Crises de civilização e de ensino, num mundo em profunda policrise — Parte II : Texto 15 – Utilizar instruções de codificação para melhorar o desempenho em leitura e escrita de alunos do ensino básico em risco de dificuldades de literacia. Por Beverly Weiser e Patricia Mathes

Se no início não conseguir encontrar-me, não desanime

Se não me encontrar num lugar, procure noutro,

Eu pararei em algum lugar à sua espera

“Song of Myself” de Walt Whitman

 

Parte II – A escrita manual e o desenvolvimento intelectual. Escrever é pensar, e pensar é o caminho para agir.

Escrever e ler são recíprocos. Ambos são necessários para que as crianças se tornem leitores e escritores fluentes

Autora anónima do sítio Learning for Life da plataforma Medium

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Nota de editor:

A ordem que se segue nesta Parte II respeita a progressão de dificuldade estabelecida pelo autor da série — N1, N2, N3 — com uma sequência interna a cada grupo pensada para maximizar a coerência de leitura: dos conceitos mais gerais para os mais específicos dentro de cada nível. O presente texto enquadra-se no Nível 2.

FT


Seleção e tradução de Júlio Marques Mota

3 min de leitura

Texto 15 – Utilizar instruções de codificação para melhorar o desempenho em leitura e escrita de alunos do ensino básico em risco de dificuldades de literacia: Uma síntese dos melhores exemplos

Por  Beverly Weiser e  Patricia Mathes

Publicado por  em 1 de Junho de 2013 (original aqui)

 

Embora a investigação mostre como as capacidades de leitura e ortografia funcionam em conjunto, o ensino da codificação (ortografia) não é hoje uma prioridade nas escolas. No entanto, os estudos mostram que ensinar estratégias de codificação de forma direta pode ajudar a melhorar as competências de leitura e ortografia, especialmente nos alunos com dificuldades de literacia.

Estes estudos concluíram que os alunos que receberam instrução em codificação apresentaram resultados significativamente melhores em leitura e escrita do que aqueles que não receberam essa instrução. Os efeitos foram significativos em várias áreas da literacia, nomeadamente: consciência fonémica, ortografia, velocidade de leitura e escrita. Isto sugere que o ensino da codificação pode realmente potenciar as competências de literacia nos alunos com dificuldades, podendo mesmo beneficiar alunos mais velhos com dificuldades de aprendizagem. Além disso, a instrução precoce em codificação tem efeitos positivos e duradouros no desempenho posterior das crianças em leitura, escrita e ortografia.

Embora se tenha dado muito ênfase à leitura precoce, o ensino da escrita não recebeu a mesma atenção. Essa falta de foco no ensino da codificação deve-se, em parte, à crença de que as competências de codificação melhorariam naturalmente com o ensino da leitura e da fonética. Todavia, a investigação sugere que ensinar a codificação ajuda, de facto, a melhorar as competências de descodificação (leitura) das crianças.

Existem evidências sólidas que mostram que os alunos com boas competências de codificação são também bons leitores. A codificação, que consiste em transformar sons em palavras escritas, está intimamente ligada à capacidade de descodificação (leitura). Ensinar a codificação não se resume à memorização de padrões ortográficos; inclui também a participação em atividades de escrita que incentivam as crianças a escrever palavras com base nos seus sons, bem como a utilização de ferramentas como mapas de sons para ajudar na construção dessas palavras.

Apesar da importância da codificação, muitos currículos de fonética e leitura não integram eficazmente o ensino da codificação. Os professores dedicam geralmente muito pouco tempo ao ensino da codificação, concentrando-se antes na descodificação e no currículo de leitura. Como resultado, muitos alunos não estabelecem a ligação entre os conhecimentos adquiridos nas aulas de fonética e a sua capacidade de codificar palavras nas aulas de escrita (e vice-versa).

Quando os alunos mais jovens tentam soletrar palavras com base na sua compreensão das ligações entre sons e letras, isso ajuda-os a perceber como é que as palavras são compostas por sons. À medida que os alunos começam a reconhecer esta ligação, as suas competências de escrita e leitura melhoram em simultâneo.

 

Implicações práticas

De um modo geral, os resultados sugerem que integrar o ensino da codificação na sua prática de ensino da escrita pode ter um impacto positivo significativo nos alunos com mais dificuldades na leitura e na escrita. Ao incorporar atividades que reforcem a compreensão das relações entre letras e sons e a consciência fonémica, os professores podem apoiar de forma eficaz o desenvolvimento da literacia dos alunos.

A investigação sugere também que a instrução precoce em codificação tem benefícios a longo prazo para as competências de literacia dos alunos. Estudos demonstraram que os alunos que receberam instrução precoce em codificação — que incluía atividades como escrever sons e letras em conjunto — continuaram a ultrapassar os seus colegas em leitura, escrita e ortografia nas avaliações de acompanhamento.

 

Conclusão

Em conclusão, a instrução explícita em codificação é fundamental para os alunos que apresentam dificuldades na leitura e escrita iniciais. Os alunos que aprendem a manipular e a compreender a relação entre sons e letras demonstram melhorias significativas em diversas competências de literacia. Isto corrobora a ideia de que a instrução em codificação é essencial para o desenvolvimento da literacia precoce, especialmente para alunos com dificuldades de aprendizagem. O desafio que se coloca é garantir que este tipo de instrução seja implementado nas salas de aula, de forma a beneficiar todos os alunos.

 

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As autoras

Beverly Weiser é doutorada em Educação pela Southern Methodist University (SMU) Dallas, Texas, com ênfase em pesquisa e estatística em Educação. Como Professora Associada de investigação na SMU, Beverly trabalhou no Institute for Evidence-Based Education, esteve fortemente envolvida numa série de bolsas educacionais financiadas pelo governo federal e ensinou uma variedade de alunos de educação de nível de pós-graduação, incluindo avaliação de alfabetização, instrução diferenciada, pesquisa e estatística educacional e leitura e escrita em todas as áreas de conteúdo. Tem mais de quinze anos de experiência como consultora educacional especializada em currículo e implementação instrucional, treinando professores de leitura e matemática, completando e relatando análises estatísticas quantitativas e qualitativas, disseminando pesquisas por meio de manuscritos, apresentações e workshops de desenvolvimento profissional, participando de pesquisa e desenvolvimento de liderança educacional e avaliando e fornecendo recomendações para alunos com alto risco de dificuldades académicas. Atualmente, Beverly é proprietária da Beverly Weiser Educational Consulting, LLC., onde ela continua o seu trabalho no fornecimento de treino instrucional em leitura e matemática, criando currículo para atender às diferentes necessidades dos alunos, coletando e analisando dados para uma variedade de organizações e defendendo a melhoria da instrução e do desempenho académico nas escolas públicas para alunos com dificuldades de aprendizagem

Patricia Mathes, doutorada é professora emérita de ensino e aprendizagem da Southern Methodist University (SMU). Como pesquisadora educacional internacionalmente respeitada, educadora de professores e líder de pensamento, a missão da sua vida é garantir que todos os alunos tenham sucesso na escola. Antes de se aposentar precocemente da SMU em 2017, ela ocupou a cadeira Texas Instruments Endowed of Evidence-Based Education e foi professora de ensino e aprendizagem na Simmons School of Education and Human Development da SMU, onde fundou e dirigiu o Institute for Evidence-Based Education de 2003-2017. Começou a sua carreira como educadora depois de se formar na Universidade de Baylor em 1984 e se tornar professora em sala de aula. Obteve o seu mestrado em Educação na University Houston em 1987. Doutorou-se em 1992 em Educação e Desenvolvimento Humano pela Universidade de Vanderbilt. Além da SMU, ela também atuou nas faculdades de Pediatria da University of Texas – Houston Medical School, na College of Education da Florida State University e na Peabody College for Teachers da Vanderbilt University.  Foi também galardoada com os seguintes prémios: 2005 Albert J. Harris da International Literacy Association; 2002 Interpretive Scholar da American Educational Research Association; 2001 Distinguished Early Career Researcher do Council for Exceptional Children, 1999 Samuel A. Kirk do Council for Exceptional Children Division of Learning Disabilities; bem como o 2011 Distinguished Alumni da Baylor University. Em 2005, foi nomeada pelo Presidente George W. Bush para servir no conselho do Instituto Nacional de alfabetização familiar (NIFL), que exigiu a aprovação do Senado. É autora de numerosos artigos, capítulos e livros, de materiais curriculares e de avaliações de acompanhamento contínuo do progresso orientadas para o CAT.

 

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