O SUL DA EUROPA A ARDER. Uma nota de Júlio Marques Mota a uma notícia no El País.

Nota introdutória

Já vimos imagens de Moscovo a arder. Nesse ano o governo do muito “democrata” Putin tinha drasticamente reduzido o orçamento para os bombeiros e o fogo quase que atingiu Moscovo. Uma das consequências são hoje bem sabidas foi o disparar do preço dos cereais porque por sugestão dos homens da Glencore, a maior empresa mundial em matérias- primas sediada em Zoug, cantão pertencente ao paraíso fiscal  que é a Suíça, a Rússia ordenou um embargo às exportações  de cereais. Os preços subiram, a Glencore terá ganho uma fortuna  porque apostou na alta dos cereais e acertou (!) e o mundo continuou a ter muita gente com mais fome ainda.

Mas Moscovo repete-se, agora bem ao sul da Europa, em Espanha a arder porque também não há meios de prevenção. Os orçamentos dos bombeiros, como na terra de Putin foram drasticamente desadaptados, para não dizer, drasticamente cortados, e a Espanha arder sobre pressão do fogo e dos mercados de capitais que a esta retiram os meios com que se  possa então  os fogos combater. E estes países, varridos pelos ventos dos mercados e do fogo,  estão a arder com mais facilidade com que arderia a casa de palha dos porquinhos do conto infantil  por todos bem conhecido

A fazer lembrar a Alemanha e  os seus dirigentes   políticos  para quem os povos “pecadores” do Sul devem ser punidos, a lembrar  o seu ministro Schauble no Financial  Times no Verão de 2011  ao afirmar “short term pain, long term gain”  ou ainda a lembrar Weidmans, presidente do Banco Central Alemão,   para quem as taxas juros altas que os povos do Sul estão a pagar e a estes países os meios financeiros estão a  usurpar, serão a justa punição de se deixarem  cair em dificuldades económicas, a lembrar também Durão Barroso e as suas Primaveras europeias  onde se garantem as políticas de austeridade aos governos soberanos impostas.

Mas lembremo-nos também de Portugal a arder por tudo o que é sítio e digam-me quais as verbas gastam na formação científica do pessoal encarregue do combate aos incêndios? Não se trata de formação profissional, trata-se da formação científica no combate aos fogos, de engenheiros especializados nesta área  e de  pessoal auxiliar altamente qualificado também. Quantos afinal? Quantos os engenheiros adicionais formados nesta área e responsabilizados pela luta contra os fogos? Francamente gostava de saber.

Há pois responsáveis políticos pelo que está a acontecer, disso parece estarmos bem certos.

Faro, 16 de Agosto de 2912.

Júlio Marques Mota

High-risk season hit by lack of funds as land affected by wildfires triples the 2011 total

 EL PAÍS Madrid 14 AGO 2012-

Cortes nas despesas na Catalunha dificultam os esforços dos bombeiros para acabar com as chamas.

Uma temporada de alto risco, atingida por falta de fundos com as terras afectadas  por incêndios florestais triplica o total atingido em  2011

Mais duas fatalidades numa série de terríveis incêndios em toda a Espanha.

Catalunha, uma das regiões que tem sido mais atingida  por incêndios florestais deste ano, tinha reduzido o  seu orçamento de combate aos  incêndios para a temporada de Verão  assim como também reduziu  o número de bombeiros contratados.

As autoridades   dizem que foi a pior temporada de incêndios  nesta década. Este ano, os incêndios florestais   já queimaram  132.299 hectares de terra em toda a Espanha, três vezes mais que em 2011 quando 39.573 hectares foram  transformados em carvão  por incêndios florestais, de acordo com os dados do Ministério do Meio Ambiente.

Os bombeiros na Catalunha, reclamou que os fundos públicos destinados para a campanha de Verão, que  eram de  30 milhões de euros em 2010, foram orçamentados para  24 milhões em 2012. Eles  aumentaram ligeiramente dos  22,80 milhões do ano passado. O dinheiro que é destinado para  as campanhas de sensibilização também foi cortado de 330.000 euros para 63.100 euros em dois anos.

Em Fevereiro, os  bombeiros da  Catalunha  avisaram publicamente  “um problema iminente” no que diz respeito a temporada deste ano de alto risco  quanto a fogos.  Os cortes no orçamento também significaram  que não havia fundos suficientes para cobrir o custo dos  uniformes deste ano. “Houve algumas pessoas que não poderiam ajudar a apagar as chamas, porque eles não tinham botas ou luvas sequer,” disse Antonio del Río, representante sindical da UGT  no sector dos  bombeiros.

Houve quatro mortes na Catalunha, relacionadas com as situações de emergência. Um incêndio que irrompeu em La Jonquera, destruindo 13.000 hectares perto de Alt Empordà, custou a vida a  duas pessoas no dia 22 de Julho. Nesse mesmo dia, um pai e a sua filha morreram depois que eles terem tentado  a  outro incêndio em Portbou.

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