Dehaene e os seus colegas conseguiram elaborar um mapa completo das áreas cerebrais que são alteradas pela leitura.
A primeira grande mudança é a ativação da “área da caixa das letras”. Esta área não está ativa em pessoas que não aprenderam a ler.
Aprender a ler consiste, em grande medida, na capacidade de prestar atenção aos fonemas individuais da fala e de lhes atribuir diferentes letras.
O que prevê o quão bem uma criança irá aprender a ler
Os fatores que melhor preveem a aprendizagem da leitura em crianças pequenas são:
- O domínio da consciência fonológica — a compreensão do sistema de sons da língua;
- A dimensão do seu vocabulário oral. Se conhecemos um grande número de palavras, aprendemos a ler mais rapidamente.
Podemos ajudar as crianças a aprender a ler muito antes, ampliando o seu vocabulário e o seu sistema sonoro da língua aos três, quatro e cinco anos – mesmo que só comecemos a ensinar leitura aos seis ou sete anos, como fazem alguns países europeus, afirma o Professor Dehaene.
Fonética versus leitura global
Agora compreendemos melhor a questão da fonética versus a leitura global.
Devemos ensinar ao nível da palavra inteira ou devemos realmente ensinar cada letra e a respetiva pronúncia?
A resposta é clara. O Professor Dehaene afirma que “a leitura global é um mito”. O cérebro processa cada letra individualmente e não olha para a forma global da palavra.
Ensinar a correspondência entre letras e sons é, portanto, essencial. É a forma mais rápida de adquirir leitura e compreensão.
Os jardins‑de‑infância devem preparar as crianças para aprender a ler, e os exercícios de fonética podem ajudar muito.
Os cérebros são iguais em todo o mundo.
Hoje compreendemos muito sobre a leitura e percebemos que, em todas as culturas, não há grande variabilidade. Todos temos os mesmos mecanismos cerebrais – são muito universais.
Ler exige sempre a especialização do sistema visual para a forma das letras e a ligação dessas formas aos sons da fala. Mesmo no chinês.
Como é que podemos tornar a aprendizagem da leitura mais rápida?
Devemos modificar os sistemas químicos internos do cérebro: sistemas que ajudam a focar a atenção e que também são sensíveis a recompensas.
Quando você dá uma recompensa a uma criança, está a alterar a composição química do cérebro dela de uma forma que reforça o comportamento.
O sono também é um componente essencial da aprendizagem. Existem estudos muito convincentes que mostram que dar mais horas de sono às crianças é uma forma de ajudá‑las a aprender.
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O autor: Peter Barnes. é o Diretor de Inovação na Aprendizagem e gestor de negócios no Grupo Learn Fast. Está envolvido com o Grupo LearnFast desde 2003, quando se juntou à sua esposa, Devon, para ajudá-la a gerir o crescimento do número de escolas e indivíduos que utilizam os programas de software educativo da LearnFast para enfrentar os desafios linguísticos e de literacia para alunos de todas as idades. Peter tem formação e experiência diversas que vão desde a educação e formação de adultos num contexto de recursos humanos, passando pela aprendizagem e inovação empresarial, até à liderança de grandes organizações. Ele também trabalhou em Jornalismo financeiro, contabilidade e marketing digital.




