POESIA AO AMANHECER (7) – por Manuel Simões

Raul de Carvalho  – Portugal

(1920 – 1984)

MATINAL

Ah, esta calma matutina, este bulício fino,

esta límpida rede de sons que não magoam…

É domingo e há sol. Esta manhã

os pensamentos são como as aves – voam!

[…]

Estás longe de mim, pássaro ferido

e afogado num rio sublunar,

único nome que não tem sentido

porque é o nome que te quero dar.

Como quem palpa e sente a sua morte,

aqui estamos: desertos e maduros.

Prontos para dormir, durante a noite,

à sombra de outros muros.

(de “Versos (poesia II”)

São da década de 50 os seus títulos mais significativos. Colaborou nos “Cadernos de Poesia” e co-dirigiu, com António Ramos Rosa e outros, a revista “Árvore”. Eduardo Lourenço considerou-o o herdeiro de Álvaro de Campos. É famoso o poema “Serenidade és minha”,dedicado a Fernando Pessoa. Outros títulos: “As sombras e as vozes” (1949), “Poesia I. 1949-1958” (1965), “Tempo Vazio” (1975), “Elsinore” (1980).

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