Apesar de ser um Mestre de muitos Mestres, de muito se ter falado e escrito sobre ele, devo igualmente, despretensiosamente, mencioná-lo nestes textos como também meu Mestre.
Fernando Pessoa não só é um Mestre mas é também um dos maiores génios poéticos de toda a nossa Literatura e um dos (não muitos) escritores portugueses mundialmente conhecidos. A sua poesia acabou por ser determinativa na evolução da criação poética portuguesa do século XX. Nele ainda é evidente a herança simbolista, mas Pessoa foi mais longe, não só quanto à criação de novas tentativas artísticas e literárias, mas igualmente no que se refere à teorização e à crítica literária. Sendo um poeta universal, que nos deu uma visão simultaneamente múltipla e unitária da Vida, numa tentativa de olhar o mundo duma forma complexa, com uma forte essência de filosofia racionalista, terá sido essa uma das razões que o fez criar os célebres heterónimos – Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
Mas a origem da heteronímia, pode também ser fruto da dispersão da sua criação, que lhe provocou uma reacção contra essa dispersão, e procurou disciplinar e ordenar a sua obra.
No entanto a génese dos heterónimos pode ser mais complexa.
Palavras de Fernando Pessoa:
«Tive sempre, desde criança, a necessidade de aumentar o mundo com personalidades fictícias […] esta tendência não passou com a infância, desenvolveu-se na adolescência, radicou-se com o crescimento dela, tornou-se finalmente a forma natural do meu espírito. Hoje já não tenho personalidade: quanto em mim haja de humano, eu o dividi entre os autores vários de cuja obra tenho sido o executor. Sou hoje o ponto de reunião de uma pequena humanidade só minha.»
Apesar da sua grandiosidade, quase toda a sua vida decorreu no anonimato. Quando morreu, em 1935, apenas tinha publicado um livro, Mensagem. No entanto, deixou a sua famosa arca recheada de milhares de textos inéditos que só começaram a ser publicados a partir de 1942.
O enigmático volume de poemas Mensagem, em que o poeta através do seu nacionalismo, procura reviver o sonho da grandiosidade de Portugal, perseguido por vários poetas desde o século XVII, transcende em muito a simples glorificação do passado mítico português. Nele a literatura portuguesa encontra na lírica questões fundamentais da existência humana, de cunho filosófico ou na isolada manifestação do quotidiano, numa escrita fundadora dos pilares em que verdadeiramente se afirma a nossa modernidade.
Se é verdade que é na obra poética que se dá a grande realização de Fernando Pessoa, não é menos verdade que numa visão global do seu pensamento a sua contínua reflexão filosófica e estética, é uma faceta igualmente importante divulgar. As relações entre Filosofia e Poesia em Fernando Pessoa (o poeta/filósofo), explica também os heterónimos à luz da meditação metafísica sobre o mistério do ser.
Contudo Pessoa disse:
«Eu era um poeta impulsionado pela filosofia, não um filósofo
dotado de faculdades poéticas.»
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Imensas são as frases representativas do pensamento pessoano, e muitas sobejamente conhecidas como por exemplo:
Tenho em mim todos os sonhos do Mundo.
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Ou ainda a mais divulgada,
Tudo vale a pena quando a alma não é pequena.
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Aqui coloco algumas frases de FERNANDO PESSOA, um MESTRE de Mestres, de meu muito particular agrado.
O Essencial da arte é exprimir; o que se exprime não interessa.
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A única realidade da vida é a sensação.
A única realidade em arte é a consciência da sensação.
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Ao passo que a filosofia é estática, a arte é dinâmica;
é mesmo essa a única diferença entre a arte e a filosofia.
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A obra de arte, fundamentalmente, consiste
numa interpretação objectivada duma impressão subjectiva.
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O artista como artista sente menos do que os outros homens
porque produz ao mesmo tempo que sente,
e nesse caso há uma dualidade de espírito incompatível
com o estar entregue a um sentimento.
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as minhas felicitaçóes pelo seu comentário!