EM COMBATE – 158 – por José Brandão

Batalhão de Caçadores Pára-quedistas 31

MOÇAMBIQUE

1965-1967

 A instalação das tropas Pára-quedistas em Moçambique remonta ao ano de 1961, e à criação do BCP 31. O começo da existência “de facto” do BCP 31 é fixado em 6 de Março de 1964, data da tomada de posse do 1º dos seus Comandantes, tenente-coronel Pára-quedista Rafael Durão. Este primeiro Batalhão instalado em Moçambique estava aquartelado na Beira, apesar de a Portaria 19 520 prever a sua instalação em Nacala, razões várias foram impedindo que isso viesse a ocorrer, mantendo-se em Nacala apenas uma Companhia de Caçadores Pára-quedistas (CCP) em destacamento.

A importância do porto de Nacala, do terminal do caminho-de-ferro para o Niassa e Malawi, e a construção em Nacala da primeira grande pista aeronáutica da província, eram razões de peso para a instalação de uma unidade Pára-quedista na região. As obras para a construção do aquartelamento do BCP 31 em Nacala, tinham sido iniciadas em fins de 1965, com a participação do pessoal da CCP que se encontrava aquartelada nas instalações do Aeródromo Base nº5 (AB5).

Em Abril de 1966 o BCP 31 assume a missão de segurança na Beira, face ao bloqueio dos portos de Moçambique pela esquadra britânica, na sequência da imposição de sanções económicas à Rodésia do Sul. Esta situação praticamente esgota as capacidades do BCP 31, o que originou o pedido de criação de um segundo Batalhão de Caçadores Pára-quedistas em Moçambique.

Em 11 de Novembro de 1966 foi publicada a Portaria nº 22 302 que criou o BCP 32 com sede em Nova Freixo. A unidade viria a ser activada em Janeiro de 1967, em Nacala, nas instalações inicialmente destinadas ao BCP 31 (em Novembro de 1966 o BCP 31, por despacho do comandante da 3ªRA passa a ter a sua sede na Beira). A activação processou-se com efectivos cedidos pelo BCP 21, como foi o caso da 1ªCCP, que chegou a Nacala em Março de 1967, e pelo BCP 31, no caso da 2ªCCP.

O Batalhão estava organizado com: Comando, que integrava o comandante e o 2º comandante, a Secção de Informações e Operações, a Secretaria e Secção de Pessoal, e o Serviço Religioso; as duas Companhias de Caçadores Pára-quedistas, 1ª e 2ª CCP; a Companhia de Materiais e Infra-estruturas (CMI), que integrava toda a área de apoio em termos de abastecimentos, aquisições, infra-estruturas, manutenção, transportes, dobragem de pára-quedas e cães de guerra; e ainda o Conselho Administrativo, a Secção de Justiça e o Serviço de Saúde.

Em termos de instalações o Batalhão recebeu o aquartelamento inicialmente destinado ao BCP 31, junto às instalações do AB5. Tratava-se de um aquartelamento com condições bastantes razoáveis, que foi sendo continuamente melhorado ao longo dos anos.

As tropas pára-quedistas são, no essencial, forças de infantaria com capacidade para ser lançadas de pára-quedas. Estão preparadas para combater e sobreviver em terra, mas na organização militar portuguesa surgiram integradas na Força Aérea.

Os páras utilizaram desde a sua criação os uniformes da Força Aérea e, embora a sua primeira designação como «caçadores pára-quedistas» e o seu emblema – duas armas cruzadas com um pára-quedas – remetessem para a sua origem de tropas de infantaria, já o decreto que os criou determinava que o barrete número um e o bivaque seriam substituídos pela boina verde. Pela primeira vez na história dos uniformes das Forças Armadas Portuguesas foi autorizado o uso da boina como cobertura da cabeça.

O uniforme de campanha foi, desde o início, o fato de combate camuflado, designado por PQ/9 e o equipamento individual era de origem americana. Os pára-quedistas portugueses utilizaram sempre o modelo US, muito mais prático do que os equipamentos de modelo nacional – M/64 – usados pelas outras forças. Era constituído pelo capacete, suspensórios M-43 com porta-carregadores BAR 7,62, que podiam ser colocados em várias posições, e cantil metálico protegido por capa de lona.

A arma mais utilizada durante a guerra foi a espingarda automática americana AR-10, arma de 7,62, embora também tivessem usado a G-3, com coronha retráctil.

A integração dos páras na Força Aérea fez com que as suas unidades estivessem sempre associadas a bases aéreas, das quais os respectivos batalhões recebiam o número. Era a partir destas bases que eles saíam para o cumprimento das missões, geralmente como forças de intervenção à ordem do comandante-chefe.

Em Moçambique, as quatro companhias dos BCP 31 e 32 realizaram operações nas três frentes de combate, destacando-se, no Norte da província, a Operação Zeta.

Nos primeiros anos da sua existência os pára-quedistas portugueses utilizaram como avião para instrução de salto o JU- 52.

Em todos os teatros de operações, os pára-quedistas utilizaram os helicópteros Alouette III e, nos últimos anos de guerra, o helicóptero SA 330-Puma em operações de helitransporte e heliassalto, meios que lhes permitiram aumentar a mobilidade em combate e explorar a surpresa da actuação.

As tropas pára-quedistas portuguesas sofreram o primeiro morto em combate no dia 24 de Abril de 1961 e os dois últimos em 22 de Agosto de 1974.

Ao todo, nos três teatros de operações morreram cento e sessenta homens.

Do BCP 31 morreram 2 Oficiais, 6 Sargentos e 31 Praças.

A simbologia do Batalhão de Caçadores Pára-Quedistas e do Regimento de Caçadores Pára-Quedistas que lhe sucedeu foi sempre um grifo encimado pelo pára-quedas, bem como o lema: «Que nunca por vencidos se conheçam».

As unidades que actuaram nos teatros de operações tiveram o seu lema. O do BCP 31 era: «Honra-se a pátria de tal gente»

http://www.guerracolonial.org/index.php?content=320

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