LOU SALOMÉ E NIETZSCHE – II – por Clara Castilho

 

 

 

 

 

 

À MINHA QUERIDA LOU

 

Amiga, diz Colombo, não

Confies em nenhum genovês;

Com os olhos perdidos no mar,

Fascina-o a distância.

À amante, arrebata-a

Para o infinito do espaço e do tempo.

Por cima de nós, o brilho das estrelas,

À nossa volta brame a eternidade.

 

Lou conheceu Nietzsche (1844-1900) no ano de 1882. Com Paul Rée formaram um

grupo de intensa troca intelectual e filosófica. Gerando sentimentos apaixonados nos dois homens, Lou, recusava, no entanto, uma aproximação mais física. Não acedeu às propostas de casamento que Nietzsche lhe fez, o que o deixou em profunda frustração e melanacolia. Foi nessa altura que ele começou a escrever “Assim Falou Zaratustra”, reconhecendo mais tarde que as conversas com Lou o tinham inspirado e que ela compreendia o seu trabalho mais do que ninguém.

 

Publicado o livro em 1983, logo no ano seguinte Lou escreveu “ Friedrich Nietzsche em sua obra”, tendo sido criticada por oportunismo, mas onde reflectia sobre as suas conversas.

 

Por essa altura (Dez. 1982) Nietzche escreveu-lhe: “Cara Lou,… tens em mim o teu maior defensor, mas também

 

o mais impiedoso juiz! Exijo que te julgues a ti mesma e que determines a tua própria punição… De volta a Orta, decidi revelar-te toda a minha filosofia. Oh! Não tens ideia do volume dessa decisão: acreditei que não poderia presentear melhor ninguém… Naquela época, eu considerava-te uma visão e uma manifestação do meu ideal terreno….” E mais tarde, Lou respondeu-lhe:

 

Claro, como se ama um amigo

Eu te amo, vida enigmática –

Que me tenhas feito exultar ou chorar,

Que me tenhas trazido felicidade ou
sofrimento,

Amo-te com toda a tua crueldade,

E se deves me aniquilar,

Eu me arrancarei de teus braços

Como alguém se arranca do seio de um amigo.

Com todas as minhas forças te aperto!

Que tuas chamas me devorem,

No fogo do combate, permite-me

Sondar mais longe teu mistério.

Ser, pensar durante milênios!

Encerra-me em teus dois braços:

Se não tens mais alegria a me ofertar

Pois bem – restam-te teus tormentos.

 

A relação entre Lou e Nietzsche foi sistematicamente sabotada pela irmã deste, Elisabeth. E Lou só levantou o véu sobre o que entre eles se teria passado em 1935, depois da morte de Elisabeth, quando aceitou pôr à disposição dos editores a correspondência com o filósofo.

 

No ano de 2009, o escritor Irvin D. Yalon escreveu o livro “Quando Nietzsche Chorou”( Saída de Emergência, Parede), onde, ficcionalmente fala sobre a saúde, a personalidade e a vida amorosa do filósofo, numa mistura realidade e ficção, abordando precisamente este período da sua vida com Lou Salomé e Paul Rée.

 

 

 

 

 

 Oración a la Vida (Nietzsche – Salomé):

 

 

 

 

 

 A seguir:

 

 

LOU SALOMÉ E RILKE

 

 

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