OS HOMENS DO REI – 53 – por José Brandão

Marquês de Marialva (1610-1675)

Filho e herdeiro de D. Pedro de Meneses, segundo Conde de Cantanhede, e de D. Constança de Gusmão, D. António Luís de Meneses nasceu cerca de 1610 e foi senhor de catorze vilas da Beira Alta, entre as quais Marialva, na comarca da Guarda. Em 1640, distinguia-se entre os primeiros a aclamar entusiasticamente a elevação de D. João IV ao trono e no ano seguinte, já mestre-de-campo, organizou na Beira Alta, à sua custa, como o permitia a organização militar do Reino, um terço de infantaria de seu comando, para se bater contra a Espanha, que nesse ano tentava a reconquista do Portugal restaurado.

 

Continuas lutas se seguiram à revolução do 1.º de Dezembro de 1640, provocadas pelos exércitos castelhanos, que procuravam energicamente passar as fronteiras de Portugal; o conde de Cantanhede tomou parte muito activa nestas lutas, distinguindo-se sempre pelo seu grande arrojo e valentia. As vitórias portuguesas de Montijo e Telena tinham estabelecido uma trégua tácita e o Conde de Cantanhede, admitido à frequência da Corte no Conselho de Guerra e no Conselho de Estado, era nomeado em 1651 vedor da Fazenda e ministro do Despacho. Fora nomeado coronel no próprio dia 1.º de Dezembro, quando se realizou a aclamação de D. João IV.

 

Organizou-se depois em Coimbra um regimento de 1 660 homens, de que ele era o comandante, regimento que se tornou muito afamado pelas provas de valor e de intrepidez com que sempre se distinguia nos combates em que entrava. Quando em 1641 o coronel conde de Cantanhede chegou a Cascais, el-rei quis recompensar-lhe os serviços prestados em honra da pátria, dando-lhe um lugar da maior importância e confiança na corte, que o distinto fidalgo não aceitou, porque a carreira das armas, para que tinha decidida vocação, lhe fazia antever um futuro brilhante de vitórias e de feitos heróicos.

 

Quando era preciso reforçar as tropas que guarneciam as fronteiras, recorria-se sempre ao valioso auxílio de D. António Luís de Meneses. Em 1656 morreu D. João IV, e até esse momento o ilustre fidalgo, que usava do título de conde de Cantanhede, não aceitou cargo algum de importância na corte, por ser do partido contrário ao conde de Odemira, que tinha todo o valimento real. Os afeiçoados do conde de Cantanhede só começaram, portanto, a salientar-se na corte, depois do falecimento do monarca. Corria o ano de 1658.

 

A praça de Elvas, de que era governador D. Sancho Manuel, depois conde de Vila Flor, achava-se cercada por um exército de 3 000 homens comandados pelo general castelhano D. Luís Mendes de Haro. O conde de Cantanhede, a quem somente agradavam empresas dificultosas, pondo-se em seguida em movimento, reuniu todas as tropas de que podia dispor, mandou comunicar astuciosamente a D. Sancho Manuel, que estabelecera o seu quartel-general em Estremoz, e que contasse com o mais pronto socorro. O exército, assim organizado, saiu de Estremoz em 11 de Janeiro de 1659, e chegou dois dias depois à frente das linhas de Elvas. Seguiu-se a grande e memorável batalha no dia 14, que foi uma das maiores glórias para D. António Luís de Meneses.

 

O conde de Cantanhede recebeu muitas mercês, sendo também agraciado com o título de marquês de Marialva, por decreto de 11 de Junho de 1661, juntando-se depois a esta honra o juro e herdade por alvará de 14 de Maio do 1675. Havia casado em 1635 com D. Catarina Coutinho, filha e herdeira de D. Manuel Coutinho, senhor da Torre do Bispo. Falecido em 1675, D. António Luís de Meneses era o 3.º conde de Cantanhede e o 1.º marquês de Marialva. Determinou que o sepultassem na vila de Cantanhede, e o seu coração ficasse no convento de S. Pedro de Alcântara, de Lisboa.

 

A seguir: Padre António Vieira

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