
O conceito segunda via, faz parte da gíria . Entre os membros de um sistema administrativo, é um falar de forma burocrática, é uma linguagem que faz parte da burocracia de qualquer Estado, País ou Nação, apesar de ter sido criada pela administração do Estado Francês. Essa segunda via é solicitar cópia de um papel perdido, necessário para requisitar um valor ou um serviço. Uma segunda via é a passagem para mais um texto do qual se tinha solicitado uma cópia padrão primeiro, essa denominada, no jargão da burocracia, uma primeira via .
A definição, leva-me a pensar que a segunda via é uma excelente metáfora para definir ao progenitor substituto de uma criança, esse caminho circular que contorna o caminho directo entre uma acção – dar à luz, amamentar, um seio bom, como diz Melanie Klein, uma acção, dizia, e uma necessidade, entre um precisar e um obter. Entre um sentimento e um objectivo procurado. Segunda via, ainda que faça parte da burocracia, faz de bom seio quando a primeira via não está: o pai e a mãe.
É a síntese do que devia ter sido feito logo e nunca mais é conseguido. Parece-me que a segunda via é o agir dos adultos não mães, na vida de uma criança: são os substitutos. As crianças têm, queiram ou não, saibam ou não, uma segunda via nos seus sentimentos. Uma criança mora no sítio social dos que estão em baixo, subordinados, submetidos à autoridade dos adultos que a lei positiva define como os seus tutores, autoridades que ensinam, os seus docentes, ou os curadores dos seus bens, no tempo em que o mais novo ainda não está capacitado pela lei para ter autoridade para gerir os seus bens, caso os tenha ou não.
Como manda o Código Civil que nos governa e o Direito Canónico, que o substitui, como está definido noutro meu texto. Leis que contextualizam o ensino ritual na catequese, aprendizagem utilizada nos degraus de passagem de uma forma de estar na vida a outra, instrução de ritos de passagem , aprendidos também, para outros objectivos mais materiais, nas aulas de Educação Cívica. A criança aprende quem deve respeitar, os adultos, especialmente os seus parentes consanguíneos ou por afinidade. De todos eles, os mais preciosos: o pai e a mãe.
Com uma advertência especial na cronologia da vida: no decorrer do tempo, a criança passa a adorar a mãe, enquanto o pai é sempre temido. Esse temor está incutido no imaginário ocidental, ideias que desenham a divindade com cara de homem, enquanto a mãe, é sempre representada com cara de anjo e a olhar para o céu. Seja verdade ou não na realidade. Até há pouco tempo, a lei era ministrada pelo género masculino, enquanto a mulher ou era definida como doméstica ou desempenhava trabalhos menores. Excepto se a hierarquia fosse muito alta e herdada, como rainhas e reis, reminiscências do tempo feudal, que ainda existem sabendo-se manter em democracia, controladas, ela ou ele, por um Parlamento.
É apenas no tempo de Golda Meir , Primeiro-Ministro de Israel, de Indirah Ghandi, na Índia e Benazir Bhutto, no Paquistão, Margaret Thatcher na Grã-bretanha, Mary Robinson e Mary Mac Aleese, Presidentas de República de Eire ou Irlanda, entre 1990-1997, a primeira, e de 1997-2004, reeleita por mais um período de sete anos, a segunda, que em vários países surgem mulheres Presidentes ou Primeiros-ministros, como Violeta Chamorro, da Nicarágua e Michelle Bachelet, no Chile de hoje.
Até Golda Meier, nenhuma mulher tinha ocupado um cargo hierárquico por eleição livre. Parece disfuncional falar tanto de mulheres no poder, mas o disfuncional tem sido o facto de se considerar a mulher uma entidade incapaz de governar um grupo social, exceptuando a época feudal, época na qual as mulheres eram Rainhas com poder absoluto, até à altura das Revoluções do Século XVII na Grã-bretanha e do Século XVIII, em França.
NOTAS:
O Dicionário de língua portuguesa em linha que me apoia diz: s. m., linguagem usada em situações informais e que se desvia da norma; linguagem peculiar de certas artes, ofícios, actividades; gíria, em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx. Do Francês, bureaucraties. F., modo de administração em que os assuntos são resolvidos por um conjunto de funcionários sujeitos a uma hierarquia e regulamento rígidos, desempenhando tarefas administrativas e organizativas caracterizadas por extrema racionalização e impessoalidade, e também pela tendência rotineira e pela centralização do poder decisivo; classe dos funcionários públicos, especialmente os funcionários do Estado. O dicionário que me ajuda a definir, diz: fig., meio, modo de obter ou conseguir qualquer coisa; desígnio; método; sistema, em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx O seio “bom” que amamenta e inicia a relação amorosa com a mãe é o representante do instinto de vida, sendo também sentido como a primeira manifestação da criatividade. “O seio bom – externo e interno – converte-se no protótipo de todos objectos prestimosos e gratificadores; o seio mau é protótipo de todos os objectos persecutórios internos e externos” (M. Klein) Caracteriza-se esta posição, pela clivagem (splitting) do objecto (seio) em “bom” e “mau”. O objecto é parcial e dividido (esquizo = divisão). O seio que gratifica é o mesmo seio que frustra; o seio é um objecto clivado em “bom” e mau”. O objecto bom e o mau, adquirem uma autonomia, um em relação ao outro, separam-se, dividem-se, clivam-se. O objecto bom é “idealizado”, pode conferir “uma consolação ilimitada, imediata, sem fim” (M. Klein). A sua introjecção defende a criança da angústia persecutória. O objecto mau é um perseguidor aterrorizante; a sua introjecção causa angústias extremas. A angústia é de natureza persecutória (paranóide) por medo de destruição pelo objecto “mau”. Neste estado, o ego é muito pouco integrado, está clivado. Os objectos (seio) bom e mau darão origem ao super-ego, e às primeiras noções de bem e mal. “Estes primeiros objectos introjectados constituem o núcleo do super-ego” (M. Klein). O texto completo está em: http://groups.msn.com/009u0m3c6278gi/geral.msnw?action=get_message&mview=0&ID_Message=3659&all_topics=1. As definições de Klein anteriormente citadas aparecem no seu texto de 1957: Inveja e Gratidão. Estudos das fontes do inconsciente, excertos dessa obra podem ser lidos em: http://cyberdemocracia.blogspot.com/2008/08/melanie-klein-inveja-e-gratido.html, que começa por dizer: “O ciúme teme perder o que possui; a inveja sofre ao ver o outro possuir o que quer para si. O invejoso não suporta a visão da fruição. Sente-se à vontade apenas com o infortúnio dos outros. Assim, todos os esforços para satisfazer um invejoso são infrutíferos. O ciúme é uma paixão nobre ou ignóbil, em função do objecto. No primeiro caso, é emulação aguçada pelo medo. No segundo caso, é voracidade estimulada pelo medo. A inveja é sempre uma paixão vil, arrastando consigo as piores paixões”. Em suporte de papel, está editado pela Imago, Rio de Janeiro, Brasil, Volume 3, pp. 205-267. Comentários em linha no sítio Cybercultura (supra citado), blogue criado por J. Francisco Saraiva de Sousa, Universidade do Porto. Antes de ser artigo da Imago, foi livro: Envy and Gratitude. A Study of Unconscious Sources, Melanie Klein, New York: Basic Books, Inc., 1957, 101 pp. O facto dos trabalhos de Melanie Klein serem pouco conhecidos entre nós, levou-me a acrescentei um anexo (1) a este texto, na tentativa de expandir a sua teoria. Ritos de passagem são celebrações que marcam mudanças de status de uma pessoa no seio da sua comunidade. Os ritos de passagem podem ter carácter religioso, por exemplo. Cada religião tem os seus ritos, que podem, ou não, ser parecidos com os de outras religiões. O termo foi popularizado pelo antropólogo alemão Arnold van Gennep nacionalizado francês, história de vida em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Arnold_Van_Gennep, no início do século vinte. Outras teorias foram desenvolvidas por Mary Douglas e Victor Turner na década de 60, da última centúria. Os ritos de passagem são realizados de diversas formas, dependendo da situação celebrada; desde rituais místicos ou religiosos até à assinatura de papéis (ou ainda os dois conjuntamente), sobre esta matéria, veja-se: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ritos_de_passagem, ou o texto em suporte de papel que tenho comigo: van Gennep, Arnold, (1909, Editora de Émile Nourry), reeditado em 1960 por Mouton & Co e Maison des Sciences de l´Homme: Les rites de passage, Étude Systématique de Rites, com nova reedição, em 1981, por Éditions A. et Jean Picard, Paris, cópia que uso. O texto não está em linha, mas encontra-se comentado em várias entradas da Página Web: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Arnold+van+Gennep+Les+rites+de+passage&meta=. Van Gennep é denominado o Pai da Etnografia Francesa e o seu saber é não apenas respeitado, como tem orientado os trabalhos dos Antropólogos Franceses desde os dias das suas aulas d’Histoire Comparée des Civilizations et d’Ethnographie na Universidade de Neuchâtel, Paris. Não é fácil citar um comentário de um político Israelita quando nos referimos a Golda Meier: Golda Meir, eleita Primeiro-ministro de Israel (Prime Minister of Israel) em 17 de Março de 1969, após ter exercido os cargos de Ministro do Trabalho e de Ministro de Assuntos Estrangeiros. Descrita como a Dama de Ferro “Iron Lady” da política de Israel (Israeli politics) muitos anos antes desse epíteto ser associado com a Primeira Ministro da Grã-bretanha, Margaret Thatcher.[2] David Ben-Gurion costumava denomina-la “o melhor homem no governo.”[3] Meir foi a primeira mulher a exercer o cargo de Primeiro-ministro de Israel e a terceira no cargo de Primeiro-ministro, em termos mundiais. Saliente-se, ainda, que foi a primeira mulher votada para o cargo, sem nenhuma intervenção familiar precedente.[4] Mulheres Primeiros-ministros antes de Golda Meir foram Sirimavo Bandaranaike do antigo Ceilão (hoje Sri Lanka), filha de um primeiro-ministro e mãe do terceiro Presidente da República de Sri Lanka e Indira Gandhi da India. Meir foi sempre caracterizada como “de forte força de vontade, falar direito, a Avó de cabelos brancos do povo judeu”[3]. Governou Israel entre 1969 e 1974. Não foi reeleita devido a um tumor cancerígeno, que a levou ao seu Jardim do Éden em 1978. Foi sepultada no Cemitério dos Grandes, no Monte Herlz, onde estão os corpos dos que têm prestado serviços insignes ao seu país. Local onde cerca de 100 pessoas foram sepultadas, por terem sabido servir a Pátria e a sua família, a começar pelo organizador do Movimento Zionista, Theodor Herzl, morto na Áustria em 1904 por ter fundado o movimento Zionista que, mais tarde, permitiu a criação do Estado de Israel. Retirado do meu saber pessoal e das seguintes fontes na net: http://en.wikipedia.org/wiki/Golda_Meir, http://www.jewishsf.com/content/2-0-/module/displaystory/story_id/11255/edition_id/216/format/html/displaystory.html. Garcia Estébanez, Emilio, 1992: ¿Es cristiano ser mujer? La condición servil de la mujer según la
