Novas Viagens na Minha Terra, Série II, Capítulo 73. Por Manuela Degerine

Um Café na Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Num Jardim da China: os homens

 

 

Um biombo chinês é como uma manga, lê-se da direita para a esquerda. Por isso aqui o elemento ativo, masculino, se situa do lado direito, sendo introduzido pela entrada de um cavaleiro numa propriedade, antecedido pelos peões e tambores que o anunciam, pelo palafreneiro conduzindo outro cavalo à rédea, acompanhado pelo seu séquito e por um peão porta-estandarte. Músicos tocam no coreto e criados ocupam-se de dois cavalos.


O centro dos acontecimentos situa-se no pátio seguinte, após uma porta realçada por duplo telheiro azul com esculturas nos ângulos. Por os chineses não engraçarem com a simetria, este centro não se situa no centro do biombo, mas um pouco deslocado para a direita, isto é, para a parte masculina do espaço, ocupando portanto a quinta e a sexta folhas.


Com armas e couraças, quatro guardas vigiam, encostados à parede. Num pórtico onde se penetra subindo quatro degraus, diante de um mural representando o combate de dragões, na zona delimitada por um tapete com barra vermelha, o Senhor mostra-se numa cadeira de aparato: acima dos que o rodeiam. Usa um chapéu honorífico e segura um ceptro. O seu corpo é uma forma oval, vermelha a cor do seu trajo com dragões. O sorriso do Senhor, a forma e a posição do corpo fazem lembrar algumas imagens de Buda. A cor estabelece uma continuidade entre as colunas, o friso do edifício e o corpo da personagem, por consequência os visitantes, subindo os quatro degraus, são admitidos no corpo simbólico do Senhor.


Todas as outras personagens se encontram de pé. Um homem fala em postura de grande respeito. Do lado direito vemos um grupo, personalidades oficiais ou poderosas, rica e coloridamente trajadas, ventres proeminentes, atitude orgulhosa, atenção variável; não olham todos na direção do Senhor. Do lado esquerdo aparecem homens que, pela posição, podem ser da família, com aparência refinada, ricamente vestidos, subtilmente coloridos, entre os quais três jovens e um pequeno adolescente – este com trajo vermelho.


Os homens têm acesso ao mundo exterior, ocupam cargos administrativos e, mesmo em posição subalterna, desempenham funções variadas (guarda, músico, palafreneiro, porta-estandarte…): o poder e o fazer são aqui masculinos. Continuando para a esquerda, entramos no espaço feminino. 

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