11h00 – Incapaz de se fazer obedecer, o 2º governador militar de Lisboa conserva as forças que lhe restavam nas posições que ocupavam, não tomando, naquela altura, mais nenhuma iniciativa.
– O governo consegue cortar a emissão em FM do R.C.P., desligando o comutador de Monsanto.
– É detido, por forças do BC 5, nas instalações do Quartel Mestre General, o seu responsável, general Louro de Sousa.
11h30 – As unidades estacionadas no Terreiro do Paço dividem-se, avançando:
– a Escola Prática de Cavalaria para o Quartel do Carmo, sendo, ao longo de todo o percurso, aclamada entusiasticamente pela população.
– forças dos Regimentos de Cavalaria 7, Lanceiros 2 e Infantaria 1 – que contavam com 16 blindados – comandadas por Jaime Neves e pelos tenentes de Cavalaria Cadete e Baluda Cid, para o Quartel-General da Legião Portuguesa (Marrocos).
11h45 – Difundido novo comunicado do MFA ao País, informando que, de Norte a Sul, a situação se encontra dominada e que “…em breve chegará a hora da libertação.”
Fernando Correia da Silva, num poema de sabor vicentino, traça-nos um retrato irónico, mas veraz de um sol que brilhou intensamente, para depois se ir sumindo entre a neblina da incerteza e dos equívocos. Hoje aqui, acolá, encontram-se vestígios de Abril – mas é uma arqueologia que, de ano para ano, se torna mais difícil…
Ali, ABRIL, acolá…
Ali, ABRIL, acolá,
ganância é que não há.
Será tamanha a fartura
que ninguém jamais procura
ser dono de coisa alguma.
Por isso não se costuma
usar tranca ou cadeado,
apelar a magistrado,
condenar sem compaixão,
meter homem na prisão,
empurrá-lo para a guerra.
Onde fica essa terra?
Onde fica ou ficará?
Ali, ABRIL, acolá…
É povo, por natureza,
inclinado à gentileza.
Todos são donos de tudo
porque todos fazem tudo
para todos. Mais distingo
ser ali sempre domingo.
É festa continuada,
irmandade partilhada
entre homens e mulheres,
bem-te-quero, bem-me-queres,
sejam quais as gerações.
Desigual doutras nações
onde fica ou ficará?
Ali, ABRIL, acolá…
Arribado me quisera
ao país da Primavera.
Com a minha confraria
hei-de ali surdir um dia
sem daqui arredar pé.
Trocar eu quero o que é.
Porém ânsia desmedida
troca-me as voltas da vida
e comigo me deparo
solitário ao desamparo
a pregar neste deserto.
O azul é tão incerto…
Onde fica ou ficará?
Ali, ABRIL, acolá…


