Um Café na Internet
Em Lisboa, o Largo do Intendente está colado ao bairro da Mouraria. As fachadas de azulejo tentam esconder a podridão dos prédios. Ali há um Centro de Saúde que frequento, pois moro perto. Mas a principal função do Largo é exibir, durante a noite, prostitutas no engate. Numa 4ª feira, às oito da manhã, dirigi-me ao Centro de Saúde. Fui filado por uma prostituta que fazia horas extraordinárias.
– Ó querido, vem comigo até ao quarto.
– Não posso, tenho que ir ali ao médico.
– Vais depois, primeiro vens comigo.
– Já te disse que não posso.
Agarrou-me com violência o pulso esquerdo.
– Podes, podes… Faço-te uma coisa que nem queiras saber…
Para me safar, só dando-lhe umas bofetadas com a mão direita. Mas isso poderia atrair a polícia, complicações, chatices. A não ser que eu inventasse… E inventei:
– Ó filha, não percas tempo, olha que eu sou maricas.
– Ó querido, vem comigo até ao quarto.
– Não posso, tenho que ir ali ao médico.
– Vais depois, primeiro vens comigo.
– Já te disse que não posso.
Agarrou-me com violência o pulso esquerdo.
– Podes, podes… Faço-te uma coisa que nem queiras saber…
Para me safar, só dando-lhe umas bofetadas com a mão direita. Mas isso poderia atrair a polícia, complicações, chatices. A não ser que eu inventasse… E inventei:
– Ó filha, não percas tempo, olha que eu sou maricas.
Largou-me logo, repelão. Uf!
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