Acabamos hoje a série Rumores, tremores, tumores. Agradecemos a atenção dispensada. Podem porém continuar a ler sobre o tema, amanhã, com um artigo do The Independent que nos dá uma ideia dos rumores que varreram os mercados financeiros e não só estes nestes dias de Agosto que bem dramáticos devem ter sido.
A partir de amanhã podem possivelmente continuar a ler sobre o tema nos comunicados da Moody’s, da Standard and Poor’s e da Fitch, nos comunicados eventuais da Société Générale, do BPN, do Crédit Agricole, da Alta Autoridade para os Mercados Financeiros, nos jornais sobre a exigência feita por Société Générale ao Mail on Sunday de uma penalização de um milhão de libras para obras de caridade, poderão eventualmente continuar a ler sobre o motivo desta longa crónica nos comunicados do governo francês que já começaram, aliás, e esperemos que se fique tudo por aqui porque, se assim não for, corremos o risco de ter que ler esta história por um outro ângulo também, o de virem aos bolsos para ajudar a pagar mais esta factura.
Esta questão mostra mais um drama da crise e da incompetência dos nossos dirigentes. Depois de se terem lançado em ataques brutais contra os Estados soberanos, contra a dívida soberana, depois dos Estados nacionais aflitos terem utilizado os meios de protecção possíveis, a aquisição pelos seus bancos da dívida soberana, eis agora os hedge funds, os fundos de investimento, os verdadeiros especialistas nas vendas a descoberto, sejam elas cobertas com títulos emprestados, sejam elas completamente nuas, a venda dita naked short-selling, que têm neste momento como via de ganhos máximos especulação à baixa, ei-los pois agora ao ataque a todos os bancos com forte carteira de títulos dos países que eles mesmos deitaram abaixo.
Como cidadão aqui deixo publicamente o meu apelo a Durão Barroso e ao conjunto de dirigentes da Europa, em especial a Michel Barnier, que na Europa é suposto estarem dentro do avião que a destino incerto esta está a levar, a todos eles apelo que, de uma vez por todas, aprendam com as lições da História, aprendam com a crise na Alemanha de final do século XIX, aprendam com as lições de Roosevelt. A todos apelo pois para que as operações de venda a descoberto sejam condicionadas a uma forte percentagem de colateral, até mesmo de 100 % e como garantia de entrega imediata, a todos eles apelo para que as operações especulativas a descoberto, naked short-selling, sejam completamente proibidas e que esta proibição seja estendida a todos os organismos domiciliados mesmo fora da Europa. A todos eles apelo igualmente que os CDS e em particular os CDS nus, os naked CDS, sejam igualmente proibidos e à mesma escala espacial e tudo isto enquanto não se alcançarem pelo menos as posições de produção ao nível da zona euro existentes antes da crise rebentar, antes de 2007. Que todos os meios legais sejam desenvolvidos para tornar esta proibição uma realidade eis pois aqui o meu apelo individual.
Que se salve pois a zona Euro, que se salvem pois todos os seus Estados-Membros.
E entretanto boa leitura dos textos que se seguirão.
Coimbra, 12 de Setembro de 2011
Júlio Marques Mota
