Raul de Carvalho – Portugal
(1920 – 1984)
MATINAL
Ah, esta calma matutina, este bulício fino,
esta límpida rede de sons que não magoam…
É domingo e há sol. Esta manhã
os pensamentos são como as aves – voam!
[…]
Estás longe de mim, pássaro ferido
e afogado num rio sublunar,
único nome que não tem sentido
porque é o nome que te quero dar.
Como quem palpa e sente a sua morte,
aqui estamos: desertos e maduros.
Prontos para dormir, durante a noite,
à sombra de outros muros.
(de “Versos (poesia II”)
São da década de 50 os seus títulos mais significativos. Colaborou nos “Cadernos de Poesia” e co-dirigiu, com António Ramos Rosa e outros, a revista “Árvore”. Eduardo Lourenço considerou-o o herdeiro de Álvaro de Campos. É famoso o poema “Serenidade és minha”,dedicado a Fernando Pessoa. Outros títulos: “As sombras e as vozes” (1949), “Poesia I. 1949-1958” (1965), “Tempo Vazio” (1975), “Elsinore” (1980).

