DIÁRIO DE BORDO DE 11 DE AGOSTO DE 2012

Ontem prestámos homenagem a um grande escritor de língua portuguesa – um escritor cujas páginas da juventude, cheias de uma esperança luminosa no futuro,  ajudaram os seus leitores a suportar a tirania e a injustiça social, alimentando o espírito de luta – imbuindo-os da rebeldia dos capitães da areia e do sereno espírito revolucionário de cavaleiros da esperança; cujas obras da maturidade,  ajudaram os seus leitores a suportar com bonomia engenhosa de velhos marinheiros, a desilusão pelo facto de a liberdade que conquistámos, nada ter a ver com aquela com que sonháramos.  Jorge Amado, mais do que um escritor, foi um amigo que nos sacudiu quando dormíamos e, mais tarde, nos fez sorrir do nosso próprio desencanto.

Como já tínhamos feito com a Economia, entregando a roda do leme ao argonauta Júlio Marques Mota, desta vez o piloto que nos guiou foi Sílvio Castro. Saudamo-lo pela forma sábia com que conduziu a nossa Argos, pela qualidade que conseguiu dar à edição, com a colaboração de argonautas, mas também de especialistas brasileiros e italianos. Tencionamos repetir este tipo de edição especial, conduzida por quem, pertencendo à tripulação, domine os temas que são objecto dessas edições.  Este é o nosso conceito de blogue – não um afável ponto de encontro, nem o correspondente digital a uma tertúlia, mas um instrumento de informação e de cultura ao serviço dos valores maiores da liberdade e da dignidade. Um instrumento modesto e de limitado alcance, mas firme e consequente. Realizado com o mesmo sentido de responsabilidade com que se executa uma tarefa profissional. O que se escreve em blogues é menos efémero do que muita gente pensa. É, por exemplo, muito mais duradouro do que o que se escreve em jornais. O que publicámos ontem sobre Jorge Amado, vai ser lido ao longo dos próximos meses, dos próximos anos. A leitura do que se publica num dia é insignificante quando comparado com o volume de leituras de posts anteriores.

Temos muito respeito e consideração pelos colaboradores. Sem eles, este projecto não seria possível. Porém, o objecto deste blogue não é o de servir os colaboradores, nem o de proclamar as suas ideias ou exibir as suas qualidades – A Viagem dos Argonautas existe para os leitores e em função deles. Pensamos ser este objectivo comum aos que nos acompanham. O muito trabalho que dá manter um blogue a funcionar, não nos permite aceitar futilidades nem fazer grandes concessões. Nâo temos esse direito.

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