DIÁRIO DE BORDO, 12 de Outubro de 2011

 

Foi anunciado que os museus vão passar a cobrar pelas visitas ao domingo. Também faz parte da austeridade. Não temos presente se esta medida é uma imposição da troika, ou se é fruto do desejo do Dr. Passos Coelho de ir mais além (não do Bojador ou da Taprobana, mas no ataque ao défice orçamental). O problema é que não tem ponta por onde se lhe pegue.

 

Não sei quanto o Estado irá encaixar com as entradas nos museus aos domingos. Mas atrevo-me a dizer que não deve ser nada de significativo, no meio dos milhares de milhões do orçamento. E atrevo-me ainda a prever que as visitas aos museus ao domingo vão diminuir. Um país que procura fazer da sua história um ponto forte, até para promover o turismo, deve valorizar os seus museus e encorajar as visitas. Não me parece que pôr os visitantes a pagar ao domingo vá nesse sentido.

 

Esta medida insere-se num conjunto de outras que têm um único objectivo: pôr os cidadãos a contribuir, de qualquer maneira, no curto prazo, para o orçamento. Mas claramente faz parte das vão provocar não só uma diminuição do consumo imediato, mas também uma redução na actividade económica em geral, pois têm repercussões nos circuitos económicos e sociais. Para além dos museus, medidas com efeito semelhante são as portagens, o IVA da restauração, os transportes públicos.

 

Os museus são apenas um pequeno capítulo do orçamento. Vão ver reduzir-se cada vez mais a sua importância no conjunto. A quebra no número de visitantes será mais um incentivo à política de cortes (e aumentos) cegos em vigor. A imposição do pagamento de entradas ao domingo é sem dúvida uma má medida.

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