De Nova Iorque a Paris, passando por Madrid ou algures, os mesmos vampiros de sempre: a alta finança, os mesmos funcionários menores, os governos nacionais. Uma nova série.

Selecção e Tradução de Júlio Marques Mota

5. Jamie Dimon deve resignar da Administração do FED de Nova Iorque

Simon Johnson

Jamie Dimon, Presidente do JP Morgan Chase, é um membro do Conselho do Federal Reserve Bank de Nova York.  O papel de  Dimon  é aqui muitas vezes apresentado como “consultivo”, mas ocupa um lugar no importante Management and Budget Committee; aqui entre outras funções define-se, por exemplo, a revisão e aprova-se   “a estrutura de remuneração dos altos quadros executivos, (vice-presidente e acima )”.  A sua função estende-se pois a aspectos importantes de como trabalha o Fed de Nova York, incluindo a sua política de pessoal.

O Fed de Nova York é uma parte fundamental do nosso aparelho de regulação e de supervisão, envolvido na supervisão das actividades dos bancos e das empresas que são pertença dos referidos bancos , como o JP Morgan Chase (actualmente o maior banco nos Estados Unidos).  Dentro do sistema de Reserva Federal, o Fed de Nova York também tem alguns dos mais profundos especialistas sobre os  mercados financeiros e sobre os  produtos complexos, tais como os derivados.  Embora quase toda  a supervisão  pertinente tenha lugar à porta fechada, com os representantes da indústria – incluindo os grandes bancos – normalmente a tomarem a posição, a defenderem, as posições  que lhes possas permitir  operar de dada forma  particular ou de utilizarem  vários tipos de modelos de risco.  O pessoal do Fed de Nova York tem muitas vezes uma palavra  decisiva para determinar que tipos de riscos são aceitáveis para  as instituições financeiras importantes do ponto de vista do seu  caracter sistémico  .

Nas últimas semanas, a gestão de risco ter-se-á afundado totalmente  no JP Morgan Chase.  Mesmo os cálculos  mais simpáticos retratam Jamie  Dimon como fora do terreno, fora de controlo  de  grande parte da sua actividade.  Existem também relatórios de imprensa em que um ou mais dos executivos escolhidos e preferidos por Jamie  Dimon não conseguiram compreender e explicitar em relatórios os riscos que estes assumiram e tornaram consideravelmente ampliados e em que eles rapidamente ficaram fora  de controle.  Trata-se de um quebra-cabeças saber exactamente o que é que Jamie Dimon  não sabia e quando é que ele não sabia, incluindo a questão de saber se ele divulgou  todas as informações relevantes e adversas de forma oportuna e adequada.  Presumivelmente, o Fed de Nova York estará  envolvido – directa ou indirectamente – no âmbito dos inquéritos em curso e nos futuros também (incluindo a responder  às questões  sobre o que a sua equipa sabia ou não sabia).

No final da semana passada, o Secretário de Estado do Tesouro,  Tim Geithner,  pediu a  Dimon que se demitisse do Conselho do Fed de Nova York.  Tim  Geithner   foi já   Presidente do Fed de Nova York e sabe  perfeitamente como funciona o Conselho – e como os grande banqueiros fazem amizades e influenciam as pessoas.  Tim . Geithner falou sobre o habitual  código diplomático do Departamento do Tesouro –sugeriu mesmo que há um problema de “percepção” que deve ser enfrentado. Para as  autoridades , isto é uma clara declaração de que assim  é necessári.o a sua saída do FED  Como Presidente do Financial Stability Oversight Council, Tim Geithner é o principal responsável  pela saúde do sistema financeiro e das suas componentes sistémicas  importantes.  Ele está a dizer a Jamie Dimon que se vá embora.

Mr. Dimon é provavelmente capaz de querer resistir, mas os conflitos de interesses flagrantes na situação actual são demasiado grandes. Jamie Dimon não deve estar em nenhuma  posição que possa  influenciar ou afectar uma organização que desempenha um papel essencial na supervisão das actividades da sua própria empresa.  Tendo em conta as rupturas existentes na gestão de riscos no JP Morgan Chase e a possibilidade que novamente haja  problemas com a supervisão de banco, neste caso, nós precisamos  de  ter uma investigação independente e adequada – e mudar  os parâmetros deste supervisor da banca e  ir em frente, é uma necessidade.

Ter Jamie  Dimon envolvido  a supervisionar a gestão do Fed de Nova York, uma organização que supervisiona as suas próprias  actividades, decisões e perdas potenciais, já não é aceitável.  Não podemos aceitar tais conflitos de interesses noutras partes da sociedade americana e nós não devemos então aceitá-los nesta instância, também.

Simon Johnson,  Board do FED Should Resign from the Board of the New York Fed, Maio de 2012.

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