SOBRE A BOMBA DE NEUTRÕES FABRICADA EM BRUXELAS E ALGURES, E JÁ PRONTA PARA DISPARAR SOBRE TODA A ZONA EURO – XII

Por Júlio Marques Mota

(CONTINUAÇÃO)

Uma análise histórica sobre os excedentes mostra a importância para a Alemanha da constituição da zona euro.

  1. A balança comercial da Alemanha e o euro

2. Os excedentes comerciais  da Alemanha têm origem nas relações comerciais com:

Um total de 41% do excedente da Alemanha vem da França, Itália, Espanha e (espantem-se!) da Grécia, para onde a Alemanha ainda continua a  exportar o máximo que pode e com todos os meios que pode, como gangbusters, apesar da Grécia ser um  país pobre, a estar já no seu  quinto ano de recessão.  Na verdade, o excedente comercial  da Alemanha por pessoa, com a Grécia é 3,6 vezes maior do que o é com os EUA (290 euros por habitante grego  versus 81 euros por americano).

Estes dados fazem-nos lembrar a canção de  Elvis Presley já referida quando nos cantou em Suspicious Minds: ” We’re caught in a trap I can’t walk out because I love you too much baby

A conclusão é a de que  a Alemanha é o maior vencedor do sistema cambial a  taxa fixa do  euro e que  a introdução do euro permitiu que a economia alemã crescesse  a uma taxa razoável apesar do fraco nível da procura interna. Se o euro nunca tivesse existido, a fraca procura interna na economia alemã seria um problema muitíssimo  maior. O euro terá começado como sobreavaliado face ao marco, principal moeda do sistema, ganhando assim a Alemanha  uma insosfismável vantagem competitiva e portanto o marco entrou subavaliado face às restantes moedas. Com o euro caro face ao exterior, a Alemanha mantinha as exportações para os seus principais parceiros europeus, a China aparece depois e, mais ainda, a Alemanha  por essa via mantinha  o valor  das suas importações baixo,  o que a ajudava na politica de deflação salarial e na redução de mais custos, das matérias-primas necessárias  para a produção. Para além disto, a queda do bloco Leste tornou disponível uma mão-de-obra altamente qualificada e a muito baixo custo, mão-de-obra do século XXI a trabalhar até aí com máquinas do século XIX, para utilizar uma expressão de Gunther Walraf. Um bónus  caído do céu e tão importante que o seu primeiro impacto segundo os mais conceituados analistas seria um aumento do PIB na ordem de 1 a 1,5 do PIB alemão.  Adiciona-se ainda a política de deflação salarial ou de desinflação competitiva seguida desde Scheroeder em que se atacou duramente o Estado Providência e temos a panóplia de isntrumentos que estão na base dos famosos excedentes alemães e do aumento de competitividade via preço ganho face aos seus parceiros europeus. Uma verdadeira mix em termos de arsenal de políticas que estiveram pois na base do modelo de crescimento alemão dinamizado e sustentado  pela via das exportações, o modelo led-grouth via exportações, exportações primeiro e fundamentalmente para os Estados membros da Zona euro e depois para a China igualmente.  Podemos pois pensar  que uma crise com a intensidade de 2008 repetirá o comportamento de então em que o excedente comercial caiu perigosamente.   E é isso o que pode acontecer em breve  e, com  isso,  a terrível dúvida :  o que poderá acontecer a esta Europa desnudada de políticos sérios e com coragem para a levar a bom porto ?

(continua)

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