OS HOMENS DO REI -15 -por José Brandão

Estevão Anes  (Séc. XIII)

 

Chanceler-mor de D. Afonso III, ligado às origens da povoação de Alvito. Por meados do século XIII, Alvito constituía uma herdade que andava na posse de particulares e do conselho de Évora, aos quais a resgatou D. Afonso III em 1255, ou data próxima para a conceder, com direitos senhoriais, a Estevão Anes, seu chanceler-mor, velho partidário, desde os tempos em que anda simples Conde de Bolonha se agitava politicamente em França, disputando a seu irmão, Sancho II, a coroa de Portugal.

 

Assim nasceu a povoação de Alvito, que em 1265 recebeu a visita do monarca doador, que com sua mulher e filhos ali pousou, jornadeando de Évora para Beja.

 

No desempenho das suas atribuições, o Rei era auxiliado por um grupo de altos funcionários com funções bem determinadas: o alferes-mor, a quem competia a chefia do exército na ausência do monarca; o mordomo da corte, responsável pela administração da casa real; o chanceler, guarda do selo real utilizado na autenticação dos documentos. Até ao termo da Reconquista com D. Afonso III, o mais importante destes cargos era o de alferes-mor, facto que se explica pela situação de guerra que se viveu até então. Terminada a Reconquista e numa altura em que a Realeza deu especial atenção à produção legislativa, foi o chanceler a ocupar o primeiro lugar na hierarquia dos altos funcionários do Estado. Organizou-se, a partir de então, a chancelaria régia, à frente da qual se encontrava o chanceler, auxiliado por escrivães, encarregados da redacção dos diplomas, e por notários, a quem competia submeter os documentos para efeitos de validação.

 

Segundo o costume feito lei, a estada do rei em terra coutada abolia os privilégios a ela inerentes por isso, o donatário, sem embargo das íntimas relações que oficialmente e mesmo particularmente o ligavam ao soberano, logo tomou as precauções necessárias, solicitando e obtendo um diploma régio de confirmação do couto.

 

A partir dessa data, sobretudo através da acção do Chanceler, procede-se ao seu repovoamento, passando Alvito a ser uma povoação com dimensões consideráveis para a época com castelo que fará História.

 

O castelo de Alvito é antes de mais um edifício de arquitectura militar, com aparência de fortaleza apalaçada, tendo na sua composição inicial claras influências góticas e islâmicas. Na sua projecção horizontal é um quadrilátero, pois possui quatro torres redondas nas esquinas. Das linhas do quadrilátero crescem-lhe fachadas, sendo as das linhas sul-poente e sul-nascente fachadas de palácio e as nascente-norte e norte-poente, linhas  muralhadas ligando as torres e quadriculando com as primeiras linhas, um terreiro interior ou pátio acastelado. Fachada em alvenaria. Possui Torre de Menagem. Esta tem dois pisos superiores e um térreo. As características islâmicas, estão bem presentes na traça geral deste edifício através de algumas janelas que se apresentam em arco de ferradura, maineladas, inscritas em arco conopial, com aduelas em tijolo, assim como na decoração naturalista dos capitéis.

 

Sempre disponível para agradar aos seus apoiantes, Afonso III doa ao seu chanceler D. Estêvão os bens outrora pertença do mouro Aboaale e sua mulher, Zaporona, em Santa Maria de Faro.

 

Em 1279 morre D. Estêvão Anes, ficando a vila em testamento para a Ordem da Santíssima Trindade, a qual lhe concede carta de foral, idêntica ao de Santarém, a 1 de Agosto de 1280.

 

As dificuldades de visão e audição e mesmo a homossexualidade de um Estevão Anes – que tem sido identificado com este chanceler de D. Afonso III –, têm sido os acontecimentos mais visados pela veia satírica dos trovadores da época.

 

A seguir: João Peres de Aboim

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