“Jardim das Delícias”. Apresentação – Augusta Clara

 

 

Delícias são tudo o que nos faz felizes. E é para isso que queremos contribuir com esta rubrica de A Viagem dos Argonautas: para espremer a dura realidade e dela extrair as gotas do néctar que, apesar de tudo, contém.

Quando lemos o texto que alguém escreveu, o poema em que os tocados por varinha mágica transformam a dor e a alegria, as cartas que amigos ou amantes trocaram, quando olhamos as imagens que a paleta guiada pela mão dum artista produziu, quando entramos em êxtase através de sublimes sons que nos invadem o éter, o que somos senão felizes?

Ao nosso Jardim vai faltar apenas o que saboreamos e o que tocamos para as delícias morarem todas aqui. Mas mais não conseguimos. Somos, apenas, pobres virtuais. Só esperamos conseguir empolgar-vos de modo a experimentarem no mundo real todos os prazeres que aqui faltarem.

Porém, o Jardim tem matizes. Nem sempre nele vai raiar o sol porque nunca isso acontece em lugar algum. Nos dias sombrios, as ameaças e os medos escondem-se em recantos insuspeitos. O que ele vai estar sempre é povoado por vibrações de vida. Disso não tenham dúvidas.

Venham connosco. Tragam as vossas palavras seja qual for a expressão que para elas adoptarem.

Haverá quem nos relate as vivências, quem conte um conto ou desfie um poema, quem nos dê notícias, quem nos traga boas ou más memórias, auxiliares para melhor percebermos o mundo e os seres.

 

Destas e doutras coisas se falará neste sítio: do que vai acontecendo por aqui e por ali, do que a nossa imaginação nos permitir e das delícias que formos capazes de ir encontrando na arrecadação dos tesouros.

 

O Jardim sofreu um transplante. E quem melhor para o efectuar do que um médico que, para nossa alegria, é, também, pintor? Pois bem, foi ele, o Adão Cruz, quem, de algum modo, lhe deu um novo coração, semeando a imagem que se vê à entrada.

 

 

 

 

1 Comment

  1. Saudações e um beijo especial que se desfiem então os poemas em escafandros prateados, se soltem as palavras resistentes como rochas, se abram as portas às memórias, se navegue nas entrelinhas e nas linhas de viver…PARABÉNS pelo trabalho fabuloso

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