Ontem, o Correio da Manhã deu-nos mais uma notícia sobre a banca portuguesa: no mês de Março financiou-se junto do Banco Central Europeu em 56,3 mil milhões de euros, à taxa de um por cento. E a previsão é de que vai aplicar este dinheiro a comprar dívida pública portuguesa, pela qual cobrará pelo menos cinco por cento. Emprestar às empresas, às famílias nem pensar. É preciso ver que se trata de uma opção pelo lucro maior e mais seguro. Supõe-se que o Estado sempre tem onde ir buscar dinheiro para pagar capital e juros. Os particulares, exceptuando evidentemente os donos dos bancos e alguns afins, cada vez têm menos dinheiro. Ao fim e ao cabo, a dívida pública portuguesa é apetecível. E já apareceu mais uma agência notação a fazer predições maléficas.
A verba emprestada no mês passado á banca privada portuguesa dava para cobrir o défice dos próximos sete anos. Assim Portugal conseguiria recuperar da crise em que está metido, a não ser que os políticos que nos têm (des)governado descobrissem mais uns buracos para nos meter. É verdade que têm mostrado uma capacidade inacreditável para isso. O facto é que é a eles e à banca que devemos a situação em que nos encontramos. Com eles na mesma posição, a controlarem as nossas vidas, é óbvio que não vamos melhorar. Pelo contrário vamos de mal a pior. Já há notícias de que, enquanto a Grécia e a Irlanda vão começar a recuperar, Portugal vai continuar em queda. Porque será?
Continuamos a ouvir falar em produtividade, competitividade, etc. O problema é que estas noções (palavras mágicas?) implicam outras análises, de que nunca se falam nos seminários, congressos, etc. Pelo menos não se lhes reconhece importância, como quando se fala de ciência económica (uma ciência mágica?). Seria o caso de medir a confiança dos portugueses no futuro da pátria, que anda tão mal tratada. Aliás este tema às vezes é abordado por nacionalistas saudosistas, e outros tipos sem juízo, com os resultados óbvios: só disparates.
Quando temos governantes a recomendar a emigração aos portugueses, ou Passos Coelho a afirmar que não pode repor os subsídios aos funcionários públicos e aos reformados no fim de 2014 porque daria “uma imagem precipitada”, as conclusões também são óbvias: temos a guiar-nos uns indivíduos que também não acreditam na viabilidade do país, e dos quais é mesmo legítimo duvidar se se preocupam muito com o assunto. Só pode. Só gente muito ignorante ou que não se importa com o futuro do país é que não procura lutar contra a emigração, incluindo a emigração dos mais novos e melhor preparados, que, hoje em dia, são os que vão emigrar mais depressa. E é preciso ser-se completamente tapado para não ver que o corte dos chamados subsídios foi um golpe tremendo na economia do país, porque impôs uma redução violentíssima ao consumo, numa altura em que ele já estava a cair. Para os grupos económicos não foi grande o golpe, mas para as pequenas e médias empresas foi a catástrofe. Se não são tapados, são outra coisa pior.

