É PRECISO UM GRITO E SÓ SE OUVE LAMENTOS! – por António Mão de Ferro

Uma vez alguém ao falar com um meu patrício Alentejano, reparou que ele andava um bocado aborrecido e a lamentar a vida e então para lhe ser simpático disse-lhe: pois é você está a ganhar pouco. A resposta foi a seguinte: Também para aquilo que eu trabalho! Passado uns dias a mesma pessoa encontrou-o novamente e no meio da conversa lá lhe foi dizendo: Pois é você trabalha pouco, e a resposta: Também para aquilo que eu ganho! Esta indiferença parece estar a caraterizar as pessoas.

 

 

Se compararmos a situação económica há uns 40 anos verifica-se que apesar da crise, se vive hoje incomparavelmente melhor. Essa situação terá contribuindo para uma falta de agressividade no desempenho da profissão e algum desleixo na procura de emprego. A par disso a família deixou de veicular os valores e referencias do passado. As novas tecnologias são agora os grandes difusores das referencias da maioria das pessoas. Como a solidez do que transmitem é fraca, acabam por deixar os que as seguem à deriva. Ao seguirem o que os média transmitem, as pessoas adotam valores e atitudes que nem sempre se coadunam com a sua maneira de ser e com aquilo que antes defenderam

 

Por isso o indivíduo divide-se entre o eu de que desertou e o eu que aceita integralmente. Isso cria-lhe sentimentos que ora provocam reacções positivas, ora negativas. A situação em que se encontra exige-lhe que o seu comportamento se adapte a conjuntos divergentes de atitudes e valores, o que nem sempre é fácil, porque aquilo que lhe parece certo num dia, está errado no dia seguinte, ou, o que ainda é pior, parece certo e errado ao mesmo tempo. Estas contradições criam frustrações ao homem e à mulher, na medida em que por vezes têm dificuldades em saber se devem avançar ou recuar nos seus propósitos para a superação de obstáculos que se lhe apresentam.

 

Parecem aquele guarda redes que saiu da baliza, mas que ficou a meio. Isto é saiu, mas não o suficiente porque entretanto hesitou e isso foi-lhe fatal, sofreu o golo com que a sua equipa foi derrotada! Mais do que o esforço dispendido estas hesitações entre a satisfação e a insatisfação, o avançar e o recuar, criam mais cansaço e stress do que se a pessoa de acordo com as suas características, definisse claramente onde pretender chegar e uma vez a situação definida, se implicasse com força e entusiasmo para alcançar o que deseja.

 

A hesitação e a indiferença fazem despender energias na procurara do equilíbrio entre a discordância e a harmonia, a repulsa e a atracção e aos poucos a pessoa começa a valorizar mais a paz interior e a estabilidade e daí à apatia e ao deixa andar é um passo. Nos dias conturbados em que vivemos é urgente que se saiba o que se quer. Estamos num momento em que é preciso um GRITO e só se ouve lamentos!

 

 

 

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