EM COMBATE – 29 – por José Brandão

Foi na zona, em que são colocadas as companhias do BCaç 670, que ocorreram alguns dos episódios mais sangrentos de 15 de Março de 1961, quando a UPA desencadeia um conjunto de acções militares, de enorme violência, no Norte de Angola. Estas acções tiveram lugar da forma mais brutal que se possa imaginar, abrangendo regiões situadas nos Distritos de Zaire, Uíge e Cuanza Norte, das quais destaco, Quibaxe, Vista Alegre, Aldeia Viçosa, Quitexe, Quicabo, Nambuangongo Zala, Zalala, Quibala, Nova Caipemba, Bessa Monteiro, Madimba, Canda, M Bridge, Luvaca, Buela e outras.

 

Em apenas dois dias, foram mortas cerca de 7200 pessoas, entre as quais 1200 brancos e cerca de 6000

 negros, englobando fazendeiros, comerciantes, trabalhadores de plantações de café, homens, mulheres, velhos e crianças. Foram chacinados com requintes de malvadez que tudo incluiu desde a decapitação, desmembramento, violação e incineração, independentemente de serem crianças de tenra idade, algumas tiradas do ventre das mães.

 

Num primeiro momento, as poucas forças portuguesas presentes no território tentam retirar das fazendas assaltadas os sobreviventes.

 

Os colonos organizam a autodefesa e o contra-ataque. Os poucos meios da Força Aérea desempenham papel decisivo.

 

A UPA é o movimento dominante, enquanto o MPLA tenta afirmar-se, mas a sua fraqueza no terreno é evidente.

 

A partir da chegada dos primeiros contingentes militares portugueses, inicia-se a reocupação do Norte. Batalhões de caçadores instalam-se na fronteira, desde Santo António do Zaire até Maquela do Zombo.

Em operações de tipo convencional, forças portuguesas ocupam Nambuangongo e, posteriormente, outras localidades que, durante algum tempo, estiveram em poder de elementos da UPA.

 

As operações têm cariz mais psicológico do que de efectivo valor militar, pois os guerrilheiros já se encontram ou de regresso ao lado de lá da fronteira, ou instalados nas matas.

 

A primeira medida tomada pelos comandos militares portugueses foi colocar unidades junto às fronteiras com a missão de evitar as infiltrações de guerrilheiros e assim tentar isolá-los do apoio exterior.

 

A missão de interdição da fronteira era atribuída normalmente aos batalhões em quadrícula. Assim acontece com as Companhias do BCaç 670. No início da guerra foram instalados postos militares com a missão de vigiar as fronteiras, mas face à impossibilidade de estes postos com pequenos efectivos garantirem a sua segurança, passaram a ser guarnecidos por novas companhias ou foram abandonados.

 

A primeira missão das unidades era assegurar a defesa de determinados pontos sensíveis: povoações, instalações de importância política, administrativa, económica e militar, pontes e nós de comunicações.

 

A força que recebia a missão de defender um ponto sensível devia estabelecer medidas de segurança, para evitar ser surpreendida e articular-se de modo a resistir a um ataque, as quais incluíam postos de sentinela ou de vigia, a medida mais vulgar; iluminação nocturna, dependente da potência dos geradores; obstáculos, redes de arame, campos de minas e armadilhas e um sistema de alarme.

 

Estas medidas genéricas aplicavam-se, com adaptações, na defesa de uma povoação e de postos militares isolados.

 

A dificuldade das tropas regulares em garantir o trânsito num dado itinerário resultava da facilidade com que a guerrilha neles podia levar a efeito emboscadas e acções de flagelação e da vulnerabilidade das colunas, nomeadamente quando os terrenos que percorriam eram cobertos por vegetação, muito ravinados e com mau piso.

 

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