Olivença – João Rodrigues Mouro – um engenheiro/arquiteto oliventino do século XVII

 

 

João Rodrigues Mouro: um engenheiro / arquiteto oliventino do século XVII 

– por António Martins Quaresma / adaptação de Carlos Luna

 

 

O forte da Ilha do Pessegueiro, uma das principais obras de João Rodrigues Mouro.

 

 

Há nomes que o tempo parece apagar. E, por vezes, isso sucede. Em contrapartida, outros há que são descobertos ou redescobertos… e, por vezes, onde menos se espera.

 

Um trabalho de 2009 sobre o Forte da ilha do Pessegueiro (PortoCovo/Sines) propiciou adescoberta de um engenheiro e arquitecto alentejano. O autor, António Martins Quaresma, não resistiu, e fez algumas pesquisas biográficas.

 

Assim se descobriu que João Rodrigues Mouro (ou João Roiz Mouro) nasceu em Olivença, em 1620, ou um pouco antes. Era filho de Pedro Antunes Mouro, e casou, em 1646, na Igreja da Madalena, na sua localidade natal, com Maria Pedreira, possivelmente sua conterrânea. Note-se que o apelido “Mouro” foi comum em Olivença entre os séculos XVI e XVIII. João Rodrigues Mouro foi soldado entre 1648 e 1653, e teve o cargo de ajudante nas obras da fortificação de Olivença. Recorde-se que estávamos no Guerra da Restauração (1640-1668 ), e importantes engenheiros estrangeiros trabalharam naquela vila alentejana (João Gilot, Nicolau de Langres, Jan Ciermans/Pascácio Cosmander). É legítimo conjecturar que João Rodrigues Mouro fez a sua aprendizagem em contacto com estes homens, que em Portugal introduziram o método de fortificação que mais tarde, anacronicamente, seria chamado “estilo Vauban”. Nessa época, não existiam Escolas de Engenharia ou de Arquitectura, e eram mestres que iniciavam discípulos ou aprendizes.

 

A partir de 1653 ou 1654, encontramos o nosso homem a trabalhar em Setúbal, trabalhando nas fortificações desta Praça e nas suas dependências. O Engenheiro existente, Sebastião Pereira, estava velho e incapacitado, e João Rodrigues Mouro foi indicado para o substituir… o que se tornou oficial em 23 de Novembro de 1665. Ganhava então 40 Cruzados (1600 réis/ cerca de 80 (!!!) cêntimos em moeda de 2009).

 

Sabemos que em Setúbal e nas fortificações que lhe eram dependentes, como já dissemos, com destaque para o litoral alentejano, João Rodrigues Mouro deixou obra feita e de destaque, quer de raiz, quer de reconstrução e adaptação, como o Forte de São Luís Gonzaga, alguns parapeitos da Fortaleza de São Filipe, o meio baluarte de São Domingos, Outão, e, mais longe, obras nos castelos de Palmela, Sesimbra, e Alcácer do Sal. Nos arredores de Setúbal, há notícias sobre inúmeros trabalhos.

 

A obra mais emblemática situa-se a sul de Sines, na Ilha do Pessegueiro, frente a Porto Covo. O belo Forte que ali se ergue, e que delicia quem o avista ou quem nele entra, resistiu ao tempo, sofreu obras de restauro, e é uma preciosa herança deste engenheiro até há pouco quase desconhecido.Terá sido construído, talvez, entre 1679 e 1684.

 

João Rodrigues Mouro terá morrido por volta de 1707, já bastante idoso. Detinha o posto de tenente-general. O seu sucessor, João Tomás Correia de Brito, foi o autor de uma obra onde incluiu alguns desenhos de fortificações da sua autoria.

 

A História, que tanto enaltece as glórias puramente militares ou os rasgos artísticos mais notórios, esquece por vezes pessoas que, noutras áreas, contribuem para a sua construção…

 

 

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